‘A Globo assessorava a Lava Jato’, diz Reinaldo Azevedo que comenta pacotes de dinheiro de Messer

16/08/2020 0 Por Redação Urbs Magna
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“A imprensa repete ‘bovinamente’ tudo o que a operação diz”, publicou o jornalista referindo-se a um suposto acordo entre a emissora e a operação

Com matéria intitulada “Os donos da Globo na lista de Messer: no Estado policial, não há inocentes”, Reinaldo Azevedo diz, nem tão implicitamente, que a rede Globo assessorava a operação Lava Jato. O jornalista demonstra acreditar que a emissora recebeu mesmo dinheiro de Dario Messer, o ‘doleiro dos doleiros’, como este afirmou em delação premiada, a qual foi revelada por publicação na revista Veja, na semana que se encerrou.

Tornou-se público que o doleiro afirmou, segundo esta mídia, que os negócios com a emissora tiveram início na década de 90. Messer relatou que iniciou-os por intermédio de Celso Barizon, suposto gerente da conta da família no banco Safra de Nova York, e que, nos anos seguintes, entregava pacotes de dinheiro dentro da própria sede da Rede Globo, no Rio de Janeiro, para um funcionário identificado como José Aleixo, que os repassava para os irmãos João Roberto Marinho e Roberto Irineu.

As quantias mencionadas na delação variavam de US$ 50 mil a US$ 300 mil e os valores eram entregues na frequência de duas a três vezes por mês. Todos os fatos da delação são lembrados pelo colunista do UOL em sua matéria deste domingo (16), mas quanto à notícia de que o ‘doleiro dos doleiros’ irá devolver R$ 1 bilhão aos cofres públicos Reinaldo Azevedo afirma que isso é mentira.

A justiça avalia que Dario Messer seja dono desse valor que está distribuído em patrimônios no Brasil e no Paraguai, sendo a maior parte neste último país, mas bloqueados nos dois porque, quando condenado, o doleiro certamente teve os bens sequestrados e estava “sem nada”, como frizou Azevedo, antes de afirmar que a “a imprensa brasileira[fazia] o trabalho de assessoria para a operaçãoa Lava Jato, [que deu a Messer] de presente, em troca de uma lista de pessoas e empresas para as quais operava, uma bolada de R$ 50 milhões“.

A Lava Jato precisava de um golpe publicitário (…) então sua delação caiu como uma luva (…) essa deve ter sido a fake news mais valorizada do século no Brasil. E por que a imprensa repete bovinamente o que diz a Lava Jato? “Ah, porque eles combatem a corrupção! Devem ser pessoas boas”. Então tá“.

Logo os sites noticiosos foram inundados com a notícia daquela que seria a maior delação da Terra. Tudo papo-furado. Os bens de Messer que estão no Brasil já se encontram sob a guarda do Estado. E os que estão no Paraguai ainda teriam de ser vendidos, convertidos em dinheiro, e só então os valores CHEGARIAM ao Brasil. CHEGARIAM, mas não vão chegar. O governo paraguaio já avisou que os bens que lá se encontram, ou seu valor correspondente, lá ficarão — ao menos parte considerável.

Sendo assim, inexiste “delação de R$ 1 bilhão” porque: ninguém pode dar aquilo que não tem; a Lava Jato ainda não é um Tribunal Internacional, com jurisdição em todo o planeta, para decidir como devem se comportar os respectivos governos e judiciários dos países mundo afora. Essa deve ter sido a fake news mais valorizada do século no Brasil. E por que a imprensa repete bovinamente o que diz a Lava Jato? “Ah, porque eles combatem a corrupção! Devem ser pessoas boas”. Então tá”.

Esse é o modelo consagrado pela Lava Jato, que tem no ex-juiz Sergio Moro — que costuma aparecer na Globo pontificando sobre o bem, o belo e o justo — o seu símbolo maior. Ou estou contando alguma novidade?

DE VOLTA À GLOBO – O Jornal Nacional noticiou a acusação feita por Messer. Coisa curta, seca, acompanhada da seguinte nota: “A respeito de notícias divulgadas sobre a delação de Dario Messer, vimos esclarecer que Roberto Irineu Marinho e João Roberto Marinho não têm nem nunca tiveram contas não declaradas às autoridades brasileiras no exterior. Da mesma maneira, nunca realizaram operações de câmbio não declaradas às autoridades brasileiras.”

Antes de ser lida a nota, apontou o JN: “A revista [Veja] destaca que o doleiro não apresentou provas do que afirmou e que admitiu nunca ter se encontrado com qualquer integrante da família Marinho”.

Pois é, pois é… Então é chegada a hora de falar sobre critérios, não é mesmo?

AOS CRITÉRIOS – Começo informando que Messer não entregou prova contra ninguém da tal lista que, na prática, foi comprada pela Lava Jato por R$ 50 milhões com o propósito de gerar estardalhaço na imprensa — inclusive, como foi o caso, nos veículos do grupo Globo.

Tenho uma outra questão relevante: Messer não é o primeiro delator a não entregar provas. No mais das vezes, delações são aceitas, e as tais provas, depois, são fabricadas em espetaculosos mandados de busca e apreensão, acompanhadas de prisão temporária ou de prisão preventiva. Todo mundo sabe como são feitas as salsichas.

Esse é o modelo consagrado pela Lava Jato, que tem no ex-juiz Sergio Moro — que costuma aparecer na Globo pontificando sobre o bem, o belo e o justo — o seu símbolo maior. Ou estou contando alguma novidade?

“…quem flerta com o Estado policial e com práticas policialescas em nome do bem maior (…) acaba entrando na fila da guilhotina

Uma boa questão: se o que Messer disse sobre os Marinhos é mentira, por que teria dito a verdade sobre os outros? Se disse a verdade sobre os outros, por que teria mentido apenas sobre os Marinhos?

A Lava Jato-RJ só comprou a lista de Messer porque pretende pintar e bordar, certo? Parece que a abordagem noticiosa do grupo se obriga a passar por uma torção nada ligeira. Ou os santos procuradores continuarão a ser tratados como guerreiros contra a corrupção, sempre inspirados em seu juiz?

EU? ACUSANDO? – Eu acusando este ou aquele? Não mesmo! Sou aquele que não acredita em delação de gente que fica muito tempo presa ou que está sujeita a uma espécie de chantagem. Querem saber? Tendo a não acreditar na “Lista de Messer”. Na sua totalidade. Ficará difícil para o Grupo Globo continuar a endossar os métodos da Lava Jato, exceto quando atingem os “donos da firma”.

Para pensar: todas as delações são gravadas. Certamente a emissora não exibirá com exclusividade o vídeo em que o doleiro faz acusações à família. Não será considerado de interesse jornalístico. Em sua busca por protagonismo, a Lava Jato atinge a sua principal aliada. De resto, uma lição começa a se desenhar: quem flerta com o Estado policial e com práticas policialescas em nome do bem maior — o combate à corrupção ou a pureza divina, tanto faz — acaba entrando na fila da guilhotina.

Quando menos da guilhotina de reputações. Hora de rever os critérios do jornalismo, das delações e das homologações. No Estado policial, não existem inocentes. Só culpados de ocasião

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