Depoimento sigiloso à PF expõe almoço privado e contatos institucionais, desencadeando ofensiva oposicionista por cassação no Distrito Federal
Banqueiro Daniel Vorcaro revelou à PF ter discutido venda do Banco Master ao BRB com governador Ibaneis Rocha, citando almoço em sua casa. Ibaneis nega: “Entrei mudo e saí calado”. Operação vetada pelo BC em set/2025 gerou rombo de R$4 bi no BRB por créditos falsos de R$12,2 bi. Oposição pede impeachment na CLDF em 23/jan. Inquérito no STF apura fraudes; conexões políticas incluem Ciro Nogueira.
Brasília (DF) · 23 de janeiro de 2026
O banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, prestou depoimento à Polícia Federal (PF) revelando ter tratado “algumas vezes” com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), sobre a venda da instituição financeira ao Banco de Brasília (BRB), em desdobramento que abala os corredores do poder em Brasília.
O testemunho, ocorrido em 30 de dezembro, integra inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga crimes financeiros na frustrada transação, vetada pelo Banco Central (BC) em setembro de 2025.
Vorcaro mencionou ainda que o governador visitou sua residência, marcando a primeira citação de um político nas apurações, conforme apurou oEstadão.
Procurado, Ibaneis Rocha negou qualquer discussão sobre o tema, afirmando ter ido apenas a um almoço na casa do banqueiro: “Estive uma vez a convite para um almoço, quando conheci ele. Entrei mudo e saí calado“.
O governador reiterou que os diálogos ocorreram em ambientes institucionais, com presença de terceiros, e que nunca tratou diretamente da operação, delegando-a ao ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, como relatado à CNN Brasil.
A proposta de venda do Banco Master ao BRB, anunciada em mar/2025, prometia elevar os dividendos do tesouro distrital a R$ 1 bilhão anuais, segundo estimativas iniciais de Ibaneis.
No entanto, o negócio foi barrado pelo BC por irregularidades, culminando na liquidação extrajudicial do Master em nov/2025. Investigações da PF e do Ministério Público Federal (MPF) apontam que o Master vendeu R$ 12,2 bilhões em carteiras de créditos inexistentes ao BRB, gerando um rombo estimado em R$ 4 bilhões nas contas do banco estatal.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, cobrou aporte urgente do governo local para evitar intervenção do BC, conforme fontes da agência Reuters.
Vorcaro, preso em novembro durante operação que também afastou executivos do BRB, destacou em seu depoimento contatos mútuos em residências, mas evitou detalhes sobre as conversas.
Paulo Henrique Costa, em oitiva no mesmo dia, confirmou que Ibaneis era informado das operações com o Master.
A vice-governadora Celina Leão (PP) afirmou, após a liquidação, que o governador ordenou a troca na presidência do BRB: “Nós não temos compromisso com erro. Então o próprio governador Ibaneis fez hoje a troca, já indicou um outro nome e aquilo que tiver que ser apurado, será apurado“, segundo o g1.
Diante das revelações, a oposição – composta por partidos como PSB, Cidadania e PSol – protocolou pedido de impeachment contra Ibaneis na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) nesta sexta-feira (23/jan), alegando envolvimento no esquema que comprometeu as finanças públicas.
A medida, segundo outra matéria do Estadão, intensifica o escrutínio sobre as conexões políticas de Vorcaro, que incluíam figuras como o senador Ciro Nogueira (PP) e o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, conforme investigação do Intercept Brasil.
O caso expõe vulnerabilidades no sistema bancário brasileiro, com o BRB negociando a venda de quase R$ 1 bilhão em carteiras para Itaú e Bradesco para mitigar prejuízos.
Analistas alertam para impactos na disputa eleitoral de 2026, onde Ibaneis planeja concorrer ao Senado.

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