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Investida sobre Groelândia é aplaudida por Rússia: erro geopolítico de Trump prejudica coesão da OTAN

    Avanço sobre território dinamarquês acende crise diplomática que dá vantagem ao Kremlin, enquanto aliados europeus de Washington cambaleiam com tarifas dos EUA, sob críticas até de vozes republicanas da “America First

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    Manifestantes contrários
    Manifestantes contrários à investida de Trump sobre a Groenlândia protestam em frente à embaixada dos EUA em Copenhague, na Dinamarca |17.1.2025| Foto: Hilary Swift/The New York Times
    RESUMO

    Presidente Donald Trump impõe tarifas de 10% a oito países europeus por oposição ao controle dos EUA sobre a Groenlândia, citando ameaças russas e chinesas. Negociações com Dinamarca falham em 14/jan. Deputado republicano Don Bacon critica: “Os russos estão aplaudindo esse desastre”. Kirill Dmitriev celebra colapso transatlântico. Europa reage unida, alertando para fraturas na OTAN e impactos econômicos. Estratégia de Trump visa segurança ártica, mas arrisca alianças. Atualizações indicam possível retaliação europeia.


    Copenhague (DK) · 18 de janeiro de 2026

    O presidente dos EUA, Donald Trump, intensificou sua campanha pela aquisição da Groenlândia, território autônomo sob soberania da Dinamarca.

    Há pouco mais de uma semana, durante uma coletiva em Mar-a-Lago, Trump declarou que os Estados Unidos precisam “possuir” a ilha para contrabalançar ameaças da Rússia e da China, argumentando que arrendamentos atuais são insuficientes para defesa estratégica.

    “Países precisam de propriedade e você defende a propriedade, você não defende arrendamentos. E vamos defender a Groenlândia”, afirmou ele, conforme reportado pela BBC.

    A retórica ganhou contornos mais agressivos, quando negociações com autoridades dinamarquesas em Copenhague fracassaram devido a “desacordos fundamentais” sobre o status da ilha, rica em recursos minerais e posicionada como pivô nas rotas árticas.

    Trump então anunciou tarifas de 10% sobre oito nações europeias, incluindo Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Bélgica, com elevação para 25% a partir de 1 de junho caso não haja acordo.

    Essa medida, justificada como retaliação por subsídios históricos não compensados, foi descrita pelo presidente como necessária para “paz mundial“, pois “China e Rússia querem a Groenlândia, e não há nada que a Dinamarca possa fazer sobre isso“, postou ele em suas redes sociais, em uma declaração que viralizou e atraiu respostas globais.

    Líderes europeus reagiram com veemência. A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, qualificou a proposta como “absurda” e reafirmou a soberania inabalável da ilha.

    A presidente da Comissão Europeia, em declaração unificada, proclamou que a Europa permanece “unida” frente às ameaças tarifárias, alertando para impactos econômicos bilaterais.

    De acordo com a ABC News, essa imposição tarifária pode custar bilhões em comércio transatlântico, exacerbando fraturas na OTAN em um momento de instabilidade global.

    Dentro dos Estados Unidos, a controvérsia dividiu o Partido Republicano. O deputado Don Bacon, de Nebraska, um ex-general da Força Aérea e crítico moderado de Trump, condenou publicamente a abordagem em uma postagem no X, neste domingo (18/jan): “Os russos estão aplaudindo esse desastre na Groenlândia. Que vergonha“.

    Bacon argumenta que as declarações presidenciais criam rachaduras na aliança ocidental, beneficiando adversários como a Rússia, que vê oportunidades no enfraquecimento da unidade transatlântica. Sua experiência militar reforça a visão de que a diplomacia imprudente mina parcerias essenciais, especialmente no Ártico, onde bases como a de Thule já garantem presença americana sob tratados existentes.

    A percepção de Bacon encontra eco em respostas russas. Kirill Dmitriev, CEO do Fundo Russo de Investimento Direto e figura próxima ao Kremlin, postou no X: “Colapso da união transatlântica. Finalmente — algo que realmente vale discutir em Davos“, celebrando o que vê como uma oportunidade para discussões globais.

    Outras vozes russas, incluindo o ex-presidente Dmitry Medvedev, provocaram Trump sugerindo que os 55 mil residentes da Groenlândia poderiam votar pela adesão à Rússia se o atraso persistir, conforme mostrou recentemente a News Break.

    O Kremlin rejeitou formalmente alegações de planos para controlar a ilha, com o presidente Vladimir Putin advertindo Trump a não confundir “hesitação com fraqueza“, em declaração veiculada na sexta-feira (16/jan) pela The Cradle.

    Analistas geopolíticos, como a estrategista Velina Tchakarova, destacam que a insistência de Trump em “propriedade” sobre a Groenlândia reflete temores legítimos de expansão sino-russa no Ártico, mas a tática tarifária arrisca isolar os EUA.

    Relatórios publicados no periódico britânico The Guardian indicam que a ilha abriga vastas reservas de terras raras, cruciais para tecnologias verdes, tornando-a um ativo estratégico. No entanto, a abordagem confrontacional pode acelerar o “colapso da união transatlântica“, como aludido por Dmitriev, beneficiando potências rivais em fóruns como o Fórum Econômico Mundial em Davos.

    A saga ilustra as tensões inerentes à doutrina “America First [América em Primeiro Lugar]” de Trump, equilibrando assertividade nacional com alianças tradicionais.

    Enquanto tarifas ameaçam cadeias de suprimento globais, a crítica interna de figuras como Bacon sinaliza potenciais reveses no Congresso, onde projetos de lei para mitigar danos diplomáticos já circulam.

    Líderes europeus em Bruxelas planejam uma resposta coordenada às tarifas, com possível retaliação comercial, conforme últimas atualizações.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



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