Atualização: Este artigo foi refeito. A informação de que Jair Bolsonaro havia sido indiciado neste caso continha erros gerados pelas fontes que a originaram.
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A instituição concluiu o inquérito e apontou que a dupla liderou o esquema ilegal de monitoramento na Agência Brasileira de Inteligência usando o sistema FirstMile para vigiar adversários – Relatório foi enviado ao STF – SAIBA MAIS
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Brasília, 17 de junho de 2025
A PF (Polícia Federal) concluiu as investigações o esquema de espionagem ilegal que funcionou durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) dentro da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), quando o órgão era dirigido pelo deputado federal Alexandre Ramagem (PL-SRJ).
O relatório da instituição policial foi enviado para o SFF (Supremo Tribunal Federal) indicando que o hoje parlamentar, o ex-presidente e seu filho, o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), utilizaram indevidamente as ferramentas da chamada Abin Paralela para monitorar sem autorização adversários políticos, autoridades e jornalistas.
O inquérito aponta que a Abin, sob comando de Ramagem, utilizou o software israelense FirstMile para rastrear a localização de celulares em tempo real, conforme mostrou a CNN Brasil.
O documento da PF informa que “o sistema permitia vigiar alvos sem qualquer respaldo legal”.
Foram indiciados um total de 36 nomes, entre servidores federais e ex-agentes da Agência.
O ministro relator dos casos que envolvem o governo do ex-presidente, está entre os alvos espionados, além do o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, e até mesmo Jean Wyllys, desafeto de Bolsonaro desde a cusparada dada pelo ex-deputado federal, hoje filiado ao PT, durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff.
Como funcionava a Abin Paralela?
A estrutura clandestina, apelidada de Abin Paralela, operava à margem das funções institucionais da Abin. Segundo a PF, o grupo coordenado por Ramagem usava o FirstMile para rastrear adversários e produzir dossiês ilegais, alimentando estratégias políticas do governo Bolsonaro.
“A agência foi aparelhada para atender interesses particulares”, aponta o inquérito, que conecta o esquema a tentativas de desestabilizar o Estado Democrático de Direito.
A investigação revelou que Carlos Bolsonaro teria sugerido alvos para monitoramento, enquanto Ramagem orientava Bolsonaro a atacar a credibilidade das urnas eletrônicas.
Um e-mail de Ramagem, obtido pela PF, continha instruções para “adotar uma postura belicosa” contra o sistema eleitoral, reforçando a ligação com a trama golpista de 2022.
Novas descobertas e conexões com outros casos
A PF também identificou tentativas de obstrução das investigações por parte da atual cúpula da Abin, já no governo Lula (PT).
O ex-secretário de Planejamento, Paulo Maurício Fortunato, foi indiciado por envolvimento no esquema e por tentar atrapalhar as apurações.
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Outros nomes, como o atual diretor Luiz Fernando Corrêa e o corregedor José Fernando Moraes Chuy, também estão na lista de investigados.
Um ponto crucial é a conexão com o caso da “rachadinha” envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Áudios encontrados no computador de Ramagem mostram discussões com Bolsonaro e advogados de Flávio sobre como anular investigações contra o senador.
“Seria necessário instaurar um procedimento administrativo contra auditores da Receita”, sugeriu Ramagem, segundo a PF.
Reações e próximos passos
Ramagem e Carlos negam as acusações. “Não há provas de espionagem ilegal”, afirmou a defesa de Ramagem, enquanto Carlos negou qualquer relação próxima com o ex-diretor da Abin.
Jair Bolsonaro não foi indiciado neste caso. A PF entende que o ex-presidente já tem indiciamento por tentativa de golpe de estado, conforme mostra o UOL.
A Abin atual declarou estar “à disposição das autoridades” e destacou que os fatos ocorreram em gestões passadas.
O relatório agora está com a Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá se apresenta denúncia ao STF.
O sistema FirstMile foi adquirido em 2018 por R$ 5,7 milhões, com indícios de superfaturamento, o que reforça a gravidade do caso.
A Abin Paralela monitorou até servidores do Ibama que atuavam contra garimpeiros na Amazônia. O esquema tinha ramificações internacionais, com troca de informações com agências de inteligência aliadas.












