Presidente anunciou nesta quinta-feira (20) retirada imediata de tarifas adicionais de 40% sobre uma lista de produtos agrícolas brasileiros, incluindo café, carnes bovinas e suínas, sucos de frutas, cacau e bananas
Brasília, 20 de novembro de 2025.
O presidente Donald Trump anunciou, nesta quinta-feira (20/nov), a retirada imediata de tarifas adicionais de 40% sobre uma lista de produtos agrícolas brasileiros, incluindo café, carnes bovinas e suínas, sucos de frutas, cacau e bananas.
A decisão, formalizada por ordem executiva assinada pela Casa Branca, surge após meses de retaliações mútuas e é atribuída pelo republicano a avanços nas negociações com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Exportadores do setor agro celebram o alívio, que pode injetar bilhões de dólares em divisas ao país, mas analistas alertam para instabilidades remanescentes no acordo bilateral.
A medida beneficia diretamente o agronegócio brasileiro, responsável por cerca de 40% das exportações totais para os EUA, segundo dados do Ministério da Agricultura.
Produtos como o café arábica, que representa 20% das vendas externas do Brasil para o mercado norte-americano, e as carnes, com volumes anuais superiores a US$ 2 bilhões, escapam agora de uma sobrecarga que elevava os custos em até 50% quando somada a tarifas recíprocas anteriores.

“Essa é uma vitória para os produtores brasileiros, que enfrentavam margens apertadas em meio à inflação global de alimentos”, comentou um economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
A ordem executiva de Trump, divulgada há poucas horas, cita explicitamente uma conversa recente com Lula como pivô da reversão.
No documento, o presidente americano afirma que a penalidade “não se justifica mais” após concessões brasileiras em áreas como propriedade intelectual e barreiras não tarifárias.
No entanto, a Casa Branca mantém tarifas de base em 10% para outros itens, sinalizando que o diálogo prossegue.
A lista completa abrange mais de 50 itens alimentícios, com efeitos imediatos a partir de 21 de novembro.
Contexto Histórico: Da Escalada Tarifária à Desescalada
A cronologia revela uma escalada rápida, motivada por desequilíbrios na balança comercial – com superávit brasileiro de US$ 15 bilhões em 2024 – e retaliações a políticas ambientais e fiscais do governo Lula.
Tudo começou em abril de 2025, quando Trump impôs uma tarifa universal de 10% sobre importações globais, incluindo do Brasil, como parte de sua agenda “America First 2.0”.
Em julho, veio o golpe: um decreto adicional de 40% sobre produtos agrícolas brasileiros, elevando o total a até 50% em casos como o aço e o alumínio, já taxados desde seu primeiro governo.
A justificativa? “Reciprocidade”, alegando que o Brasil cobrava taxas desproporcionais de bens americanos. Na época, o anúncio provocou uma queda de 8% nas ações da JBS e da BRF, gigantes do setor de carnes.
Em agosto, o “tarifaço” entrou em vigor, afetando exportações que somavam US$ 8 bilhões anuais. O Brasil retaliou com sobretaxas de 25% sobre uísque e motocicletas dos EUA, mas optou por negociações na OMC para evitar uma guerra aberta.
Um primeiro alívio veio em setembro, com corte parcial nas tarifas de 200 itens alimentícios. No entanto, o grosso da penalidade persistiu até esta quinta, quando a inflação nos EUA – com preços de alimentos subindo 12% no ano – forçou a mão de Trump.
O New York Times, em reportagem recente, traçou uma cronologia do “fracasso” dessa estratégia protecionista, destacando como as tarifas elevaram custos internos nos EUA sem equilibrar a balança.
“O tarifaço de Trump contra o Brasil de Lula expôs as fragilidades da doutrina comercial republicana”, escreveu o jornal, ecoando críticas de democratas no Congresso.
Eduardo Bolsonaro minimizou, como era de se esperar devido ao pai condenado, o papel da diplomacia petista na vitória, atribuindo-a a “pressões econômicas inevitáveis”.
Implicações Econômicas e o Caminho Adiante
A retirada das tarifas deve impulsionar as exportações brasileiras em pelo menos 15% para os EUA no quarto trimestre, projetam especialistas do Itaú.
Setores como o café, com o Brasil como maior produtor mundial, e as carnes, beneficiadas por acordos sanitários recentes, ganham fôlego para competir globalmente. A Folha de S.Paulo estima um ganho de US$ 1,2 bilhão em receitas adicionais até o fim do ano.
Ainda assim, o otimismo é cauteloso. O governo brasileiro, via Itamaraty, busca a suspensão total das tarifas remanescentes, incluindo as de 10% universais. “É um avanço positivo, mas o comércio bilateral precisa de estabilidade para além de decretos unilaterais”, alertou o ministro das Relações Exteriores em nota oficial.
Enquanto Trump credita a si mesmo a resolução, fontes em Brasília veem na pressão inflacionária dos EUA o verdadeiro catalisador. Essa desescalada reforça a importância de uma diplomacia pragmática em tempos de protecionismo global.
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