‘Oderint dum metunant’ [Que odeiem, desde que temam] é a simplificação de uma frase de cunho político, atribuída a um dos mais vis personagens da história de horror e morte do império nazista

A referência neo-Nazi utilizada pelo assessor de Bolsonaro é bem mais do denuncia e revela o ‘Judeus pela Democracia’. A frase em latim ‘Oderint dum metunant’, que significa “Que odeiem, desde que temam”, é o encurtamento de uma expressão de cunho político atribuída a um dos mais vis personagens da história de horror e morte do império nazista, que provocou a morte de seis milhões de judeus até o fim da Segunda Grande Guerra.
O ‘Judeus pela Democracia’ escreveu em seu perfil no Twitter: “Mais uma referência neonazista à coleção do governo. Coincidências infindáveis: “Que odeiem, desde que temam” (Oderint dum metuant) é lema do infame grupo neonazi Combat 18. Essa foi a frase de apoio de Filipe Martins, assessor internacional de bolsonaro, ao guru preso S Bannon”.
Mais uma referência neonazista à coleção do governo. Coincidências infindáveis:
— Judeus pela Democracia – Oficial (@jpdoficial1) August 22, 2020
“Que odeiem, desde que temam” (Oderint dum metuant) é lema do infame grupo neonazi Combat 18. Essa foi a frase de apoio de Filipe Martins, assessor internacional de bolsonaro, ao guru preso S Bannon. pic.twitter.com/VcUOQPnbXg
A capa da matéria divulgada pelo ‘Judeus pela Democracia’ refere-se à mensagem em latim “Oderint dum metuant“, que significa “Que odeiem, desde que temam“, publicada nas redes sociais pelo assessor-chefe para assuntos internacionais de Jair Bolsonaro, Filipe Garcia Martins, na noite de quinta (20), mesma data da prisão de seu guru, Steve Bannon, nos EUA, acusado de participação em fraude numa campanha virtual de doações relacionada à construção de um muro na fronteira entre EUA e México, que seria uma das promessas de campanha do presidente Donald Trump.
O ‘Judeus pela Democracia’ acusou o assessor de usar uma frase de um grupo neonazista criado em 1992 no Reino Unido. Em uma de suas postagens para divulgação na web, o ‘Combat 18’ assume seu perfil ‘neo-Nazi’ na segunda página, de um total de vinte e três, revelando que a dezena 18 associada à nomenclatura utilizada, refere-se às iniciais de Adolf Hitler onde ‘1’ seria a primeira letra do alfabeto ‘A’ e o ‘8’ a oitava letra, ‘H’.
Logo na terceira página surge a frase “Oderint dum metuant” e o nome do criador do logo do grupo. Veja a seguir:
Mas a denúncia do ‘Judeus pela Democracia’ deixou outro fato despercebido que, com toda a certeza, é muito mais grave do que as ideias neo-Nazis defendidas pelo ‘Combat 18’: na história do próprio nazismo alemão e de seu mais vil protagonista, Adolf Hitler fundou, em 1925, a Schutzstaffel, ou SS, a elite brutal de seu partido que veio a cometer os mais perversos crimes que a humaninade conheceu em todo o século 20, tirando as vidas de seis milhões de judeus.
A partir de 1929, a SS Nazista ficou sob a responsabilidade de Heinrich Luitpold Himmler que, com apenas 29 anos de idade, iniciou sua carreira de horror e morte como um cruel comandante militar que veio a se tornar um dos principais líderes do Partido da Alemanha Nazista.
Himmler foi nomeado pelo Füher como Comandante do Exército de Reserva e General Plenipotenciário e passou a controlar todo o Reich se elevando a uma das figuras mais poderosas da Alemanha Nazista, podendo ter sido o maior responsável pelo Holocausto.
Os membros da SS eram escolhidos a dedo por sua noção do que representava a ‘supremacia ariana’ para Adolf Hitler e, depois, eram enviados para administrar campos de concentração espalhando a morte e a destruição por onde fossem, em crimes que jamais serão apagados da memória humana. Fanáticos e impiedosos, aniquilaram, torturaram e escravizaram milhões de vidas.
Sobre Himmler, há uma frase a quem a história lhe atribui: “A melhor arma política é a arma do terror. A crueldade impõe o respeito. Os homens podem nos odiar, mas não pedimos por seu amor, apenas pelo seu medo”. Encurtando-se a longa expressão, teremos: “Que odeiem, desde que temam”, ou “Oderint dum metuant“, donde se conclui que, certamente, o Combat 18 teve por inspiração as perigosas palavras do chefe da Schutzstaffel.
