Mensagens de WhatsApp vazadas expõem reclamações sobre som alto, convidados extras e presença de mulheres em mansão alugada; TCU investiga participação de autoridades nos eventos “Cine Trancoso”
Brasília (DF) · 04 de março de 2026
Em meio ao colapso financeiro do Banco Master, novas revelações sobre encontros privados promovidos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro em Trancoso (BA) elevam o caso a patamar institucional, com indícios de possível comprometimento de altas autoridades dos Três Poderes.
Conforme apurou a Folha de S.Paulo, a empresária Sandra Habib — ex-proprietária da mansão Villa 21, avaliada em R$ 300 milhões e localizada na Praia dos Nativos — desabafou em mensagens de WhatsApp com o corretor que intermediou o aluguel.
Em 5 de outubro de 2022, véspera do aniversário de Vorcaro, ela escreveu:“O Vorcaro encheu a minha casa de putas. Ele, amigos e muitas putas! Desde antes de ontem, reclamações por causa do som acima do permitido. Ontem foi pior.”
O imóvel, com 40 mil m², 12 suítes e cinco bangalôs à beira-mar, foi locado por Vorcaro em três temporadas entre 2021 e 2022, antes de ser adquirido por empresas ligadas a ele.
O contrato limitava a ocupação a 20 pessoas, mas os relatos indicam ultrapassagem desse limite, com contratação de conjunto de pagode, poluição sonora e queixas registradas junto a vizinhos, polícia local e órgãos ambientais.
Esses eventos, batizados internamente de “Cine Trancoso”, contavam com rígido controle de acesso — detectores de metais e proibição de celulares — e sistema de câmeras em todos os cômodos.
Os vídeos, sob custódia da Polícia Federal e do Ministério Público Federal com supervisão do Supremo Tribunal Federal (STF), alimentam investigações paralelas ao caso Banco Master.
O subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado, do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), protocolou em 29 de janeiro representação recomendando a abertura de processo para identificar procuradores, magistrados e outras autoridades federais que teriam participado dos encontros, além de apurar eventual financiamento ou promoção por órgãos públicos.
A unidade técnica do TCU recomendara arquivamento por ausência de indícios concretos de irregularidade na gestão de recursos federais.
Em decisão de sábado (28/fev), o ministro relator Jorge Oliveira suspendeu a análise no TCU e determinou pedido de compartilhamento de eventuais provas ao ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master no STF.
A medida busca evitar obstrução de apurações mais amplas, dada a “conexão umbilical” com a liquidação da instituição pelo Banco Central.
A assessoria de Daniel Vorcaro repudiou as informações, classificando-as como “narrativa difamatória e sensacionalista” baseada em fontes não fidedignas e relatos distorcidos.

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