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    “LUMUMBA VEA” BARRADO: Torcedor estátua do Congo tem visto negado pelos EUA e perde jogos

    — calculando —
    Michel Kuka Mboladinga, torcedor do Congo

    📷 Michel Kuka Mboladinga, 49, conhecido como “Lumumba Vea”, é torcedor da República Democrática do Congo (RDC) e assiste às partidas da seleção de seu país completamente imóvel, reproduzindo a postura de uma estátua em homenagem a Patrice Lumumba, líder da independência congolesa e uma das principais referências da luta anticolonial no continente / Imagens reprodução redes sociais

    | Washington (US)
    28 de junho de 2026

    A partida decisiva entre República Democrática do Congo e Uzbequistão, em Atlanta, teve uma ausência de peso.

    Não se trata de um jogador lesionado ou suspenso, mas do torcedor mais icônico do futebol africano. Michel Kuka Mboladinga, conhecido mundialmente como “Lumumba Vea”, teve o visto negado pelas autoridades dos Estados Unidos e não conseguiu entrar no país para apoiar sua seleção.

    Michel Kuka Mboladinga, fotografado em uma partida em janeiro, é conhecido por seus ternos impecáveis ​​e pela semelhança com o primeiro-ministro fundador de seu país. IMAGO / ZUMA PRESS via THE WALL STREET JOURNAL

    A informação foi confirmada pelo jornal francês L’Équipe, que destacou a importância do torcedor que chegou a ter um comentário do perfil Cazé TV em seu Instagram de mais de 260 mil seguidores: “Ícone!”.

    Imagem reprodução Instagram de @lumumbaveaofficiel / Instagram
    Imagem reprodução Instagram de @lumumbaveaofficiel / Instagram


    Mboladinga se tornou uma figura cult durante o Campeonato Africano das Nações (CAN) de 2025, no Marrocos, ao permanecer completamente imóvel durante os 90 minutos das partidas da RD Congo.

    Quem é “Lumumba Vea”?

    Michel Kuka Mboladinga não é um torcedor comum. Sua pose estática, com o braço erguido, é uma homenagem silenciosa a Patrice Lumumba, o primeiro-ministro da República Democrática do Congo assassinado em 1961.

    Patrice Lumumba sendo levado como prisioneiro
    O primeiro-ministro do Congo, Patrice Lumumba, é levado como prisioneiro — humilhado, espancado e descalço — por forças apoiadas pela Bélgica, poucos meses após a independência. Dias depois, em 17 de janeiro de 1961, seria brutalmente executado em Katanga com a cumplicidade da Bélgica, Reino Unido e EUA. Seu corpo foi esquartejado e dissolvido em ácido para apagar não só o homem, mas o símbolo da luta africana pela soberania / Imagem reprodução redes sociais


    A semelhança física de Mboladinga com o herói nacional e seus ternos coloridos com as cores do país o tornaram instantaneamente reconhecível.

    Enquanto milhares de torcedores cantam e dançam ao seu redor, “Lumumba Vea” permanece imóvel, recriando a pose de uma famosa estátua de Lumumba na capital Kinshasa.

    Sua dedicação lhe rendeu reconhecimento mundial e, ao retornar do CAN em janeiro, ele foi presenteado com um jipe pelo governo congolês.

    A saga do visto

    A jornada de Mboladinga na Copa do Mundo de 2026 tem sido marcada por obstáculos.

    Sua chegada ao continente americano já havia sido atrasada por restrições de viagem impostas a viajantes da RD Congo devido ao surto de Ebola no país.

    O surto, que já registra 1.203 casos confirmados e 321 mortes, levou os Estados Unidos a suspenderem a emissão de vistos para cidadãos congoleses.

    Apesar das dificuldades, Mboladinga conseguiu chegar a tempo de acompanhar a partida contra a Colômbia em Guadalajara, no México, no dia 23 de junho.

    No entanto, o visto para entrar nos Estados Unidos para o jogo contra o Uzbequistão em Atlanta foi negado. O motivo exato da decisão não foi divulgado.

    A Reuters informou que Mboladinga não estaria presente.

    Após a vitória sobre o Uzbequistão neste sábado por 3 x 1, a Seleção da República Democrática do Congo joga na próxima quarta-feira, 1º de julho de 2026, às 13h (horário de Brasília) contra a Inglaterra pelas oitavas de final da Copa do Mundo da FIFA 2026.

    O caso de Mboladinga vai além do futebol, tocando em temas sensíveis como restrições migratórias, saúde pública e a desigualdade no acesso a eventos globais.

    A história de Mboladinga expõe como barreiras burocráticas podem separar símbolos culturais de suas comunidades, mesmo em momentos de união nacional como uma Copa do Mundo.

    Uma luz no fim do túnel?

    A embaixadora da RD Congo em Washington, Kapinga Yvette Ngandu, ainda mantém esperança. Ela afirmou à Reuters que acredita que Mboladinga poderá obter o visto caso a seleção se classificasse para a fase eliminatória.

    “Espero que ele possa trazer sua própria maneira de apoiar a equipe”, disse a embaixadora.

    A vitória dos Leopardos sobre o Uzbequistão era caso de vida ou morte para avançar às oitavas de final pela primeira vez na história.

    Classificada, a RD Congo participa de todos os jogos seguintes serão em solo americano, e a presença de seu torcedor mais famoso dependerá de uma reviravolta burocrática.

    Por enquanto, Michel Kuka Mboladinga, o “estátua viva” que personifica a resistência e a memória histórica do Congo – uma imagem que, ironicamente, ecoa a imobilidade que o tornou famoso., terá que assistir ao jogo contra a Inglaterra do México.



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