Imagens compartilhadas pelo perfil social do porta-voz da IRGC (Guarda Revolucionária do Irã) em 7.4.2026 – data da “trégua” da guerra dos EUA com o país persa, considerada “derrota” por analistas e por militares iranianos / Reprodução/X/@Ibrahim_alFiqarreprodução
Brasília (DF) · 08 de abril de 2026
O presidente dos EUA, Donald Trump anunciou nesta terça-feira (7/abr) um cessar-fogo bilateral de duas semanas com o Irã, suspendendo temporariamente os ataques americanos.
A medida, condicionada à reabertura segura do Estreito de Ormuz, foi aceita por Teerã e já gera repercussões diretas na política brasileira.
O Conselho de Segurança Nacional iraniano classificou o acordo como “derrota inegável, histórica e esmagadora em sua guerra covarde, ilegal e criminosa contra a nação iraniana”.
O chanceler Abbas Araghchi reforçou que, com a interrupção dos ataques, as forças armadas iranianas cessarão operações defensivas pelo período combinado.
O porta-voz da Guarda Revolucionária do Irã, Ibrahim Al Fiqar, celebrou nas redes: “Derrubamos o mito do “exército invencível” sob os escombros de suas bases; hoje, o mundo fala do nosso poder, e o inimigo se cala envergonhado por sua derrota”.
Al Fiqar chamou os EUA de o “Grande Satã” e afirmou que eles concordaram em não agredir, permitir o controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz, aceitar o enriquecimento de urânio, levantar todas as sanções, encerrar resoluções do Conselho de Segurança da ONU e do Conselho de Governadores, pagar compensações ao Irã, retirar forças americanas da região e cessar a guerra em todas as frentes, incluindo contra o Hezbollah no Líbano.
O brigadeiro iraniano também ridicularizou Trump em um meme com seu rosto substituído por uma casca de taco crocante, com alface fresca por cima:
“É terça-feira do Taco“, escreveu, zombando da tradição informal dos EUA de sempre às terças-feiras promover tacos – prato tradicional mexicano – uma pequena tortilha (de milho ou trigo) dobrada ou enrolada em torno de um recheio.
Al Fiqar disse depois que “a nação de Hussein triunfou”, em uma afirmação com conotação simbolista xiita, referindo-se aos seguidores do Imam Hussein, neto do Profeta Maomé e ícone de resistência e martírio na tradição iraniana, representando o “Eixo da Resistência” formado por Irã, Hezbollah, Houthis e outras milícias alinhadas a Teerã.
A imagem compartilhada mostra uma mão segurando uma bandeira iraniana junto ao punho de uma espada ornamentada — evocando a lendária Zulfiqar, espada associada ao Imam Ali —, com um anel de pedra vermelha e a mesma frase estampada em faixa vermelha.
Do outro lado, Trump justificou a decisão citando mediação do Paquistão e conversas com seus líderes, afirmando que os objetivos militares foram superados e que o caminho agora é para “paz a longo prazo no Oriente Médio”. Israel também suspendeu bombardeios durante as negociações.
Na Globonews, uma análise do comentarista Demétrio Magnoli corrobora as alegações do porta-voz da IRGC: “TRUMP PERDEU A GUERRA”, afirmou.
Com uma hora e meia para o prazo do Irã reabrir o Estreito de Ormuz, Donald Trump suspendeu os ataques ao Irã por duas semanas, após uma proposta de trégua mediada pelo Paquistão. Trump afirmou ter recebido uma proposta de dez pontos do Irã, enquanto o regime iraniano mencionou uma proposta de 15 pontos enviada por Trump.
“Primeiro um recado para o povo dos mercados. Esqueçam essa história de duas semanas. Trump não tem como retomar a guerra. Trump perdeu a guerra e não tem meios políticos para retomar a guerra, e isso faz com que a gente chegue ao ponto que é uma ruptura, uma divergência radical entre o caminho dos Estados Unidos e o caminho de Israel“, avaliou o comentarista.
Segundo Magnoli, para Israel, a guerra contra o Irã deve ser conduzida até a queda do regime iraniano, mas exige o apoio dos Estados Unidos, cujo acordo com o Irã não pode ser rompido, especialmente sob a presidência de Donald Trump.
“Então, Israel tem que parar a guerra contra o Irã, diga o que disser Netanyahu [Benjamin, Premiê de Israel]. Para o comentarista, não há trégua, mas sim “o fim da guerra“, que “não significa o fim da guerra no Líbano“.
No Brasil, o conflito iniciado em fevereiro já havia paralisado a reaproximação diplomática que o governo Lula construía com a administração Trump desde o final de 2025. Conforme reportagem da RFI publicada no UOL, o ataque conjunto EUA–Israel congelou avanços comerciais e tarifários obtidos após meses de tensão.
Em 31 de março, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que “a guerra é do Donald Trump, não é do povo brasileiro”, ao anunciar medidas para conter alta do diesel. A posição diplomática prioriza solução negociada e proteção da economia nacional.
Especialistas observam que o alinhamento explícito de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com Trump contrasta com a ênfase de Lula na diplomacia e na defesa dos interesses brasileiros.
Em março, durante a conferência conservadora CPAC em Dallas, Texas, o senador e pré-candidato à presidência citou a “superioridade militar e tecnológica dos Estados Unidos“, quando afirmou que ela depende diretamente do acesso a minerais críticos e terras raras brasileiros.
As posições antagônicas dos principais pré-candidatos à Presidência em 2026 acirram o debate eleitoral. O recuo americano no Irã reforça, portanto, o contraste entre o bolsonarismo — que espelha o tom confrontacionista de Trump — e o lulismo, centrado em diplomacia e democracia.
Com as eleições 2026 se aproximando, o desdobramento no Oriente Médio ganha peso estratégico no debate sobre paz, petróleo e a soberania nacional tão defendida pelo Presidente Lula.

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Só do Satânico Donald Trump pedir arrego, mostra seu isolamento, Trump e Netanyahu, são os seres mais repudiados no mundo, chamou todo pra guerra, ninguém foi se lascou