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A possibilidade de aumento da Selic e a transição ‘tranquila’ no comando do BC prometida por Haddad

    Os EUA devem começar a cortar juros, enquanto o Brasil repercute as argumentações de Galípolo, o provável indicado de Lula para o comando da instituição, que não terá mais Campos Neto em 1º de janeiro de 2025

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    Nos últimos dias têm ganhado força entre instituições financeiras a avaliação de que, em função de falas recentes do diretor de política monetária do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo, consideradas hawkish (duras com a inflação), conforme mostrou o Infomoney, a instituição terá que subir a Selic (taxa de juros média praticada nas operações compromissadas com títulos públicos federais com prazo de um dia útil), em pelo menos 25 pontos-base, mesmo em meio à relativa melhora do cenário externo.

    Os Estados Unidos devem começar a cortar juros em setembro, enquanto o Brasil repercute as argumentações emitidas pelo provável indicado do Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para o comando do Banco Central, que deverá ter seu presidente a ser substituído, Roberto Campos Neto, até o dia 31 de janeiro de 2024.

    Por herança do governo do hoje inelegível ex-presidente Jair Bolsonaro, a autonomia do BC limitou a influência do Executivo sobre as decisões relacionadas à política monetária. Segundo o Presidente Lula e aliados, a manutenção da Selic acima da realidade de crescimento do Brasil impede ainda mais essa evolução. Agora, pela regra, Lula só pode efetuar a troca a partir do terceiro ano de gestão, que será em 1º de janeiro de 2025.

    Os juros altos nos Estados Unidos foram mantidos por causa do mercado de trabalho aquecido e da inflação. No Brasil, a situação é outra porque o governo não tem conseguido aprovar medidas para aumentar as receitas e reduzir os gastos, chamados por Lula de “investimentos”. E as declarações do estadista são levadas em consideração por quem tem dinheiro investido.

    Mas o Brasil tem a dívida e as contas externas controladas e não há motivo para o dólar desvalorizar mais aqui que em outros países emergentes. Isso é especulação e a volatilidade da moeda deve diminuir ainda mais, disse o professor de Economia Política da PUC de São Paulo, Antônio Correa de Lacerda, conforme publicado no Agência Brasil.

    Durante evento da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) em São Paulo, Galípolo disse que “discorda respeitosamente” das interpretações do mercado sobre o BC ter ficado em um “corner“, em referência a uma situação difícil, após recentes falas de diretores, conforme também noticiou a Folha de S. Paulo.

    Ainda assim, ele não conseguiu deixar de causar um susto nos brasileiros – e as mídias do mercado deram corda – ao afirmar que, em sua interpretação, “posição difícil para o BC não é ter que subir juros. Posição difícil é inflação fora da meta, que é uma situação desconfortável. Subir juros é uma situação cotidiana para quem está no BC“.

    Resumindo, o diretor do BC enfatizou a amplitude das ferramentas da autoridade monetária para buscar a meta de inflação. Ele destacou a liberdade para decidir sobre a taxa de juros e a abertura para considerar todas as opções. Galípolo rejeitou a ideia de dissonância com outros dirigentes da instituição e salientou a projeção de inflação acima da meta nos próximos 18 meses.

    Além disso, ele mencionou o desequilíbrio de riscos para a inflação, a dependência de múltiplas variáveis e a preocupação com a desancoragem das expectativas de inflação. Os economistas elevaram a previsão de inflação e da taxa Selic, segundo o boletim Focus.

    Por conta das notícias, um professor da UFPB alardeou no X que, sendo Galípoloo nome de Lula para o BC, é o PT assumidamente neoliberal. É ele quem vai decidir sobre juros, ou seja, um Campos Neto petista“.

    Contudo, repercussão negativa sobre as falas de Galípolo pode estar relacionada à promessa do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como várias mídias mostraram em meados de abril deste ano, sobre uma transição de liderança “civilizada”, “tranquila” e sem causar nenhuma “turbulência” no mercado.

    Isso porque é possível que o governo federal, que sob a sigla do PT sempre tem trabalhado para o povo, tenha entendido que o mercado brasileiro, que é o motivador das matérias das mídias controladas por ele, sempre precisa ser “acalmado“, por conta de quaisquer declarações que possam “mexer” em seus bolsos.

    A presidenta nacional da legenda que Lula ajudou a fundar, Gleisi Hoffmann, por exemplo, sempre cobra calma e menos especulação do mercado financeiro. Em julho, a parlamentar disse que “o mercado especula muito. Contra o povo brasileiro, contra o Brasil“, conforme transcreveu o Brasil de Fato. “Aliás, o mercado deveria se submeter ao voto, quem sabe assim poderia comandar de fato o país“, disse ela.

    Neste sentido, Lula tem sempre reafirmado seu compromisso com o povo brasileiro e também tem buscado tranquilizar membros de sua equipe quanto aos rumos do País, como, por exemplo, em julho passado, quando afirmou, durante discurso em São José dos Campos (SP), que diz “todo dia” para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que “as coisas vão dar certo“.

    A fala ocorreu após o ministro anunciar o congelamento do Orçamento para 2024, em meio noticiosas dificuldades de que o governo não consegue controlar as contas públicas: “Eu vivo um momento político muito especial. Mas, muito especial. Eu digo pra todo mundo, e digo para o Haddad todo dia. Não se preocupe, que as coisas vão dar certo“, transcreveu o g1.

    Eu falo para o Haddad: ‘Haddad, você, de vez em quando, Haddad… Você fica tranquilo. E se tudo der errado, vai dar certo. Isso não é economia, não. É que acredito em outras coisas“, disse Lula, demostrando otimismo com um sem número de investimentos no País.

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