País é superpotência comercial após feito histórico da abertura de 508 mercados desde 2023, o que promete injetar mais de 37 bilhões de dólares na Economia nacional
Brasília, 15 de dezembro 2025
O Presidente da República Federativa do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva (PT), utilizou uma metáfora do futebol para dimensionar o sucesso econômico atual, mas guardou a jogada mais marcante para definir a estratégia de comércio exterior do país.
“O que sempre me incomodou no futebol é que às vezes você tem um jogador que dribla três quatro adversários, passa a bola livre pro cara marcar o gol, o cara marca o gol, ao invés dele agradecer o cara que passa a bola, ele corre pra plateia, corre tudo, como se fosse ele o cara que fez a jogada“.
Lula usou essa imagem para explicar que, no acerto da política, ao contrário do campo de futebol, “você não pode correr pro abraço sozinho“.
O sucesso de conquistas como a abertura de 508 novos mercados, se deve ao “aprendizado que nós tivemos ao longo de muitos anos,” dependendo da “boa vontade dos empresários” e dos ministros.
Atingindo um recorde histórico de 508 novos mercados internacionais abertos em pouco mais de três anos, o presidente resumiu a atual fase da economia brasileira: “a gente produz para atender o mercado interno e a gente produz tão bem que a gente consegue atender as necessidades do mercado externo essa é a coisa mais perfeita que poderia acontecer“.
Essa visão, que combina o fortalecimento do mercado interno com a expansão global, foi o tema central da cerimônia desta segunda-feira (15/dez), de celebração dos 500 novos mercados e da inauguração da sede própria da ApexBrasil – Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, em Brasília.
ApexBrasil de Casa Nova e o Salto dos 500 Mercados
O evento marcou um ponto de inflexão para a agência que, criada em 2003 no primeiro mandato de Lula, deixou de funcionar em prédios alugados após mais de 20 anos, inaugurando sua sede própria.
O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, destacou o simbolismo da nova sede e a celeridade com que o governo conquistou os novos acessos: o governo anterior abriu pouco mais de 200 mercados em quatro anos; o atual já atingiu 506 (e contando, já são 508) em três anos.
As novas aberturas, distribuídas em mais de 80 países entre 2023 e 2025, já somam 3,4 bilhões de dólares em exportações.
Contudo, o potencial é imensurável, com o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) estimando que essa expansão pode gerar mais de 37 bilhões de dólares por ano.
Lula e seu vice-presidente, Geraldo Alckmin, foram reconhecidos como catalisadores desse avanço por meio da diplomacia presidencial.
Jorge Viana revelou que Lula liderou 19 encontros empresariais em viagens internacionais, reunindo mais de 8.000 empresários.
O Agro e a Competitividade Global
Representantes do setor privado enfatizaram que o acesso a novos mercados é fundamental para a geração de empregos, renda e desenvolvimento.
• Proteína Animal: Wesley Batista, conselheiro da JBS, ressaltou que o setor de proteína animal nunca exportou tanto quanto agora.
• Algodão: Alessandra Zanoto Costa, da ABAPA, celebrou o fato de o Brasil ter se tornado o maior exportador mundial de algodão (detendo cerca de 33% da participação global), com projeções de superar 5 bilhões de dólares em receitas até 2026. A produtora da Bahia enfatizou que o algodão brasileiro é produzido com responsabilidade social e ambiental, com mais de 80% da produção sendo certificada.
• Feijões e Grãos Especiais: Caroline da Soler, da Soler Agronegócio, destacou que a abertura de 10 novos mercados para feijões e gergelim levou a um aumento impressionante nas exportações em comparação com 2024: 45% nos feijões e 49% no gergelim. Ela ressaltou que esse crescimento ocorreu “sem impacto nenhum nos preços do feijão no mercado interno“, garantindo a segurança alimentar nacional.
O ministro Carlos Fávaro (MAPA) reforçou que a conquista dos 500 mercados é um “feito histórico“, resultado da “providência divina” e do trabalho de homens e mulheres. Ele mencionou conquistas sanitárias, como o certificado de livre da febre aftosa sem vacinação, o que fortalece a credibilidade dos produtos brasileiros.
Inovação, Tecnologia e Reforma Tributária
A excelência brasileira não se restringe ao volume de commodities; o presidente Lula desafiou a visão de que o Brasil exporta apenas bens de baixo valor agregado, lembrando o investimento em genética na carne e a tecnologia no grão de soja.
A presidente da Embrapa, Silvia Masruhá, destacou que a ciência e a tecnologia são ativos estratégicos, enfatizando que o Brasil está desenvolvendo uma agricultura de baixo carbono, resiliente às mudanças climáticas, e que a Embrapa trabalha para levar essa expertise inclusive para a África.
O vice-presidente Geraldo Alckmin também sublinhou as melhorias estruturais, como a Reforma Tributária, que desonera totalmente a exportação, eliminando o acúmulo de créditos e o “mico” da demora na devolução.
Um estudo do IPEA aponta que a exportação brasileira pode crescer 17% após a completa implantação da reforma. Alckmin também citou o Portal Único, que deve reduzir o Custo Brasil em 40 bilhões de reais por ano.
Futuro: A Aposta na Transição Energética e Mercados Estratégicos
Olhando para frente, Lula anunciou três missões empresariais cruciais para o futuro do comércio e tecnologia do Brasil:
1. Hannover Messe, na Alemanha, em abril. O presidente pretende levar a maior comitiva empresarial já vista para a maior feira industrial do mundo, desafiando a Alemanha a reconhecer que o combustível brasileiro emite menos CO2.
2. Índia, em fevereiro, onde o fluxo comercial de apenas 12 bilhões de dólares é considerado inaceitável para países com grande potencial de troca.
3. Coreia do Sul, também em fevereiro, onde o foco será o setor de beleza (cosméticos e máquinas) e a proteína animal.
O presidente concluiu afirmando que o Brasil está vivendo seu melhor momento econômico, com o “menor índice de desemprego da história do Brasil” e o “maior PIB dos últimos 15 anos“, e reforçou que o país “não vai jogar fora o século da transição energética“.

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