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“A direita, a Faria Lima, os bancos, eles têm uma espécie de povofobia”, diz Boulos

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    Ministro da
    Ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, durante entrevista à EBC | Imagem reprodução


    Orientação de Lula é governar para todos, mas com prioridade absoluta para o povo mais pobre do Brasil – Como a Presidência, sob a liderança do ministro da Secretaria Geral, planeja transformar a mobilização social em políticas públicas para a justiça climática



    Brasília, 15 de novembro 2025

    A realização da COP 30 em Belém, no coração da Amazônia, representa um marco de profundo significado global, deslocando o epicentro do debate climático para uma das regiões mais vitais para o equilíbrio do planeta.

    Em meio a negociações complexas, a estratégia brasileira se destaca por um pilar central: a participação social.

    Em entrevista à EBC, o ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, revelou a arquitetura de uma ambiciosa estratégia dupla: utilizar a mobilização popular como uma ferramenta de política externa para pressionar por resultados na conferência e, simultaneamente, como um modelo de governança doméstica para implementar a justiça climática no território.

    Na visão do ministro, a voz do povo não é apenas um elemento simbólico, mas uma força motriz para a ação climática efetiva. Ele sinaliza a intenção de transformar a COP 30 na conferência com o mais influente engajamento popular da história.

    Anatomia de uma Mobilização Histórica:
    Os Números e Espaços da Sociedade Civil

    A importância estratégica da participação social na COP 30 vai além do simbolismo; ela se traduz em números e espaços que conferem legitimidade e peso político às discussões.

    Segundo o ministro Guilherme Boulos, esta será uma das conferências com maior engajamento popular da história, um feito notável para um evento sediado no coração da floresta.

    Essa presença massiva de jovens, povos indígenas, quilombolas, ambientalistas e movimentos sociais é fundamental para garantir que as vozes daqueles na linha de frente da crise climática influenciem as decisões dos líderes globais.

    A estrutura de participação foi desenhada para ser ampla e diversificada, ocupando diferentes arenas da conferência.

    Os principais espaços e eventos de participação mencionados pelo ministro:

    • Zona Azul: O espaço oficial das negociações diplomáticas testemunha uma participação recorde da sociedade civil. Boulos destaca a presença de quase 10.000 pessoas credenciadas, das quais 1.200 são do Brasil, um número que evidencia o engajamento nacional e a pressão direta sobre os tomadores de decisão.

    • Zona Verde: Apresentada como uma inovação brasileira, esta área funciona como um grande fórum aberto para a sociedade civil. O espaço sedia painéis de debate, encontros e uma feira de economia solidária com produtos indígenas, organizada em parte pela Secretaria-Geral da Presidência, e pode se tornar um legado para futuras COPs.

    • Eventos Chave da Sociedade Civil: Paralelamente, uma série de eventos autônomos amplifica a voz popular. Destacam-se a Plenária Mundial da Juventude, a Aldeia COP, que consolida a maior participação indígena da história do evento, e a Cúpula dos Povos, com expectativa de 15.000 participantes, que culminará em uma marcha e uma barqueata para demonstrar a força da mobilização.

    Essa impressionante dimensão quantitativa não é um fim em si mesma, mas uma ferramenta política para pressionar por mudanças reais e enfrentar os interesses que se opõem a uma agenda climática ambiciosa.

    O Confronto de Interesses:
    Participação Popular como Ferramenta de Pressão

    A análise das declarações de Guilherme Boulos revela que a mobilização social é um componente central em um cenário que ele descreve não como um consenso, mas como um campo de disputa.

    Para o ministro, enquadrar a COP como um confronto é uma estratégia política deliberada para energizar a base e deixar claro que a conferência é um palco de embate direto contra poderosos interesses econômicos e políticos.

    A presença massiva do povo serve como um contrapeso fundamental para pressionar por ações concretas e evitar que o evento se resuma a discursos vazios.

    O ministro foi explícito ao identificar os adversários da agenda climática, argumentando que a sociedade precisa se posicionar para enfrentá-los:

    • Interesses Corporativos: As grandes corporações de petróleo que resistem a abandonar o modelo baseado em combustíveis fósseis.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.

    • Modelo Predatório do Agronegócio: A expansão da fronteira agrícola que, em seu modelo predatório, devasta a floresta através de queimadas e desmatamento.

    • Atividades Ilegais: A atuação de madeireiros e garimpeiros ilegais, bem como a mineração predatória, que destroem ecossistemas.

    • Líderes Globais Céticos: Boulos citou o exemplo de Donald Trump, que, ao assumir o governo, retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris para servir aos interesses das petroleiras e da produção de xisto, ilustrando a necessidade de pressão popular contínua para manter os compromissos firmados.

