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Ações da Havaianas disparam após bolsonaristas jogarem chinelos no lixo

    Comercial com Fernanda Torres gerou boicote da extrema direita, ações despencaram, mas a virada veio nesta terça-feira e surpreendeu a bolsa

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    A atriz
    A atriz Fernanda Montenegro sorri durante cerimônia de entrega do Oscar | O deputado cassado, Eduardo Bolsonaro, mostra suas Havaianas, antes de jogá-las na lixeira / Imagens reprodução

    Brasília, 23 de dezembro 2025

    A Alpargatas, controladora da icônica marca Havaianas, viu suas ações registrarem uma recuperação surpreendente nesta terça-feira (23/dez), apagando as perdas iniciais causadas por uma campanha de boicote liderada por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.

    O episódio, desencadeado por um comercial de fim de ano estrelado pela atriz Fernanda Torres, ilustra como controvérsias políticas podem influenciar o mercado financeiro de forma volátil, mas passageira, segundo analistas.

    Tudo começou quando o jornalista Thiago Asmar, conhecido como “Pilhado”, iniciou um movimento de boicote à marca Havaianas após o lançamento de uma campanha publicitária estrelada pela atriz Fernanda Torres.

    Asmar criticou a fala de Torres para “não entrar 2026 com o pé direito“, mas “com os dois pés“. O jornalista sugeriu que os consumidores trocassem de marca.

    A reação negativa foi motivada por posicionamentos políticos anteriores da atriz, levando o comunicador a criticar a escolha da empresa e a convocar seus seguidores a deixarem de consumir os produtos da marca.

    O deputado cassado Eduardo Bolsonaro também acompanhou “Pilhado” e publicou um vídeo nas redes sociais jogando um par de chinelos Havaianas no lixo.

    No post, ele declarou que começaria o ano “com o pé direito, mas não de Havaianas”, acusando a campanha de refletir um alinhamento ideológico à esquerda e criticando Fernanda Torres por supostamente defender prisões relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023.

    Outro foi o polêmico deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), conhecido da esquerda como “chupetinha de genocida“, em referência a seu alinhamento com o ex-presidente Bolsonaro. O parlamentar reforçou o chamado, adaptando o slogan da marca ao escrever: “Havaianas, nem todo mundo agora vai usar”.

    Outros parlamentares da direita, como a deputada Bia Kicis (PL-DF), que afirmou “se eles não nos querem, nós também não queremos Havaianas”, e o deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM), que disse não comprar “de quem nos ataca”, engrossaram o movimento.

    A propaganda em questão, lançada para celebrar a virada para 2026, apresenta Fernanda Torres em um tom leve e motivacional. Nela, a atriz, vencedora do Oscar em 2025 pelo filme Ainda Estou Aqui, que aborda a resistência à ditadura militar, declara:

    Desculpa, mas eu não quero que você comece 2026 com o pé direito. Não é nada contra a sorte, mas vamos combinar: sorte não depende de você, depende de sorte. O que eu desejo é que você comece o ano novo com os dois pés. Os dois pés na porta, os dois pés na estrada, os dois pés na jaca, os dois pés onde você quiser. Vai com tudo, de corpo e alma, da cabeça aos pés. Havaianas, todo mundo usa, todo mundo ama”.

    Críticos interpretaram a frase como uma provocação ao termo “pé direito”, associado à sorte, mas lido por bolsonaristas como uma alusão política à direita ideológica.

    Na segunda-feira (22/dez), o impacto foi imediato no mercado. As ações preferenciais (ALPA4) da Alpargatas caíram 2,39%, fechando a R$ 11,44, enquanto as ordinárias (ALPA3) recuaram 1,66%, para R$ 10,08.

    Essa desvalorização representou uma perda de aproximadamente R$ 152 milhões no valor de mercado da empresa, segundo cálculos da Elos Ayta Consultoria.

    Outras estimativas, como as reportadas pelo UOL Economia, apontam para uma redução de R$ 200 milhões, destacando o pico de queda de 3,2% durante o pregão e uma recuperação parcial no final do dia.

    Apesar do tombo, as ações vinham de uma alta acumulada de 84% nos últimos 12 meses, partindo de R$ 6,18 em janeiro. A virada veio nesta terça-feira, com as ações disparando e recuperando o terreno perdido.

    Por volta das 16h44, as preferenciais subiam 3,93%, para R$ 11,89, e as ordinárias avançavam 5,56%, a R$ 10,64, alinhando-se aos níveis pré-polêmica.

    Foi registrado um crescimento de 4,6% no valor de mercado, equivalente a R$ 338 milhões, elevando a companhia a R$ 7,683 bilhões – um ganho que supera as perdas da véspera em mais de R$ 177 milhões. Essa resiliência reflete, segundo especialistas, a força da marca Havaianas no mercado global, com foco em expansão internacional que minimiza riscos locais.

    Do outro lado do espectro político, parlamentares de esquerda defenderam a campanha e contra-atacaram o boicote.

    O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) postou fotos usando os chinelos e anunciou compras natalinas da marca; Rogério Correia (PT-MG) ironizou a reação; e a deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) classificou o episódio como uma “guerra ideológica” em temas cotidianos.

    Paralelamente, o jornalista Reinaldo Azevedo ironizou o caso dizendo que foi a uma loja da Havaianas fazer “gesto político”, encontrou o estabelecimento lotado, “com 5 mil pessoas“, e afirmou que “bolsonaristas não emplacam nem boicote a injeção no olho”.

    Analistas como Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, enfatizam no E-Investidor do Estadão, que tais controvérsias são pontuais e não alteram os fundamentos da empresa, citando a ausência de concorrentes diretos fortes e a saturação do mercado brasileiro como fatores protetores.

    Um elemento exclusivo dessa análise é o impacto em rivais, como a Grendene (GRND3), dona da Ipanema, cujas ações caíram 0,19% na segunda-feira em meio a menções de migração de consumidores.

    A Alpargatas optou pelo silêncio oficial sobre a polêmica, sem comunicados à imprensa. O episódio ecoa casos anteriores de boicotes políticos no Brasil, onde ruídos nas redes sociais geram volatilidade imediata, mas raramente efeitos duradouros.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



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    3 comentários em “Ações da Havaianas disparam após bolsonaristas jogarem chinelos no lixo”

    1. REINALDO GONCALVES DA CRUZ

      O bolsonarismo é excumungado, tudo que faz é para prejudicar alguém. As consequências desastrosas recai sobre eles, não aprendem

    2. Achei a propaganda de uma inteligência e sensibilidade sem igual. Não é atoa que a havaianas é um das maiores empresas de calçados do mundo….

    3. LILIANE GORETE OLIVEIRA DOS SANTOS

      Esse povo da direita é doente.tudo pra eles vira ódio,agora pronto.alem de se apropriaram da cor do país e da bandeira Brasileira, agora ate da palavra Direita nao pode tambm ? Mad vão catar comunhões.bando de loucos

    Os comentários estão fechados.

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