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‘A FAB atendeu nosso pedido’, diz Camila Jara (PT-MS): ‘O KC-390 começou a operar nas queimadas do Pantanal’ (vídeo)

    “Com capacidade para 12 mil litros d’agua“, a aeronave “será crucial para conter o fogo em meio à seca extrema que deve continuar ao longo do mês“, afirmou a parlamentar – ASSISTA E SAIBA MAIS

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    “A FAB atendeu nosso pedido. O KC-390, maior avião produzido na América Latina, começou a operar no combate às queimadas do Pantanal“, afirmou, em sua conta no X, a deputada federal Camila Jara (PT–MS), no início da tarde deste sábado (29/6).

    Há exatos 7 dias, Camila Jara informou, na mesma plataforma, que protocolou “ofício à FAB urgindo apoio no combate às devastadoras queimadas no Pantanal“. Na postagem de sábado passado, em que pediu “ação imediata” por considerar “crucial para proteger nossa biodiversidade e comunidades locais“, a parlamentar disse a seus seguidores que a “área destruída já chega a quase 4 vezes a [área] da cidade de São Paulo“.

    Camila Jara esteve com as ministras Simone Tebet ( Planejamento e Orçamento) e Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima), na sexta-feira (28/6), em Corumbá, “para avaliar a destruição causada pelo fogo no Pantanal e propor ações, medidas e soluções para amenizar os impactos e prevenir novos casos“, conforme ela afirmou em outra mensagem, ontem.

    “Com capacidade para 12 mil litros d’agua” o KC-30 “será crucial para conter o fogo em meio à seca extrema que deve continuar ao longo do mês“, afirmou na mensagem em que compartilhou imagens da aeronave.

    Veja abaixo e leia mais a seguir:


    A aeronave KC-390 Millennium, com 12 mil litros de água para combater os incêndios no Pantanal, decolou às 11h20 deste sábado (29/6) para a região, disse a FAB (Força Aérea Brasileira). Na sexta (28/6), o avião operado pelo Esquadrão Zeus, sediado na Base Aérea de Anápolis, em Goiânia, transportou de Corumbá (MS) também cerca de 12 mil litros de água, no primeiro voo real de combate ao fogo realizado pela FAB com o cargueiro multimissão. A água foi lançada em um dos focos de incêndio identificados pelo Corpo de Bombeiros do Mato Grosso do Sul, disse o g1.

    Segundo o texto, estavam previstos para este sábado três voos de aproximadamente 35 minutos para o lançamento de 12 mil litros de água cada um. Para aumentar o efeito no combate ao fogo, um produto químico denominado retardante é adicionado à água lançada pelas aeronaves na região.

    Diversos órgãos e agências atuam em conjunto na ação de combate ao incêndio no Pantanal. O Corpo de Bombeiros estadual, por exemplo, alimenta duas piscinas que ficam no Aeroporto Internacional de Corumbá e identifica os principais focos de incêndio para que a atuação das aeronaves seja a mais efetiva possível.

    Porque o Pantanal está pegando fogo novamente

    Os incêndios no Pantanal consumiram mais de 61 mil hectares do bioma, desde o início da semana, disse o Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa-UFRJ), conforme mostrou a Agência Brasil. E no período de 1º de janeiro até a quinta (27/6), o fogo consumiu mais de 688 mil hectares do bioma.

    Segundo a coordenadora do laboratório Lasa, Renata Libonati, apesar das condições adversas configuradas pelos efeitos da mudança climática, o incêndio só ocorre se houver alguma ignição e, após análise técnica, foi constatado que entre maio e junho não houve ocorrência de raios para a região. Pela análise da equipe, as causas das queimadas que consomem atualmente o Pantanal são de origem humana. “Mesmo havendo proibição do uso do fogo em qualquer circunstância, os incêndios continuam acontecendo”, afirmou ao portal.

    De acordo com a pesquisadora, seca extrema, temperaturas acima do normal e vegetação predisposta a incêndios dificultam o trabalho de contenção do fogo, mesmo com as temperaturas mais amenas nos últimos dias. “os indicadores de dificuldade de se controlar o fogo que refletem as condições climáticas são os mais altos já registrado desde pelo menos 2003”, disse. O Ministério Público Estadual informou que foram identificados 18 pontos de ignição em 14 locais de 12 propriedades privadas, disse o promotor de Justiça do Núcleo Ambiental, Luciano Furtado Loubet.

