Ousada estratégia americana no Ártico pode redefinir alianças globais – Saiba o motivo do interesse dos EUA; conheça a economia da ilha e seus costumes

Brasília (DF) · 06 de janeiro de 2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou sua retórica sobre a Groenlândia, declarando-a uma prioridade estratégica inescapável para a segurança nacional americana.
Segundo comunicado oficial da Casa Branca emitido nesta terça-feira (06/jan), o governo está explorando “uma gama de opções” para incorporar o território, incluindo o emprego das Forças Armadas como ferramenta disponível ao comandante-em-chefe, informou o The New York Times.
Essa postura, que remete a uma proposta inicial de compra em 2019, agora ganha contornos mais agressivos, com Trump afirmando publicamente que os EUA “precisam da Groenlândia do ponto de vista da segurança nacional, e a Dinamarca não vai conseguir fazer isso“.
“Nós precisamos da Groenlândia para a segurança no Ártico”, reiterou Trump em declarações à imprensa a bordo do Air Force One, conforme reportado pela Associated Press em fontes americanas.
A reação da Dinamarca foi imediata e veemente, com a primeira-ministra Mette Frederiksen alertando que qualquer tentativa pela força representaria o “fim da OTAN“.
Em comunicado exclusivo ao jornal dinamarquês Politiken, Frederiksen enfatizou: “Os EUA não têm direito de anexar nenhum dos três países do Reino da Dinamarca”.
Líderes da Groenlândia, território autônomo sob soberania dinamarquesa, ecoaram o tom de rejeição, com o premiê groenlandês declarando “basta é basta” em resposta às ameaças de anexação, destacando que o futuro da ilha cabe unicamente aos seus habitantes, segundo o Global News.
Do outro lado, Trump zombou dos esforços de segurança dinamarqueses, dizendo que eles adicionaram “apenas mais um trenó de cães” à defesa local, afirmaram fontes do The New York Times,
Essa troca de farpas, amplificada por assessores como Stephen Miller, que afirmou no NYT que a Groenlândia “pertence por direito aos EUA”, coloca em xeque a coesão da aliança atlântica, com líderes europeus se unindo em solidariedade à Dinamarca.
Por que Trump (os EUA) quer a Groelândia
O fascínio americano pela Groenlândia transcende retórica política e mergulha em imperativos geoestratégicos profundos. Localizada no coração do Ártico, a ilha oferece vantagens inigualáveis para monitoramento militar, especialmente contra avanços russos e chineses na região.
A base aérea de Thule, já operada pelos EUA desde a Guerra Fria, serve como epicentro para sistemas de alerta precoce de mísseis e vigilância espacial.
Além disso, o derretimento acelerado das calotas polares expõe vastos depósitos de minerais raros, como terras-raras essenciais para tecnologias de defesa e energia renovável, posicionando a Groenlândia como um ativo pivotal em disputas globais por recursos.
Analistas do Chatham House, citados em relatórios americanos, corroboram que tanto Rússia quanto China intensificam presenças no Ártico, tornando o controle da ilha uma questão de domínio hemisférico.
Para Trump, essa aquisição não é mero capricho, mas uma salvaguarda contra vulnerabilidades, com a Casa Branca argumentando que a Dinamarca falha em investir adequadamente na defesa do território, segundo reportou a Fox News.
O povo e a economia
No cerne dessa controvérsia está a própria Groenlândia, uma ilha colossal com população estimada em cerca de 57 mil habitantes, concentrados majoritariamente na costa sudoeste devido a condições climáticas extremas.
Predominantemente inuit (esquimó [termo em desuso]) – representando 88% dos residentes, incluindo mistos –, a demografia revela uma sociedade relativamente jovem, com média etária em torno dos 34 anos, moldada por taxas de natalidade moderadas e migração para centros urbanos como Nuuk.
A economia gira em torno da pesca, que emprega uma fatia significativa da força de trabalho, complementada por mineração emergente de recursos como zinco e rubi, além de turismo ecológico e subsídios anuais da Dinamarca que sustentam serviços públicos.
Costumes locais entrelaçam tradições inuit ancestrais, como caça sustentável e narrativas orais, com influências europeias modernas, fomentando uma identidade híbrida resiliente ao isolamento geográfico.
A língua oficial, o kalaallisut (groenlandês ocidental), coexiste com o dinamarquês em contextos educacionais e administrativos, refletindo laços históricos com a Dinamarca desde o século XVIII.
A moeda em circulação é a coroa dinamarquesa, ancorando a economia a flutuações europeias.
O que pensam os groelandeses sobre o tema
Quanto à opinião pública, pesquisas locais indicam rejeição esmagadora à ideia de anexação americana, com groenlandeses priorizando autonomia crescente e independência eventual da Dinamarca, em vez de submissão a potências externas.
“A Groenlândia decidirá seu próprio futuro”, afirmou o governo local em nota à BBC, ecoando um consenso popular forjado em séculos de adaptação ao rigor ártico.
A escalada inclui discussões internas na Casa Branca sobre opções militares e tensiona relações transatlânticas , além de jogar luz sobre as fraturas no tabuleiro geopolítico do Ártico.
Trump persiste em sua visão expansionista, enquanto a Dinamarca e a Groenlândia defendem soberania com apoio europeu unânime, sinalizando que qualquer avanço unilateral poderia precipitar crises aliadas de proporções inéditas.

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