Na ausência de provas concretas e negativas públicas dos envolvidos não se deve dar curso a fofocas ou teorias conspiratórias, diz o jornalista

Brasília (DF) · terça-feira, 30 de dezembro 2025
O jornalista Reinaldo Azevedo relata uma conversa direta por telefone com o banqueiro André Esteves, controlador do BTG Pactual, para confrontar boatos que circulam nas redes sociais.
Azevedo perguntou explicitamente se Esteves desejava “derrubar” o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, deixando claro que a indagação era “em on” – ou seja, pública e com permissão para divulgação. Esteves respondeu categoricamente: “Esse boato é absurdo; claro que não!”.
A iniciativa de Azevedo, em coluna publicada no UOL, surge em meio a especulações que atribuem a Esteves o vazamento de detalhes de um contrato entre o Banco Master – liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro – e o escritório de advocacia Barci de Moraes, da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes.
O contrato, revelado por reportagens, previa pagamentos milionários, mas a Procuradoria-Geral da República (PGR) já afirmou não ver ilicitude nele a priori.
Esteves negou qualquer vazamento, alegando não ter acesso privilegiado a documentos sigilosos, e afirmou existir uma “campanha orquestrada” contra ele.
Azevedo critica o que chama de “excesso de offs e carência de ons” no jornalismo sobre o caso, referindo-se ao uso excessivo de fontes anônimas para sustentar acusações graves sem provas materiais.
Para o colunista, tentar usar o episódio para desestabilizar ministros do STF – com Moraes como alvo inicial – enfraquece a democracia e as instituições.
Ele compara o fenômeno a abusos observados na Operação Lava Jato, onde acusações sem fundamento levaram a consequências graves, e lembra que o próprio Esteves foi alvo injusto naquela época, com inocência posteriormente reconhecida pelo STF.
O jornalista enfatiza que, na ausência de provas concretas e com negativas públicas dos envolvidos, não se deve dar curso a fofocas ou teorias conspiratórias. “Não integro pelotões de fuzilamento ou de linchamento”, afirma, rejeitando a ideia de que fins considerados virtuosos justifiquem qualquer meio – uma crítica ao maquiavelismo distorcido e à visão brechtiana de que países “infelizes” precisam de heróis para sobreviver.
Azevedo diferencia o caso de acusações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, onde há provas nos autos de tentativa de golpe, das ilações atuais sobre Moraes, baseadas em anônimos.
Ele saúda a vitória institucional contra o golpismo, mas alerta que linchamentos midiáticos ou nas redes, ancorados em rumores, corroem o jornalismo profissional e o equilíbrio entre poderes.
A coluna encerra com uma defesa da máxima “os meios qualificam os fins”, rejeitando atalhos éticos em nome de objetivos políticos ou institucionais, e deseja bom Ano Novo aos leitores.
O texto reflete a posição de Azevedo como crítico de excessos tanto à direita quanto em eventuais abusos institucionais, priorizando provas e transparência pública sobre narrativas anônimas.

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