Português Inglês Irlandês Alemão Sueco Espanhol Francês Japonês Chinês Russo
Avançar para o conteúdo

Acordo Zelensky-Trump pode ser início do fim do presidente da Ucrânia, diz analista

    Acordo Zelensky-Trump pode ser início do fim do presidente da Ucrânia, diz analista


    TRUMP chamou ZELENSKY para uma conversa depois do funeral do Papa Francisco, dentro da Basílica de São Pedro, pela primeira vez desde o confronto acalorado no Salão Oval da Casa Branca, em fevereiro – Imagem reprodução


    Conheça os detalhes do tratado, suas implicações para a soberania ucraniana, as manobras geopolíticas em torno das terras raras e o processo de paz mais amplo, e toda a repercussão mundial sobre o tema – SAIBA MAIS

    COMPARTILHE:

    UrbsMagna no WhatsApp
    ——-Canais de Notícias——-
    ➡️ UrbsMagna no Telegram


    Brasília, 01 de maio de 2025

    Palavras:1621 / Tempo de leitura:9 minutos

    Em uma recente entrevista ao programa brasileiro Giro das Onze, da TV247, o analista geopolítico James Onnig ofereceu uma perspectiva ousada sobre as dinâmicas em evolução entre o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, o presidente dos EUA Donald Trump e o presidente russo Vladimir Putin, especialmente em relação a um controverso acordo centrado nas terras raras da Ucrânia.

    Onnig sugeriu que esse acordo pode marcar o “princípio do fim” da liderança de Zelensky, prevendo uma mudança na estrutura de poder da Ucrânia e uma possível joint venture entre EUA e Rússia para explorar a riqueza mineral do país.

    Onnig avalia que “o nome de Zelensky começa a ser afastado do centro do poder da Ucrânia nas próximas semanas… porque agora a bola está com a Rússia”.

    Segundo o professor, “a Rússia vai exigir não só um processo de cessar-fogo, mas sim um processo de paz” e o presidente da Federação Vladimir Putin “está disposto a jogar para a frente a discussão de algumas fronteiras, mas não a totalidade dos territórios conquistados”.

    O analista brasileiro disse também que “se houve esse acordo, se eles conseguiram chegar a esse ponto comum de permitir a presença do capital estadunidense dentro de terras ucranianas, agora vai se abrir uma estrada onde Trump vai oferecer para o Putin alguma joint venture, algum tipo de ação conjunta para exploração dessas terras”.

    Segundo Onnig, “uma boa parte dessas terras está nas áreas conquistadas pela Rússia”.

    O analista acrescenta que “os Estados Unidos não têm disposição política hoje para entrar em confronto por causa de terras raras”.

    Para o professor, “é muito mais fácil eles chegarem a um acordo de exploração, a um bloco de comércio, algo parecido com isso, e assim evitar uma nova confrontação”.

    Então, se Zelensky jogou essa bola para Trump, eu acredito que é o começo do fim da história de Zelensky na Ucrânia” concluiu James Onnig.

    O acordo entre os EUA e a Ucrânia, finalizado no início de 2025, concentra-se em investimentos conjuntos em minerais críticos ucranianos, como terras raras, lítio e titânio, essenciais para tecnologias avançadas como veículos elétricos, sistemas de defesa e infraestrutura de energia renovável.

    Segundo um relatório do Center for Strategic and International Studies (CSIS), o acordo cria um fundo de investimento para explorar e desenvolver esses recursos, com mecanismos de divisão de receitas entre EUA e Ucrânia.

    Diferente de uma proposta anterior do governo Trump, que exigia US$ 500 bilhões em receitas minerais como pagamento pela ajuda militar americana, o acordo final evita termos explícitos e omite garantias de segurança vinculantes para a Ucrânia — um ponto de tensão para Zelensky.

    A ausência dessas garantias alimenta ceticismo sobre os benefícios de longo prazo para a Ucrânia, especialmente devido à guerra em curso com a Rússia e à ocupação de territórios ricos em minerais.

    A BBC News informou que o acordo, assinado após meses de negociações tensas, visa sinalizar o compromisso dos EUA com uma Ucrânia “livre, soberana e próspera”.

    No entanto, Trump descreveu o acordo como uma forma de recuperar gastos americanos, alegando falsamente que os EUA gastaram US$ 350 bilhões em ajuda à Ucrânia — valor desmentido pela PBS News.

    O site cita gastos reais de cerca de US$ 183 bilhões. O foco econômico do acordo, sem garantias militares, reforça a diplomacia transacional de Trump, priorizando interesses econômicos dos EUA em vez de compromissos tradicionais de segurança.

    A afirmação de Onnig de que “os dias de Zelensky como líder ucraniano podem estar contados” alinha-se às críticas amplificadas por Trump, que repetidamente chamou Zelensky de “ditador sem eleições”.

    Isso decorre da decisão da Ucrânia de adiar as eleições previstas para 2024 devido à guerra, uma medida que Trump usou para questionar a legitimidade de Zelensky.

    O The New York Times destacou que as reprimendas públicas de Trump a Zelensky durante uma reunião na Casa Branca em fevereiro de 2025 — onde acusou o líder ucraniano de ingratidão — aprofundaram as tensões.

    O encontro, destinado a finalizar o acordo mineral, degenerou em uma discussão acalorada, com o vice-presidente JD Vance repreendendo Zelensky por questionar a diplomacia americana.

    A insistência de Zelensky em garantias de segurança colidiu com o foco de Trump em retornos econômicos, levando ao cancelamento de uma coletiva de imprensa conjunta.

    O jornal inglês The Guardian relatou o aviso de Trump de que Zelensky estava “brincando com a Terceira Guerra Mundial” ao resistir a um acordo de paz, refletindo a frustração do presidente americano com as demandas ucranianas por membresia na OTAN e compromissos robustos de defesa.

