Empresa retira peça de lojas após polêmica com frase ligada a discurso misógino e caso de violência sexual no Rio
Brasília (DF) · 13 de março de 2026
A empresa Renner recolheu da venda a camisa preta com a frase em inglês “Regret nothing” (não se arrependa de nada) depois que Vitor Hugo Simonin, de 19 anos, a usou ao se entregar na 12ª DP (Copacabana), no Rio de Janeiro, na quarta-feira (4/mar).
A peça ganhou repercussão nacional porque o acusado é réu por estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos em apartamento no mesmo bairro.
A retirada ocorreu no domingo (8/mar), conforme apurou a Folha de S.Paulo.
Em nota oficial, a Renner informou que agiu após a repercussão negativa e “repudia qualquer forma de violência ou conduta ofensiva e reafirma seu compromisso com seus valores e princípios institucionais”.
A empresa explicou que o conceito da blusa partiu de “manifestações culturais contemporâneas como poesias e composições musicais”, com mensagem de “autenticidade e superação”, sem ligação a ideologias agressivas.
A frase “Regret nothing” é mantra recorrente na chamada machosfera, rede de comunidades online que propagam discursos de ódio contra mulheres e têm Andrew Tate como referência.
O influenciador americano-britânico, réu por estupro, tráfico humano e exploração sexual de menores, repete a ideia de que arrependimento é sinal de fraqueza.
Especialistas ouvidos pela Folha de S.Paulo destacam que o uso da camisa por Vitor Hugo Simonin inscreve o réu nessa subcultura, mesmo que ele negue participação no crime.
O advogado Ângelo Máximo declarou que o cliente se apresentou “de cabeça erguida” e “vai provar sua inocência”, segundo registros veiculados pela CNN Brasil.
Fotos exclusivas de Vitor Hugo Simonin sendo escoltado por agentes da Polícia Civil com a camiseta visível foram publicadas em O Globo, o que ampliou a indignação nas redes.
O caso expõe como símbolos da misoginia online invadem o cotidiano e desafiam o avanço democrático na proteção às mulheres.
A ação rápida da Renner demonstra que empresas não podem ignorar o impacto social de seus produtos quando se trata de violência contra a mulher.

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