Líder chinês enfatiza união do Sul Global em defesa da soberania e estabilidade regional, alertando para riscos de intervenções unilaterais que abalam a ordem internacional
Em ligação em 23/jan, Xi Jinping assegurou a Lula o apoio da China ao Brasil em tempos turbulentos, após críticas do brasileiro ao ataque dos EUA na Venezuela que capturou Maduro em 3/jan. Xi enfatizou defesa do Sul Global e multilateralismo via ONU, fortalecendo laços sino-brasileiros em economia e governança global. Lula condenou a ação como erosão do direito internacional, alertando para instabilidade regional.
Brasília (DF) · 23 de janeiro de 2026
Em uma ligação telefônica realizada nesta sesta-feira (23/jan), o presidente da China, Xi Jinping, assegurou ao presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, o compromisso inabalável de Pequim em apoiar Brasília durante períodos de instabilidade global.
Essa garantia surge no contexto das recentes críticas de Lula à operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou no sequestro e prisão do líder da Venezuela, Nicolás Maduro, em 3/jan, gerando apreensões sobre violações ao direito internacional e potenciais desestabilizações na América Latina.
De acordo com a agência estatal chinesa Xinhua, Xi destacou que tanto a China quanto o Brasil, como potências emergentes do Sul Global, atuam como forças construtivas na preservação da paz mundial e na aprimoração da governança global.
Ele enfatizou a necessidade de ambos os países defenderem conjuntamente os interesses das nações em desenvolvimento, promovendo uma cooperação estratégica que transcenda as turbulências atuais.
“Em um mundo turbulento e volátil, China e Brasil, ambos como importantes membros do Sul Global, são forças construtivas em salvaguardar a paz mundial e melhorar a governança global”, afirmou Xi, conforme relatado pela Reuters.
A conversa ocorreu semanas após a ação dos EUA, que incluiu bombardeios em Caracas e a detenção de Maduro por acusações de narcotráfico, lançando a Venezuela em um vácuo político.
Lula, em um artigo de opinião publicado no The New York Times, condenou veementemente a incursão, qualificando-a como “mais um capítulo lamentável na erosão contínua do direito internacional e da ordem multilateral estabelecida após a Segunda Guerra Mundial”.
Ele alertou para o risco de precedentes perigosos que poderiam ameaçar a soberania de outras nações latino-americanas, evocando memórias de intervenções passadas na região.
Xi e Lula também discutiram o fortalecimento da autoridade das Nações Unidas em meio a essas tensões, com Pequim posicionando-se como defensor do multilateralismo contra ações unilaterais, reportou a FastBull.
A ligação reflete a profundização das relações bilaterais, que incluem acordos econômicos e estratégicos renovados em 2025, abrangendo desde infraestrutura sustentável até cooperação aeroespacial.
Lula expressou disposição para elevar as parcerias com a China, visando um desenvolvimento mútuo e a estabilidade regional, conforme noticiado pela Bastille Post.
Analistas apontam que essa interação não apenas solidifica a aliança sino-brasileira, mas também sinaliza uma contraposição ao expansionismo percebido dos EUA sob a administração de Donald Trump.
A influência chinesa na América do Sul, especialmente em recursos como petróleo venezuelano, permanece um ponto de atrito com Washington, que justificou a operação como medida para conter a presença de Pequim na região, destaca a NBC News.
Enquanto líderes como o presidente argentino Javier Milei apoiam a ação norte-americana, vozes progressistas na América Latina, incluindo a presidente mexicana Claudia Sheinbaum, ecoam as preocupações de Lula sobre a integridade da zona de paz regional.
Apesar do revés na Venezuela, a China mantém sua estratégia de laços econômicos robustos com o continente, evitando confrontos diretos diz a Bloomberg.
Essa dinâmica ilustra o equilíbrio delicado entre não-interferência e ambições globais da China, conforme analisado pela China Global South Project, que enfatiza o compromisso de Xi em proteger investimentos sem escalar conflitos.

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