    Ele explicou que o trabalho é feito em parceria com as forças militares do estado, tanto na investigação e responsabilização administrativa e criminal pela Polícia Militar Ambiental, quanto nas atividades de prevenção. “A gente identifica as propriedades prioritárias, os Bombeiros visitam, notificam eles para que eles façam aceiro, para que treinem brigadistas, para que se inscrevam no Pantanal em Alerta, que é um sistema que nós temos. e de hora em hora manda informações sobre focos de calor para o proprietário”.

    Em visita ao município de Corumbá, onde há maior incidência de fogo, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, fez um apelo para que não haja mais manejo de fogo na região. “Se não pararmos de colocar fogo não tem quem consiga dar conta dessa junção perversa de El Niño que se juntou com La Nina, não tivemos sequer um interstício; mudança do clima; escassez hídrica severa, porque o Pantanal não tem mais atingido a cota de cheia,” explicou.

    A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, que também compôs a comitiva do governo federal em Mato Grosso do Sul, destacou que haverá todo o empenho necessário de recursos para que o fogo na região seja contido, mesmo que seja necessário orçamento extraordinário. “Orçamento não vai faltar, mas nenhum orçamento do Brasil e de organismos internacionais vai ser suficiente se nós não tivermos uma campanha de conscientização e de responsabilização para os incêndios criminosos no Pantanal e em todos os biomas brasileiros”, reforçou.

    O enfrentamento aos incêndios no Pantanal conta com a atuação de 280 pessoas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (Icmbio), 250 militares das Forças Armadas e 40 gentes da Força Nacional de Segurança Pública. Foram disponibilizados 6 helicópteros, 2 aviões – sendo um deles o KC-390 Millennium – e embarcações, cedidas pelo Ministério da Defesa, quatro aeronaves Air Tractor do Ibama e 27 viaturas do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

    Outros 169 homens do Corpo de Bombeiro Militar de Mato Grosso do Sul atuam na força-tarefa, com dois helicópteros da Coordenadoria Geral de Policiamento Aéreo e outra aeronave Air Tractor do estado. “A mão humana pode fazer muita coisa boa como estamos fazendo aqui, mas pode fazer também muitas coisas indesejáveis que é queimar um bioma único como é o caso do Pantanal”, enfatizou Marina Silva, ao falar da efetividade da soma de esforços dos governos federal e estadual, que possibilitou resposta imediata à antecipação do período de queimadas no Pantanal.

    O Ministério da Defesa também se somou à força-tarefa, com a instalação de um Comando Operacional Conjunto Pantanal II, que será liderado pelo general do Exército Luiz Fernando Estorrilho Baganha. A base será no 6º Distrito Naval, no município de Ladário, e atuará integrado com a Polícia Federal e com a Polícia Militar Ambiental.

    “Nosso foco principal são áreas de interesse da União. Há áreas indígenas, terreno de Marinha, áreas militarizadas, terras devolutas. Então, nosso primeiro foco são essas áreas, mas sem prejuízo de auxiliar o estado do Mato Grosso do Sul naquilo que se refere às áreas particulares”, informou o superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, delegado Carlos Henrique Cotta D’Ângelo.

    Camila Jara protocolou projeto de Lei de proteção do Pantanal

    Por Camila Jara
    Presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Pantanal

    A proteção e o uso sustentável dos recursos do Pantanal estarão garantidos em Lei Federal. O projeto que cria dispositivos legais inéditos, como proteção às queimadas, investimentos em turismo de base comunitária, desenvolvimento de pesquisas e geração de renda foi protocolado ontem (12)  na Câmara Federal pela deputada Camila Jara.

    A presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Pantanal apresentou no PL 2334/2024 o resultado do debate construído com a sociedade civil por meio das seis entidades –  Instituto GAIA, IHP, SOS Pantanal, WWF Brasil, Observatório Pantanal e Environmental and Justice Foundation – que compõem o órgão na Câmara dos Deputados.

