Também há citações a nomes do Congresso Nacional; diálogos apreendidos em celular do banqueiro podem redefinir investigação sobre fraudes milionárias no Banco Master e expor redes de influência política
Brasília (DF) · 12 de fevereiro de 2026
Em um desdobramento que intensifica as tensões institucionais, a Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal um relatório detalhado extraído do celular de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, revelando diálogos diretos com o ministro Dias Toffoli.
O material, entregue ao presidente do STF, Edson Fachin, na quarta-feira (11/fev), inclui menções a integrantes do Congresso Nacional e suscita questionamentos sobre a imparcialidade na condução do inquérito.
A perícia nos dispositivos eletrônicos apreendidos durante a Operação Compliance Zero identificou conversas que indicam proximidade entre Vorcaro e Toffoli, relator do caso no STF. Segundo apuração do g1.
O relatório aponta para possíveis indícios de irregularidades, levando a PF a invocar o artigo da Lei Orgânica da Magistratura que trata de crimes cometidos por juízes e o regimento interno do STF sobre declaração de suspeição.
Os diálogos envolvem referências cifradas a valores e interações que poderiam comprometer a neutralidade do ministro, diz a Folha de S.Paulo.
Em resposta veemente, o gabinete de Toffoli classificou as alegações como “ilações” sem fundamento jurídico, argumentando que a PF carece de legitimidade para requerer suspeição, conforme o Código de Processo Civil.
“A instituição não tem legitimidade para o pedido”, afirmou o ministro em nota divulgada na mesma data, rebatendo as acusações e enfatizando a regularidade de sua atuação no processo.
Fontes próximas ao STF destacam que qualquer decisão sobre suspeição caberá ao plenário da Corte.
O caso do Banco Master, que investiga fraudes estimadas em bilhões de reais em operações de crédito consignado, ganhou contornos ainda mais complexos com essas revelações.
A análise do celular de Vorcaro também expõe citações a parlamentares, ampliando o escopo para potenciais influências políticas.
O relatório sugere três novas frentes investigativas, incluindo ligações com o Congresso, o que pode desencadear uma onda de escrutínio sobre doações eleitorais e pressões institucionais.
Fachin, ao receber o documento, solicitou esclarecimentos imediatos a Toffoli, sinalizando uma possível redistribuição do processo se a suspeição for acolhida.
Essa movimentação reflete o equilíbrio delicado entre autonomia judicial e transparência, especialmente em um contexto onde o STF enfrenta críticas por decisões atípicas no caso, como a manutenção inicial da relatoria apesar de vínculos familiares de Toffoli com fundos ligados ao banco.
Enquanto o STF delibera, o episódio sublinha a necessidade de escrutínio rigoroso sobre interseções entre poder judiciário e interesses econômicos, potencializando debates sobre ética na magistratura.

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