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Tarifas devastam agronegócio nos EUA e Trump avalia pacote emergencial de US$ 10 bilhões

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    Fazendeiros caminham
    Fazendeiros caminham em uma plantação nos EUA / Imagem reprodução American Farm Bureau Federation | O presidente Donald Trump Donald / Foto: Hannah Beier/Bloomberg


    Fontes da Casa Branca revelam que o pacote pode variar de US$ 10 bilhões a US$ 14 bilhões, com possibilidade de expansão para US$ 35 bilhões a US$ 50 bilhões se as perdas se agravarem



    Brasília, 06 de outubro 2025

    O setor agrícola dos Estados Unidos amarga os efeitos colaterais de uma guerra tarifária iniciada pelo presidente Donald Trump. Retaliações de potências como a China cortaram mercados vitais para produtos como a soja, principal exportação do país, avaliada em mais de US$ 24 bilhões em 2024, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

    Com preços de commodities em queda livre e custos operacionais disparando – impulsionados por inflação em fertilizantes, sementes e equipamentos –, produtores rurais alertam para um colapso iminente.

    É nesse contexto que a administração Trump avalia um pacote de auxílio emergencial de pelo menos US$ 10 bilhões, uma medida que ecoa resgates anteriores e promete injetar oxigênio no coração econômico do Meio-Oeste americano.

    A crise não é nova, mas ganhou contornos dramáticos nos últimos meses. Desde maio de 2025, as importações chinesas de soja americana despencaram para zero, em retaliação direta às tarifas impostas por Trump sobre bens manufaturados da Ásia.

    “Os fazendeiros estão perdendo cerca de US$ 100 por acre apenas na soja este ano”, estima o USDA (Departamento de Agricultura dos EUA), em relatório que pinta um quadro sombrio para regiões como o Corn Belt, onde o agronegócio responde por milhões de empregos e bilhões em PIB local.

    A American Farm Bureau Federation corrobora: os impactos vão além das tarifas, somando-se a escassez de mão de obra migratória e uma inflação que elevou despesas em até 30% para muitos produtores.

    Sem intervenção, analistas preveem falências em massa, especialmente entre pequenos e médios fazendeiros de Iowa, Illinois e Minnesota – estados que foram decisivos na reeleição de Trump em novembro de 2024.

    Diante da pressão de lobistas rurais e republicanos no Congresso, o governo acelera discussões para um bailout robusto.

    Fontes da Casa Branca revelam que o pacote pode variar de US$ 10 bilhões a US$ 14 bilhões, com possibilidade de expansão para US$ 35 bilhões a US$ 50 bilhões se as perdas se agravarem.

    O secretário do Tesouro, Scott Bessent, sinalizou que um anúncio oficial pode sair já na terça-feira (7/out), priorizando pagamentos diretos via Commodity Credit Corporation (CCC) do USDA – fundo que já liberou US$ 28 bilhões em auxílios durante a primeira guerra comercial de Trump com a China, em 2018-2019.

    Há muitos mecanismos que podemos usar para aliviar a dor que eles estão sentindo”, afirmou um oficial sênior da administração a jornalistas, destacando a intenção de direcionar receitas de tarifas para o socorro, uma jogada que Trump defendeu publicamente na quarta-feira (1º/out): “Vamos dar aos nossos fazendeiros uma porcentagem da renda das tarifas que estamos recebendo”.

    A secretária de Agricultura, Brooke Rollins, reforça o otimismo oficial. Em discurso em Kansas City, Missouri, ela anunciou um memorando de acordo entre os departamentos de Agricultura e Justiça para “proteger fazendeiros e rancheiros do fardo imposto por custos de insumos altos e voláteis“, além de fomentar cadeias de suprimentos competitivas e preços mais baixos.

    Rollins, que assumiu o cargo em janeiro de 2025, modela o plano atual no sucesso relativo do bailout anterior, mas adverte: “Estamos muito próximos de anunciar o que faremos, mas ainda não estamos prontos com um plano de pagamentos definitivo”.

    Críticos, porém, questionam a sustentabilidade: republicanos no Capitólio já tramam emendas orçamentárias para evitar confrontos no Congresso, enquanto democratas rotulam o esquema como “um ciclo vicioso de tarifas que machucam os mesmos eleitores que Trump prometeu defender”.

    O impasse com Pequim adiciona camadas à equação. Trump planeja pressionar o presidente chinês Xi Jinping por compras de soja americana durante cúpula na Coreia do Sul nas próximas semanas – uma negociação que poderia reduzir a necessidade de auxílios.

    No entanto, textos vazados do celular de Bessent durante sessão da ONU revelam frustrações internas: um bailout de US$ 20 bilhões para a Argentina recente, que liberou mais soja para a China, foi criticado como “dando mais alavancagem a Pequim contra nós”.

    Enquanto isso, o governo shutdown parcial, que paralisou partes do USDA, complica a execução rápida dos pagamentos.

    Para o agronegócio americano, o momento é de sobrevivência. Organizações como a Farm Policy News destacam que, sem diversificação urgente para mercados domésticos ou rotas de exportação alternativas – como Europa e Índia –, os efeitos das tarifas podem se estender por anos.

    Trump, fiel ao mantra “os fazendeiros vão fazer uma fortuna no final“, aposta em uma virada protecionista, mas, para os produtores no front das plantações, o alívio bilionário é mais que uma promessa: é a tábua de salvação em meio ao vendaval comercial que ele mesmo desatou.



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