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‘8 de Janeiro’ criou conceitos “vândalo do bem”, “patriota antipatriota” e “crente contra lei divina”, diz humorista na Folha

      Durante os ataques terroristas, no ‘8 de Janeiro‘, em Brasília, extremistas bolsonaristas evacuaram e urinaram na sede do Supremo Tribunal Federal | Imagem reprodução redes sociais

      A lei brasileira, eles não devem ter transgredido, tendo em conta a benevolência com que foram tratados pelas autoridades. Mas talvez seja altura de alterar ligeiramente a divisa de Bolsonaro. Agora é defecar em cima de tudo e Deus assistindo acima dos tolos“, escreve

      As imagens” do ‘8 de Janeiro’, data em que ‘manifestantes bolsonaristas golpistas‘ passaram a se tornaram ‘terroristas‘ ao invadir as sedes dos Três Poderes, “correram o planeta, mostrando um acontecimento extraordinário, que deu origem a vários conceitos que até aqui pareciam constituir impossibilidades filosóficas. O primeiro é o do vândalo de bem“, escreve o humorista Ricardo Pereira Araújo, em sua coluna no jornal Folha de S. Paulo, neste sábado (14/1). 

      Bolsonaro declarou famosamente que os seus apoiadores eram cidadãos de bem, pelo que aquilo a que assistimos foi destruição virtuosa, vandalismo decente, criminalidade honrada. O segundo é o do patriota antipatriota. Os bolsonaristas, informou também o ex-presidente no seu vídeo de despedida, amam a bandeira. O que significa que é possível praticar desordem por amor a uma bandeira em que está escrita a palavra ordem. O terceiro é o do crente que ignora a lei divina. Bolsonaristas colocam Deus acima de todos —e, no entanto, os invasores do Palácio do Planalto terão defecado nos corredores e nas salas”.

      A lei brasileira, eles não devem ter transgredido, tendo em conta a benevolência com que foram tratados pelas autoridades. Mas talvez seja altura de alterar ligeiramente a divisa de Bolsonaro. Agora é defecar em cima de tudo —e Deus assistindo, acima dos tolos“, escreve o humorista.

      O episódio revelou também, para orgulho de todos, que o Brasil, quando quer, está ao nível dos Estados Unidos. Na sequência de umas eleições perdidas, os brasileiros também sabem, em nome da legalidade democrática, alegar uma ilegalidade democrática. E, em nome da harmonia e da proteção das instituições, destruir violentamente a sede das instituições. É cada vez mais evidente que o Brasil atingiu a dimensão dos EUA. Agora, o ex-presidente dos EUA mora nos EUA. O ex-presidente do Brasil também. E até podem dizer que Bolsonaro não tem estatuto para ir a casa de Donald Trump. Mas o que é certo é que ele está em Orlando, muito perto da casa do Pato Donald. A diferença é mínima.

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