Português Inglês Irlandês Alemão Sueco Espanhol Francês Japonês Chinês Russo
Avançar para o conteúdo

Quem era o cientista político fundador do PT morto afogado no litoral de SP

    José Álvaro Moisés, 81, sucumbiu na Praia de Itamambuca, em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, durante uma estada recreativa – SAIBA MAIS

    Clickable caption
    José Álvaro
    José Álvaro Moisés, cientista político, professor titular da USP e um dos fundadores do PT, em retrato durante entrevista ou aparição acadêmica / Foto: acervo jornalístico ABC do ABC / reprodução

    RESUMO
     
    URBS MAGNA - Progressistas por um BRASIL SOBERANO
     


    Brasília (DF) · 14 de fevereiro de 2026

    O proeminente cientista político José Álvaro Moisés, um dos arquitetos intelectuais do Partido dos Trabalhadores (PT), faleceu aos 81 anos vítima de afogamento.

    O episódio ocorreu na idílica Praia de Itamambuca, em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, durante uma estadia recreativa na residência de amigas.

    Essa perda não apenas encerra uma era de reflexões incisivas sobre a democracia, mas também reacende debates sobre sua trajetória multifacetada, marcada por engajamentos pioneiros e dissidências contundentes.

    Antes da fundação do PT em 1980, José Álvaro Moisés emergiu como uma figura pivotal no panorama intelectual brasileiro, forjando sua expertise em meio ao turbilhão da ditadura militar.

    Nascido em 4 de setembro de 1945, em São Paulo, ele graduou-se em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP) em 1970, complementando sua formação com um mestrado em Política e Governo pela Universidade de Essex, no Reino Unido, em 1972, e um doutorado em Ciência Política pela USP em 1978, sob orientação de Francisco Weffort.

    Sua atuação jornalística na Folha de S.Paulo, onde atuou como repórter especial, redator e editor entre as décadas de 1960 e 1970, o posicionou como observador agudo dos movimentos sociais e do sindicalismo emergente.

    Nesse período, Moisés dedicou-se a análises penetrantes sobre o “novo sindicalismo”, criticando o modelo varguista tutelado pelo Estado e defendendo formas autônomas de organização trabalhista.

    Como pesquisador do Centro de Estudos de Cultura Contemporânea (Cedec), que presidiu entre 1987 e 1991, ele contribuiu para o desmonte ideológico do regime autoritário, enfatizando a importância da cultura política e da transição democrática.

    Sua proximidade com os metalúrgicos do ABC Paulista, liderados por Luiz Inácio Lula da Silva, pavimentou o caminho para a criação do PT, onde Moisés integrou o núcleo de intelectuais – ao lado de nomes como Weffort e Paul Singer – que elaboraram as bases teóricas do partido, incluindo cartilhas sobre princípios democráticos e a Assembleia Nacional Constituinte.

    Moisés atuou como elo entre o mundo acadêmico e o operário, fomentando um sindicalismo independente que desafiava a estrutura corporativista herdada.

    Após a consolidação do PT, a trajetória de José Álvaro Moisés tomou rumos de crescente autonomia e escrutínio crítico. Como professor titular de Ciência Política na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, onde lecionou até a aposentadoria, e diretor do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da instituição de 1995 a 2017, ele aprofundou estudos sobre a qualidade da democracia, a desconfiança política e o neopopulismo.

    Sua passagem como professor visitante no Centro Latino-Americano da Universidade de Oxford em 1991-1992 enriqueceu suas perspectivas comparativas, influenciando obras seminais como A Desconfiança Política e os Seus Impactos na Qualidade da Democracia (Edusp, 2013) e Crises da Democracia: O Papel do Congresso, dos Deputados e dos Partidos (Appris, 2019).

    No âmbito público, Moisés ocupou cargos estratégicos no Ministério da Cultura durante o governo de Fernando Henrique Cardoso: Secretário de Apoio à Cultura de 1995 a 1998 e Secretário de Audiovisual de 1999 a 2002. Nessa fase, coordenou a pesquisa “Cultura e Democracia” em parceria com a Universidade de Maryland e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, explorando interseções entre valores culturais e instituições democráticas.

    Sua dissidência do PT cristalizou-se nos anos 1990, motivada pela recusa do partido em integrar um governo de união nacional sob Itamar Franco em 1992 e pelo afastamento de Luiza Erundina.

    Como um dos críticos mais veementes do petismo na academia, Moisés lamentava o declínio ético da legenda, declarando em entrevista ao Instituto Millenium: “O PT perdeu sua essência ao priorizar o poder sobre os princípios democráticos“.

    Internacionalmente, integrou o Comitê Executivo do Conselho Internacional de Ciências Sociais (ISSC) da UNESCO de 2013 a 2016 e da Associação Internacional de Ciência Política (IPSA) de 2011 a 2015.

    Como colunista da Rádio USP e ex-comentarista do Jornal da Cultura (2016-2019), Moisés influenciou gerações com análises sobre corrupção, integridade institucional e o papel do Judiciário na democracia.

    Recentemente, coordenava formulações políticas no Fórum Direitos Já, defendendo a accountability e combatendo o neopopulismo.

    O Incidente Fatal: Detalhes do Afogamento em Ubatuba

    O trágico episódio na Praia de Itamambuca ocorreu na sexta-feira (13/fev), por volta das 14h. Segundo o Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar), Moisés foi encontrado inconsciente na faixa de areia por banhistas, que alertaram as equipes de salvamento.

    Manobras de reanimação foram iniciadas imediatamente, mas o óbito foi constatado no local, sem possibilidade de remoção para unidade hospitalar.

    O boletim de ocorrência, registrado na Delegacia de Ubatuba, classificou o caso como morte acidental, com investigações iniciais descartando algum crime. Familiares confirmaram que o acadêmico, apesar da idade avançada, desfrutava de boa saúde e optara por um mergulho solitário em águas calmas, possivelmente subestimando correntes marítimas.

    O corpo foi encaminhado aos serviços funerários locais, segundo o g1, com velório previsto em São Paulo.

    Essa fatalidade ecoa ironias da vida pública de Moisés, que frequentemente alertava para a fragilidade das instituições em contextos de transição – uma metáfora involuntária para seu próprio percurso.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



    SIGA NAS REDES SOCIAIS




    Compartilhe via botões abaixo:

    Comente com moderação

    🗣️💬

    Discover more from

    Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

    Continue reading