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Grampos ilegais de Moro contra autoridades revelou crimes, mas juiz nada fez e usou informações como chantagem

    Revelação de Daniela Lima diz respeito a material apreendido pela Polícia Federal na 13ª Vara Federal de Curitiba, incluindo transcrições de escutas ambientais e relatórios de inteligência ocultos por duas décadas

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    Manifestação em
    Manifestação em frente à sede da Justiça Federal em Curitiba / Foto: Bebel Ritzmann
    RESUMO


    Brasília (DF) · 29 de janeiro de 2026

    A Polícia Federal localizou, durante operação de busca e apreensão realizada na 13ª Vara Federal de Curitiba no início de dezembro de 2025, documentos que comprovam ordens diretas do então juiz Sergio Moro para grampear autoridades protegidas por prerrogativa de foro — prática que extrapolava sua competência como magistrado de primeira instância.

    A informação veio à tona por meio da colunista Daniela Lima, do UOL, que teve acesso exclusivo à íntegra de uma gravação de 40 minutos envolvendo o então presidente do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR), Heinz Herwig, realizada em fevereiro de 2005 no escritório do delator Tony Garcia.

    Um despacho judicial assinado por Moro em julho daquele ano determina que Tony Garcia tentasse gravar “novamente” a autoridade, sob a justificativa de que as escutas anteriores eram “insatisfatórias para os fins pretendidos”.

    O caso remonta ao escândalo do Banestado e desdobramentos que envolveram o doleiro Alberto Youssef e o ex-deputado estadual Tony Garcia, preso por suspeitas de desvios em consórcio e liberado após firmar acordo de colaboração premiada — ainda sem lei específica na época.

    O pacto, assinado pelo próprio Moro e pelo Ministério Público Federal, incluía mais de uma dezena de “missões” para o delator, que deveria usar “todos os meios” para apurar suspeitas contra Heinz Herwig, desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) e outras figuras com foro privilegiado no Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou Supremo Tribunal Federal (STF).

    Um agente da Polícia Federal foi infiltrado no escritório de Tony Garcia em Curitiba, apresentado como secretário, para supervisionar o trabalho e instalar escutas ambientais — transformando o local em uma verdadeira “grampolândia”, conforme descreveu Daniela Lima no podcast UOL Prime, apresentado por José Roberto de Toledo na quarta-feira (28/jan).

    Relatórios de inteligência produzidos semanalmente ou a cada dez dias chegavam ao juiz, mas grande parte do material obtido nunca foi juntada aos autos processuais, permanecendo guardada — inclusive em uma famosa “caixa amarela” — por cerca de 20 anos nas dependências da vara.

    A PF precisou de ordem expressa do ministro Dias Toffoli, do STF, para acessar o acervo, após sucessivas requisições ignoradas.

    Durante a operação, houve resistência inicial para abertura de arquivos físicos (papel e disquetes), o que levou o delegado a contatar o ministro, sob ameaça de afastamento por obstrução de justiça.

    No grampo com Heinz Herwig, transcrito em cerca de 20 páginas, há menções a suspeitas envolvendo deputados federais, governador e o próprio Sergio Moro, descrito textualmente como alguém que “não é só juiz, ele é policial, ele é o promotor, ele é o juiz e ele tá usando os instrumentos que tem para perseguição política”.

    Daniela Lima destacou no podcast que o material sugere não apenas irregularidade pontual em 2005, mas crime continuado: a guarda prolongada das gravações teria servido como “super trunfo” para exercer influência sobre a classe política e jurídica do sul do Paraná por décadas.

    A tese da PF contrasta com a defesa de Moro, que invoca prescrição e nega irregularidades, classificando as acusações como fantasias de condenados.

    O senador rebateu as reportagens do UOL relacionando-as a outros casos políticos, mas não contestou diretamente a existência do despacho ou da transcrição obtida pela PF.

    O caso ganha contornos eleitorais, pois Sergio Moro é cotado como pré-candidato ao governo do Paraná em 2026, embora já enfrente resistência interna em legendas aliadas.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



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