Com o dólar em queda, o ouro em alta e as atuais políticas erráticas de Washington, investidores adotam a estratégia “Sell America“
Nova Iorque (US) · 01 de fevereiro de 2026
No alvorecer de 2026, uma mudança sísmica abala os mercados financeiros: investidores globais, outrora ávidos por ativos americanos, agora adotam a tese “Sell America (Vender a América)”, uma estratégia que prioriza a diversificação para mitigar riscos crescentes nos Estados Unidos.
A expressão é usada principalmente por analistas financeiros e comentaristas de mercado para descrever
períodos em que os investidores, coletivamente, se afastam de ativos atrelados aos EUA.
Essa tendência, que reflete o enfraquecimento do dólar, a estagnação das bolsas e o encarecimento da dívida pública, não sinaliza uma debandada total, mas uma reavaliação prudente de portfólios, conforme relatado por fontes especializadas.
A moeda norte-americana acumulou uma desvalorização de cerca de 10% nos últimos 12 meses, culminando em uma queda de 0,2% em sessões recentes, impulsionada por incertezas políticas.
Como consequência, fluxos de capital migram para o ouro e metais preciosos, que atingiram picos históricos – o ouro superando US$ 4.700 por onça –, e para ações europeias, que renderam o dobro das americanas em termos de dólar.
Analistas enfatizam que essa migração visa proteção, não pânico. Entre os catalisadores, destacam-se as políticas erráticas de Washington, com o presidente Donald Trump intensificando pressões sobre a independência do Federal Reserve (Fed).
Em 12 de janeiro, o chair (Presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos [FED]) Jerome Powell revelou estar sob investigação criminal, interpretado por investidores como uma tentativa de Trump de subjugar o banco central.
“Isso é inequivocamente risk off (aversão ao risco)”, comentou Krishna Guha, da Evercore ISI (Líder global em análise econômica), em análise exclusiva da CNBC, alertando para prêmios de risco elevados em ativos americanos.
A investigação decorre de decisões do Fed baseadas em dados econômicos, contrastando com preferências presidenciais, incluindo propostas como um teto de 10% nos juros de cartões de crédito, que derrubaram ações bancárias.
Adicionalmente, ameaças de novas guerras comerciais com a Europa, especialmente ligadas à ambição de Trump pela Groelândia, exacerbaram o sell-off, ou seja, intensificaram a velocidade e a magnitude de uma liquidação generalizada de ativos financeiros no mercado.
Em 20 de janeiro, o escalonamento de tarifas e disputas geopolíticas – incluindo remoção de líderes na Venezuela e repressão no Irã – desencadeou essa venda generalizada de ações, títulos e dólar, revivendo a “Sell America” como um eco de turbulências passadas.
De acordo com a Reuters, esses ruídos podem ser efêmeros, semelhantes a solavancos de 2025, mas o FMI elevou a previsão de crescimento americano para 2,4% em 2026, impulsionado por investimentos em IA, chips e energia.
Previsões para o S&P 500 em 2026 variam: analistas da FactSet projetam fechamento em 7.968,78, implicando ganho de 16%, enquanto a RBC Capital Markets estima 7.750 em cenário base.
Contudo, estimativas estratosféricas das Magnificent Seven tech (Sete Magníficas: Apple, Microsoft, Amazon, Alphabet (Google), Meta Platforms, Nvidia e Tesla) e um mercado de trabalho em desaceleração geram cautela. O dólar registrou seu pior ano desde 2017, potencializando preocupações com a “sell America”, como detalhado pelo The New York Times.
Intimações ao Fed reviveram temores de erosão da autonomia, com declínios modestos em ações e títulos, mas ouro em alta, conforme a Bloomberg. Especialistas como Ed Yardeni, da Yardeni Research ( renomada consultoria econômica independente), observam que o mercado resiste, mas a volatilidade persiste.
“A fraqueza em ações e Treasuries após retórica sobre Greenland aponta para retorno do sentimento ‘sell US assets’”, afirmou Ian Lyngen, da BMO Capital Markets ( subsidiária de banco de investimento do Bank of Montreal).
Investidores estrangeiros, especialmente em mercados emergentes como o Chile, beneficiam-se dessa tendência, com influxos recordes em dívidas locais.
Essa dinâmica não é inédita – ecoa o “Trump Dump1” de 2025 –, mas em 2026 ganha contornos mais graves com riscos à ordem global baseada em regras.
Analistas da JPMorgan e Federated Hermes veem hedging contra dólar fraco, não uma venda total, com resiliência em ações e títulos apesar da queda cambial.
Até 31 de janeiro, relatos da Bloomberg indicam que o declínio do dólar reflete hedges ( estratégia de proteção usada por investidores e empresas para reduzir riscos e minimizar perdas causadas pela volatilidade, não pânico generalizado.
- O termo Trump Dump é utilizado atualmente para descrever dois eventos distintos que ganharam destaque entre o final de 2025 e o início de 2026:
1. Crise e Volatilidade nos Mercados (Finanças). No contexto econômico, o termo descreve quedas acentuadas e repentinas nos mercados financeiros causadas por anúncios ou ameaças de tarifas do presidente Donald Trump:
♦ Queda no Mercado Cripto: Em outubro de 2025, o termo foi amplamente usado após o anúncio de tarifas de 100% sobre a China, que desencadeou a maior liquidação da história das criptomoedas (cerca de US$ 19 bilhões em 24 horas), levando o Bitcoin a cair drasticamente.
♦ Ações sob Ataque: O termo também se aplica a empresas específicas que sofrem desvalorização imediata após críticas ou posts de Trump em suas redes sociais. No início de janeiro de 2026, novas ameaças tarifárias relacionadas à Europa e à Groenlândia voltaram a pressionar os índices de Wall Street.
2. Polêmica de Vídeo com IA (Redes Sociais): Em outubro de 2025, Trump gerou uma forte reação negativa ao publicar no Truth Social um vídeo gerado por Inteligência Artificial.
No vídeo:
♦ Trump aparece pilotando um jato militar chamado “King Trump” e despejando fezes (dejetos) sobre manifestantes do movimento “No Kings”.
♦ O vídeo foi criticado por democratas como uma resposta não institucional a protestos em massa ocorridos durante um período de paralisação do governo (shutdown).
3. Outros Significados:
Estátua Famosa: Existe uma estátua satírica de quase 5 metros chamada Dump Trump, que mostra Trump sentado em um vaso sanitário dourado;
Sátira Política: “Donald Dump” é um apelido pejorativo usado por opositores, incluindo Joe Biden em 2024, para satirizar o ex-presidente. ↩︎

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