Especialistas orientam seguidores do líder da trama golpista que não buscaram por atendimento – após desmaio e recuperação rápida – que o façam
Brasília (DF) · 26 de janeiro de 2026
Um raio atingiu manifestantes na Praça do Cruzeiro, em Brasília, durante o ato que marcou o encerramento da caminhada promovida pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), em apoio ao ex-presidente preso por tentativa de golpe de Estado, Jair Bolsonaro (PL).
Impossível continuar ateu depois dessa cena.
— Senhora RIVOTRIL🚩❤️ (@SRivoltril) January 26, 2026
O céu abriu a boca, limpou a garganta e disse
me respeita
Não foi discurso, foi efeito especial divino
Sem legenda, sem live, sem pix
Um raio no meio do ato, poesia elétrica
Deus não debate
Deus responde
E às vezes responde alto ⚡ pic.twitter.com/4nWMoPzGcs
O incidente, ocorrido por volta das 12h50 de domingo (25/jan), provocou pânico generalizado, com clarão intenso e estrondo comparado a uma explosão, deixando feridos dezenas de apoiadores do presidiário.
De acordo com o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, 89 indivíduos receberam atendimento no local, enquanto pelo menos 47 foram encaminhados a hospitais. À noite de domingo (25/jan), nove continuavam internados.
Especialistas enfatizam que, mesmo em casos de recuperação rápida após desmaio, o atendimento médico imediato é indispensável.
Sergio Timerman, diretor do Centro de Parada Cardíaca, Time de Resposta Rápida e Ciência da Ressuscitação do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da USP, explicou, conforme transcrição na Folha de S.Paulo:
“Os efeitos de um raio dependem da intensidade da descarga e, principalmente, da forma como a pessoa foi atingida“, disse.
Ele destacou que as consequências variam desde efeitos transitórios até parada cardiorrespiratória, influenciadas pela energia do raio, pelo trajeto da corrente elétrica pelo corpo e pelo mecanismo de exposição – impacto direto, contato ou corrente de solo.
“Não existe um único padrão de lesão, por isso toda vítima de raio deve ser avaliada e tratada como potencialmente grave, mas potencialmente reversível“, completou.
Já Milton Steinman, cirurgião-geral da equipe de Trauma do Hospital Israelita Albert Einstein, reforçou a necessidade de observação:
“Todas as vítimas de descarga elétrica que levam a perda de consciência necessitam ser examinadas e mantidas em observação. Além de alterações cardíacas podem ocorrer lesões neurológicas e até mesmo queimaduras“, afirmou.
Ele alertou ainda para “a possibilidade de traumatismo craniano e outros traumas, pois pode ter havido queda ao solo no momento da descarga“.
As vítimas de descargas atmosféricas enfrentam riscos graves ao coração – incluindo arritmias e parada cardiorrespiratória –, ao cérebro – com danos neurológicos que podem se manifestar tardiamente – e à pele, com queimaduras profundas ou figuras características de Lichtenberg1.
O trauma secundário por quedas agrava o quadro, demandando avaliação multidisciplinar em pronto-socorro equipado.
O episódio reacende o debate sobre segurança em eventos ao ar livre durante tempestades, especialmente em regiões de alta incidência de raios como o Distrito Federal.
- As figuras de Lichtenberg são marcas cutâneas características e praticamente exclusivas de vítimas atingidas por raios (ou, em casos raros, por descargas elétricas de altíssima voltagem). Elas recebem esse nome em homenagem ao físico alemão Georg Christoph Lichtenberg, que as descreveu pela primeira vez no século XVIII ao estudar descargas elétricas em superfícies isolantes.No contexto de sobreviventes de descargas atmosféricas, essas figuras aparecem como padrões ramificados, arborescentes ou em forma de helecho (samambaia), com traços finos, intrincados e avermelhados (eritematosos) na pele. Elas surgem devido à passagem da corrente elétrica de altíssima voltagem e intensidade, que ioniza o ar e a umidade superficial da pele, criando caminhos preferenciais de descarga. Esse processo provoca a ruptura ou dilatação temporária dos pequenos vasos capilares (capilares dérmicos) e a liberação de hemoglobina, gerando marcas que lembram galhos de árvore, raízes ou fractais naturais.Diferentemente de queimaduras térmicas convencionais, as figuras de Lichtenberg geralmente não são lesões de queimadura profunda por calor extremo — o raio viaja tão rápido que o dano térmico é mínimo na maioria dos casos. Em vez disso, representam um fenômeno eletrostático e vascular: a eletricidade segue os caminhos de menor resistência (como suor, umidade ou vasos sanguíneos), produzindo um efeito de “impressão” transitória na derme.Características principais:Aparência: padrões fractais rosa-avermelhados ou arroxeados, ramificados, semelhantes a tatuagens temporárias ou desenhos de raios.
Localização: frequentemente ao longo do trajeto da corrente pelo corpo (tronco, braços, pernas, pescoço).
Duração: na grande maioria dos casos, desaparecem espontaneamente em 24 a 48 horas (às vezes até alguns dias), sem deixar cicatrizes permanentes — o que reforça seu caráter patognomônico (sinal diagnóstico clássico) de fulguração por raio.
Ausência de dor intensa local: muitas vezes a vítima nem percebe a marca inicialmente, pois a prioridade são os danos sistêmicos (cardíacos, neurológicos etc.).
Essas figuras são consideradas um sinal patognomônico de lesão por raio em medicina de emergência e medicina legal, ajudando a diferenciar fulguração (atingimento por raio atmosférico) de outras causas de eletrocussão. Em casos fatais, elas também são observadas na autópsia como evidência conclusiva.Embora impressionantes visualmente — e frequentemente descritas como “tatuagens da natureza” ou “cicatrizes de flores de raio” —, elas servem como lembrete da potência devastadora de uma descarga elétrica atmosférica, mesmo quando a vítima sobrevive. ↩︎

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