O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, em foto de Fabio Rodrigues Pozzebom, para a Agência Brasil. Ao fundo, um mapa do jornal Estadão, publicado em 2019, mostra pontos de queimada no país | Sobreposição de imagens
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PROGRESSISTAS POR UM BRASIL SOBERANO
O vice-presidente, que assumiu interinamente o posto de Bolsonaro enquanto ele participa do encontro G20, disse que o governo é alvo de críticas internacionais por motivos relacionados a questões políticas, econômicas e ambientais
O vice-presidente Hamilton Mourão, que assumiu interinamente o posto de Presidente do Brasil, enquanto Jair Bolsonaro participa da Cúpula do G20 em Roma – IT, disse a jornalistas, nesta sexta-feira (29), que o governo se tornou alvo de críticas internacionais por motivos relacionados a questões políticas, econômicas e ambientais. Em meio às declarações, o vice-líder do Executivo afirmou que “a maioria que tem realmente uma consciência ambiental maior é de esquerda“.
De acordo com matéria no portal de notícias Poder 360, Mourão, que coordena o Conselho Nacional da Amazônia Legal, argumentou que Bolsonaro seria alvo de críticas na COP26 (Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas), cujo encontro ocorrerá sem sua participação “por motivo de agenda”, conforme informado pela Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social).
A declaração completa do gerenal, transcrita do portal, diz:
“É aquela história: sabe que o presidente Bolsonaro sofre uma série de críticas. Então, ele vai chegar em um lugar em que todo mundo vai jogar pedra nele. Então, está uma equipe robusta lá com capacidade para, vamos dizer, levar adiante a estratégia de negociação”.
“A gente sofre críticas, já falei, por 3 fatores. Eu sempre repito que existe a questão política, o nosso governo é de direita, a maioria das pessoas que tem realmente uma consciência ambiental maior é de esquerda, então há crítica política embutida nisso aí”.
“Tem a questão econômica. Sempre uma busca de uma barreira em relação à pujança do nosso agronegócio, querendo dizer que ele provém de área desmatada da Amazônia, o que não é uma realidade. E, óbvio, a questão ambiental embutida”.
COP26
Representantes de quase 200 países estarão em Glasgow, na Escócia, para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, conhecida como COP26, que começa neste domingo (31), em evento que está sendo considerado chave para reforçar o combate ao aquecimento global e proteger o planeta, após o senso de urgência revelado pelos mais recentes relatórios emitidos pela comunidade científica, uma vez que os compromissos dos países ainda são insuficientes para manter o Acordo de Paris, quando praticamente todos os países do mundo concordaram, durante a COP21, em 2015, em assinar o tratado para manter o aquecimento global “bem abaixo” dos 2ºC até o fim do século – ou preferencialmente em 1,5º –, em relação ao período pré-industrial, com metas mais ambiciosas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, e o consenso de que o problema não pode ser mais adiado.
“A crise climática é um alerta vermelho para a humanidade. Os sinais de alerta não passam desapercebidos: em todos os lugares as temperaturas estão aumentando; a biodiversidade está alcançando novas baixas; os oceanos estão se acidificando e sufocando com lixo plástico“, diz o Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, em artigo de opinião às vésperas da Conferência da ONU sobre Mudança Climática. Leia a continuação da transcrição completa após o vídeo abaixo:
“O aumento das temperaturas transformará vastas áreas do nosso planeta em zonas mortas para a humanidade até o fim do século.
E a respeitada publicação médica The Lancet acaba de descrever a mudança climática como a “narrativa definidora da saúde humana” nos próximos anos – uma crise definida pela fome generalizada, doenças respiratórias, desastres mortais e surtos de doenças infecciosas que podem ser piores do que a COVID-19.
Apesar destes alarmes assustadores, vemos novas evidências nos últimos relatórios da ONU de que as ações de governos simplesmente não ajudam no que é desesperadamente necessário.
Anúncios recentes para ação climática são bem-vindos e cruciais – mas, mesmo assim, nosso mundo está na rota para que a temperatura global calamitosamente aumente acima de dois graus Celsius.
Esta é uma súplica distante do objetivo de 1,5 grau Celsius com o qual o mundo se comprometeu no Acordo de Paris – uma meta que a ciência nos avisa ser o único caminho sustentável para nosso mundo.
Este objetivo é completamente alcançável. Se pudermos reduzir as emissões de carbono em 45%, se comparado aos níveis de 2010 nesta década. Se pudermos alcançar a neutralidade de carbono até 2050. E se os líderes mundiais chegarem em Glasgow com objetivos corajosos, ambiciosos e comprováveis em 2030 e políticas novas e concretas para reverter este desastre.
Mas todos os países precisam perceber que o antigo modelo de desenvolvimento de queima de carbono é uma sentença de morte para suas economias e para o nosso planeta.
Precisamos descarbonizar agora, em cada setor de economia e em cada país. Precisamos trocar os subsídios dos combustíveis fósseis por energia renovável e taxar a poluição e não as pessoas. Precisamos colocar um preço no carbono e direcioná-lo de volta para empregos e infraestruturas resilientes.
E precisamos eliminar carbono – até 2030, nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, e até 2040 para todos os demais. Um maior número de governos tem se comprometido a parar de financiar o carbono – e financiadores privados devem fazer o mesmo, urgentemente.
Com razão, as pessoas esperam dos governos que as lideram. Mas todos temos a responsabilidade de garantir nosso futuro coletivo.
Empresas devem reduzir seu impacto climático e alinhar, de maneira completa e crível, suas operações e fluxos financeiros a um futuro de carbono zero. Sem maiores desculpas, sem mais greenwashing.
Investidores – públicos e privados – precisam fazer o mesmo. Eles devem se unir, como pioneiros de uma aliança proprietária de recursos de carbono zero, e o próprio Fundo de Pensão da ONU, que em 2021 atingirá os objetivos de investimento de redução de carbono, antes do tempo previsto e acima da meta, com redução de 32% neste ano.
Indivíduos em todas as sociedades precisam fazer escolhas melhores e mais responsáveis sobre o que comem, como viajam e o que compram.
E os jovens – e ativistas climáticos – precisam continuar a fazer o que estão fazendo: demandando ação de seus líderes e os responsabilizando por isso.
Acima de tudo, precisamos de solidariedade global para ajudar os países a fazer esta transição. Os países em desenvolvimento estão lutando com crises de dívida e liquidez. Eles precisam de apoio.
Bancos públicos e multilaterais de desenvolvimento precisam aumentar significativamente seus portifólios de clima e intensificar seus esforços para ajudar os países na transição para economias resilientes e de emissão zero. O mundo desenvolvido precisa urgentemente chegar ao comprometimento de pelo menos 100 bilhões de dólares de financiamento climático anual para os países em desenvolvimento.
Doadores e bancos de desenvolvimento multilaterais devem alocar pelo menos metade do financiamento climático para adaptação e resiliência.
As Nações Unidas foram fundadas há 76 anos para construir consenso para ação contra as grandes ameaças que a humanidade enfrentava. Mas raramente enfrentamos uma crise como esta – uma verdadeira crise existencial – que, se não for enfrentada, ameaça não apenas a nós, mas as gerações futuras.
Só há um caminho à frente. Um futuro com 1,5 grau Celsius é o único futuro viável para a humanidade.
Os líderes precisam seguir com o trabalho em Glasgow, antes que seja tarde demais“.