    “O povo de Mato Grosso do Sul aprende desde pequeno sobre o Pantanal. Mas desconhece os riscos que o bioma sofre e como podem impactar a nossa vida já nos próximos anos. A maior planície alagável do mundo não tinha nem sequer uma lei federal para garantir seu futuro. Os efeitos das mudanças climáticas já estão sendo sentidos recentemente com as ondas de calor e perda de produção agrícola, mas deve se intensificar a ampliar a pobreza, a fome e os conflitos. Nosso objetivo é contribuir para reduzir essas desigualdades com a lei federal do Pantanal que vai garantir a conservação e o uso sustentável para garantia de renda e do modo de vida das populações que vivem lá — e, ao mesmo tempo, reduzir os impactos das mudanças climáticas para quem vive nas cidades”, detalhou a deputada federal Camila Jara.

    Inovações na Lei do Pantanal asseguram uso sustentável e proteção 

    Uso consciente
    O Ministério do Meio Ambiente alerta que apenas 4,68% do Pantanal encontra-se protegido, por meio de 29 Unidades de Conservação (UC), das quais 6 correspondem à categoria de proteção integral e 23 de uso sustentável.

    A comparação com a Amazônia evidencia a disparidade. Ao todo, 381 UCs cobrem 28,5% da área do bioma. Sozinha, a Amazônia representa 12,94% do total de UCs, sendo o bioma com maior quantidade de Unidades de Conservação no Brasil.

    A lei federal do pantanal pretende corrigir esse problema histórico ao propor a ampliação das UC para atingir o Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal que estabeleceu a meta de conservação de 30% para o ambiente terrestre;

    Previstas pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação, esse modelo foi desenvolvido no Brasil e hoje é referência mundial para desenvolvimento local, pesquisas científicas e melhoria da qualidade de vida das populações tradicionais enquanto protege a biodiversidade local.

    Queimadas
    No primeiro semestre de 2024 aumentaram 1025% e a temporada de fogo no bioma já está 29% maior que o recorde de 2020. No estado da parlamentar, onde está 65% do Pantanal, foram registrados 698 focos entre janeiro e junho de 2024.

    Durante o forte episódio de seca provocado pelo intenso El Niño de 2023, o Pantanal enfrentou uma onda recorde de incêndios florestais. Nos primeiros 20 dias de novembro, o bioma registrou 3.957 focos de calor, um número cerca de nove vezes maior do que a média para o mês nos últimos 25 anos, que era de 442 focos, segundo o Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). A situação levou os governos do MS e do MT a decretarem situação de emergência ambiental.

    A coordenação de ações em conjunto para controlar o fogo prevista no plano de manejo do fogo nos pantanais, capítulo XII da lei federal. O plano será elaborado de forma participativa pelos órgãos governamentais, sociedade civil, comunidades locais e demais interessados.

    “O Manejo Integrado do Fogo é uma das principais ferramentas para enfrentarmos, à altura, o desafio dos incêndios florestais. Se não trabalharmos no manejo, na abertura dos aceiros, das queimadas controladas, acesso aos pontos de água; se não planejarmos o território para enfrentar a época de seca para os incêndios florestais, continuaremos correndo atrás do prejuízo e combater o fogo: queimando dinheiro e com baixíssima efetividade.”, Gustavo Figueiroa, Diretor de Comunicação e Engajamento do Instituto SOS Pantanal.

    Turismo & renda
    O caráter educativo, empreendedor e de preservação do patrimônio cultural do turismo também estará entre as inovações da lei do pantanal. Apesar de haver iniciativas empresariais consagradas na região, a ausência de políticas públicas e de legislação têm dificultado os investimentos no Pantanal.

    O Turismo Sustentável visa conciliar as demandas dos turistas e das comunidades anfitriãs, garantindo a proteção e a expansão das oportunidades para o futuro.

    A promoção do turismo sustentável implica na gestão integral de todos os recursos envolvidos na atividade turística, de modo a satisfazer as necessidades econômicas, sociais e ambientais, sem comprometer a preservação da integridade cultural, dos processos ecológicos fundamentais, da diversidade biológica e dos sistemas que sustentam a vida.

    Para ampliar a geração de renda e o empreendedorismo responsável, a lei cria ainda o Selo de Sustentabilidade do Pantanal, com o objetivo de reconhecer e premiar indivíduos e organizações que contribuem para atividades e produtos sustentáveis originários do bioma Pantanal.

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