Com base nas postagens no ‘The Intercept’ sobre as conversas privadas entre Moro, Dalagnol e outras figuras ilustres da Lava Jato, relaciono as matérias publicadas e as reações do Ministro, que parece se desesperar e caminhar sem muita inteligência, ao tentar combater as denúncias das publicações, no mesmo sentido que o material revelado
Sempre soubemos (falo dos conscienciosos progressistas que possuem o ideal de igualdade e fraternidade) que as atitudes de Sergio Moro, reveladas agora por Glenn Greenwald em seu The Intercept Brasil, jamais foram as de um herói que combate a corrupção em busca de uma espécie de reforma política, mas sempre atenderam a interesses do establishment
Veja a incoerência:
Embora Moro tenha afirmado que as conversas não tinham “nada de mais” (leia aqui), ficou preocupado com a possibilidade dos celulares dos envolvidos terem sido hackeados.
O hackeamento teria se dado através do Telegram, aplicativo que já chegou a oferecer o valor de mais de 1 milhão de reais pra qualquer um que conseguisse quebrar sua criptografia (leia aqui).
Vale lembrar que o Telegram já havia sido banido da Rússia por se negar a repassar dados ao governo russo, o que mostra que sua criptografia é complexa demais até mesmo para o serviço secreto de Putin (leia aqui).
Apesar da preocupação, nenhum dos envolvidos nas conversas vazadas topou entregar seus celulares à Polícia Federal, o que não apenas ajudaria a rastrear o hacker como também poderia mostrar que as mensagens expostas haviam sido forjadas (leia aqui).
A certa altura, chegou-se à conclusão de que o culpado pelos vazamentos era o hacker mais procurado do mundo, o russo Evgeniy Mikhailovich Bogachev, também conhecido como Slavic, e que ele teria recebido US$308 mil em bitcoins do Glenn Greenwald pelo serviço (leia aqui).
Porém, ontem, mesmo sem a cooperação das pessoas que tiveram seus celulares hackeados, a PF descobriu que o hacker não era russo, mas morava em Araraquara (leia aqui).
Conhecido como Vermelho (vermelho = comunista, entenderam?), o hacker de Araraquara passou os últimos 8 anos inativo no Twitter, até que, pouco depois de começarem as matérias do Intercept, ele convenientemente voltou a twittar uma série de mensagens em apoio ao trabalho de Greenwald (leia aqui).
Além de ser o hacker menos precavido da História – seus perfis digitais possuem todas as informações que a PF precisaria pra apanhá-lo – Vermelho – que é filiado ao DEM, partido aliado do governo Bolsonaro (leia aqui) – não apenas confessou imediatamente os crimes, como também revelou que as mensagens foram forjadas. Ou seja, o cidadão teve todo o trabalho pra quebrar a criptografia do Telegram não para roubar conversas reais, mas para inventar conversas que não têm “nada de mais” e que ele poderia ter inventado sem precisar invadir o celular de ninguém.
Mesmo tendo conseguido invadir o Telegram, ele não quis o 1 milhão que a empresa pagaria a quem realizasse tal proeza, preferindo lucrar com a venda para o PT das conversas forjadas com conteúdo “nada de mais” (leia aqui).
No entanto, agora descobriu-se que, embora o rapaz estivesse em Araraquara, os tweets de Vermelho vinham sendo postados de… Brasília! (leia aqui).
Nesse momento, o advogado de Vermelho está alegando que o rapaz tem problemas psiquiátricos (leia aqui). Tal alegação pode levar à sua absolvição. Tipo o Adélio, sabe? (leia aqui).