    A retórica de Trump alimentou especulações sobre a intenção dos EUA de pressionar Zelensky a renunciar, um sentimento ecoado pela previsão de Onnig.

    O site americano Politico revelou que aliados próximos de Trump participaram de conversas secretas com figuras da oposição ucraniana, incluindo Yulia Tymoshenko e membros do partido de Petro Poroshenko, sugerindo uma estratégia americana para apoiar líderes alternativos alinhados à agenda de paz de Trump.

    Ainda sobre a análise, Onnig postula que a Rússia tem grande influência no processo de paz, especialmente porque muitos depósitos de terras raras da Ucrânia estão em territórios ocupados pelos russos.

    Segundo a agência de notícias Reuters, Zelensky reconheceu que cerca de metade das reservas de terras raras da Ucrânia estão sob controle russo, levantando preocupações de que Moscou possa explorar esses recursos com aliados como Coreia do Norte e Irã.

    A abertura de Trump para uma joint venture com a Rússia, conforme especulado por Onnig, encontra respaldo em relatos da Al Jazeera, que destacou a proposta russa de conceder aos EUA acesso a minerais em territórios ucranianos ocupados — um acordo que Trump e Putin sinalizaram interesse.

    Essa perspectiva preocupa Kiev, pois poderia legitimar os ganhos territoriais russos.

    O South China Morning Post destacou a rejeição de Zelensky a uma proposta anterior dos EUA devido à falta de garantias de segurança, sublinhando o medo da Ucrânia de se tornar um peão em um arranjo econômico EUA-Rússia.

    A viabilidade do acordo também é complicada por desafios logísticos, como minas terrestres que contaminam um quarto do território ucraniano, conforme observado pela BBC News.

    Esses obstáculos, combinados com o longo prazo para o desenvolvimento da mineração (estimado em 18-20 anos pelo CSIS), reduzem o apelo econômico imediato do acordo.

    A pressão de Trump por uma resolução rápida da guerra Rússia-Ucrânia, promessa central de sua campanha, gerou alarme em Kiev e capitais europeias.

    O The New York Times relatou uma proposta americana para congelar as linhas de frente atuais, cedendo efetivamente territórios ocupados pela Rússia — rejeitada por Zelensky como violação da constituição ucraniana.

    As conversas diretas de Trump com Putin, incluindo reuniões na Arábia Saudita sem representação ucraniana, alimentaram temores de um acordo favorável a Moscou.

    A CNN destacou que o secretário de Estado americano Marco Rubio questionou o compromisso de Zelensky com a paz, sugerindo que a postura confrontadora do líder ucraniano durante o conflito na Casa Branca foi um erro.

    Líderes europeus, conforme relatado pelo Le Monde, uniram-se a Zelensky, com o presidente francês Emmanuel Macron enfatizando o papel da Rússia como agressor.

    O Der Spiegel alertou que o alinhamento de Trump com Moscou pode minar a OTAN e a segurança europeia, enquanto o El País descreveu o incidente na Casa Branca como um ponto de virada, potencialmente isolando a Ucrânia do apoio americano.

    Apesar das pressões, Zelensky buscou manter a autonomia da Ucrânia.

    O Hindustan Times informou sobre um breve encontro simbólico entre Zelensky e Trump em Roma em abril de 2025, sugerindo uma tentativa de reparar laços.

    Zelensky também recorreu a aliados europeus, com o The Sydney Morning Herald detalhando seus engajamentos com o primeiro-ministro britânico Keir Starmer e outros para garantir apoio contínuo.

    No entanto, o Asahi Shimbun observou que Japão e outras nações asiáticas monitoram cautelosamente a dinâmica EUA-Rússia, preocupadas com implicações para a estabilidade global.

    A visão de Onnig sobre uma joint venture EUA-Rússia nas terras raras da Ucrânia, embora especulativa, reflete uma tendência de realpolitik.

    A análise do Substack por Responsible Statecraft argumenta que Trump e Vance veem a guerra como parte de uma disputa geopolítica pela expansão da OTAN, priorizando interesses americanos em detrimento da soberania ucraniana.

    Essa perspectiva alinha-se ao portal RT, que retratou o conflito na Casa Branca como evidência da intenção dos EUA de intermediar um acordo com a Rússia, possivelmente às custas da Ucrânia.

    O Clarín destacou preocupações latino-americanas com o precedente estabelecido por tais acordos, temendo intervenções semelhantes em sua região.

    Enquanto isso, o El Universal ressaltou o apelo do México por um processo de paz inclusivo, ecoando a posição da África do Sul, conforme relatado pelo Eurasia Review.

    O acordo Zelensky-Trump, embora economicamente significativo, expôs fissuras profundas nas relações EUA-Ucrânia.

    A insistência de Zelensky em garantias de segurança, somada à abordagem transacional de Trump e à aproximação com a Rússia, coloca a Ucrânia em posição vulnerável.

    LEIA MAIS APÓS OS ANÚNCIOS

    A previsão de Onnig sobre o declínio de Zelensky pode depender da capacidade da Ucrânia de navegar neste campo minado geopolítico sem sacrificar sua soberania.

    Enquanto o processo de paz se desenrola, o mundo observa atentamente, ciente de que o resultado moldará não apenas o futuro da Ucrânia, mas também o equilíbrio global de poder.

    James Onnig é um professor, pesquisador e analista político, especializado em geopolítica, relações internacionais e sociologia política.

    UrbsMagna no WhatsApp
    ——-Receba Notícias———
    ➡️ UrbsMagna no Telegram


    Redes Sociais

    🗣️💬

    Discover more from Urbs Magna

    Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

    Continue reading