    Nesse contexto, Boulos afirma que a posição do governo brasileiro, ecoando o discurso do Presidente Lula, é clara: o Brasil e a sociedade estão tomando um lado nesse confronto.

    A partir desse posicionamento global, a estratégia se desdobra para a implementação de políticas no âmbito nacional, tarefa que cabe à Secretaria-Geral da Presidência.

    Pós-COP:
    Institucionalizando a Participação para Garantir a Ação

    O verdadeiro desafio de qualquer conferência climática é traduzir compromissos em políticas públicas duradouras.

    Secretaria-Geral da Presidência assume a responsabilidade de garantir que a energia da COP 30 se transforme em um processo contínuo de participação.

    A estratégia é institucionalizar os canais de diálogo para que a sociedade civil continue a influenciar e monitorar a agenda climática, em um claro esforço de reconstrução da infraestrutura democrática do país.

    O plano de ação se concentra na Secretaria de Participação Social, chefiada pela secretária Isadora, com a missão de levar as metas da COP para a pauta dos conselhos de participação em todo o Brasil.

    Essa abordagem contrasta com a do governo anterior, que, segundo a crítica de Boulosdevastou as estruturas participativas.

    O ministro analisa que certos setores políticos demonstram uma povofobia, um medo da participação popular nas decisões.

    De acordo com ele, “A direita, a Faria Lima, os bancos, eles têm uma espécie de povofobia“.

    Para o governo Lula, a democracia transcende o ato de votar; é um processo permanente. Conforme articulado por Boulosdemocracia não é só depositar seu voto e ouvir o trilhilim da urna. A missão do ministro ganha, então, uma dimensão territorial como o antídoto prático para essa fobia: botar o governo na rua.

    “Botar o Governo na Rua”:
    A Estratégia para uma Justiça Climática Territorializada

    A missão de Guilherme Boulos de botar o governo na rua materializa a prioridade do governo Lula de reconectar o Estado com a população, especialmente em territórios historicamente invisibilizados.

    Essa estratégia representa a fusão da agenda social com a de justiça climática, partindo do princípio de que ambas são indissociáveis. A ideia é levar os serviços federais diretamente aonde o povo está, superando barreiras burocráticas e geográficas.

    Boulos argumenta que, embora as mudanças climáticas afetem a todos, seu impacto é desproporcional.

    Ele utiliza uma analogia poderosa: o calor afeta a todos, mas quem tem ar condicionado sofre menos; a chuva afeta a todos, mas quem mora em área de risco pode perder a casa e a vida.

    A conclusão é direta: as mudanças climáticas pegam justamente aqueles que estão mais vulneráveis.

    A iniciativa levará um mutirão de serviços às periferias e favelas, com exemplos concretos de ação:

    • Reforma Casa Brasil: Oferecer recursos para que famílias possam reformar suas casas para fazer um puxadinho, fazer um banheiro, botar uma laje, melhorar a hidráulica, elétrica.

    • Prev Móvel: Unidades móveis para facilitar o acesso de quem precisa de benefícios como aposentadorias ou o BPC.

    • CAD Único: Ações para agilizar a inscrição e atualização no Cadastro Único, tirando as pessoas de meses de espera nas filas.

    • Carreta do “Aqui tem especialistas”: Levar atendimento médico especializado a comunidades onde muitos nunca foram atendidos por um médico especialista.

    Essa ação, em colaboração com o Ministério das Cidades e sua Secretaria de Periferias, foca em eixos prioritários para a adaptação climática: urbanização de favelas, regularização fundiária e intervenção em áreas de risco.

    Programas sociais como esses são, na prática, políticas de resiliência climática, fortalecendo as condições de vida das populações mais expostas aos eventos extremos.

    Da Mobilização Global à Ação Local

    A análise da entrevista do ministro Guilherme Boulos revela a arquitetura de uma estratégia governamental coesa.

    A massiva participação popular na COP 30 não é tratada como um evento isolado, mas como o ponto de partida para uma política de Estado que integra a mobilização social tanto à pressão diplomática externa quanto à formulação de políticas domésticas.

    A conferência em Belém serve como catalisador para uma visão onde a urgência climática é enfrentada com os princípios da justiça social.

    Para o governo Lula, a resposta à crise climática é inseparável da luta contra a desigualdade. A implementação dessa visão, como afirma Boulos, se dará na rua, em um esforço contínuo para levar o governo federal aos territórios mais vulneráveis.

    A orientação presidencial citada pelo ministro sintetiza essa missão: governar para todos, mas com prioridade absoluta para o povo mais pobre do Brasil.

    COP 30 marca, assim, o início de um capítulo onde a voz da sociedade não apenas ecoa globalmente, mas orienta a ação local.



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