Conta no X analisa levantamento e diz que há falhas na representatividade de dados que podem influenciar percepções coletivas. Leia a íntegra a seguir:
Brasília, 01 de novembro 2025
Em um momento de intensas discussões sobre políticas públicas de segurança urbana, uma conta na plataforma social de microblog X fez uma análise detalhada sobre o que considera falhas na representatividade de dados.
Segundo a conta A Voz Pública, isso pode pode influenciar percepções coletivas.
O perfil convida a um escrutínio mais profundo antes de conclusões precipitadas.
Leia a íntegra a seguir:

Por: A Voz Publica
na rede social X
“Bora de fio? Sempre que vejo uma pesquisa a minha primeira reação é pegar o relatório para analisar. Tenho um apreço por dados, confesso.
Vamos analisar com lupa a nova pesquisa da AtlasIntel sobre a megaoperação de segurança no RJ?
Vi muita gente emocionada com a divulgação, mas cuidado antes de compartilhar a manchete.
Os números de capa (62,2% de aprovação) parecem claros.
Mas a metodologia usada tem problemas sérios que distorcem o retrato da opinião do carioca.

O 1º e mais grave problema: a amostra não se parece com o Rio.
O perfil dos entrevistados é visivelmente enviesado para a elite:
• 38,1% têm Ensino Superior.
• 42,9% (22,2% + 20,7%) têm renda familiar acima de R$ 5.000. Essa não é a realidade da cidade. É uma bolha.

E por que esse viés importa?
Porque a própria pesquisa mostra que a opinião desses grupos é drasticamente diferente.
• Ensino Fundamental: 74,3% APROVAM.
• Ensino Superior: 47,4% APROVAM.
• Renda “Até R$ 2.000”: 82,6% APROVAM.
• Renda “Acima de R$ 10.000”: 41,9% APROVAM.

O problema de ter uma amostra tão descolada da realidade (43% de alta renda, 38% com Ens. Superior) é que não é possível inferir nada dos resultados.
O número principal de 62,2% não reflete a cidade.
Com uma amostra tão comprometida, não temos “baliza”.

Não sabemos se o resultado “real” seria maior ou menor.
A pesquisa, em seus dados gerais, perde o lastro com a realidade.

O 2º problema grave é uma omissão.
A pesquisa pergunta se a pessoa é “MORADOR DE FAVELA”, como vemos nas tabelas de cruzamento (ex: 87,6% deles aprovam).
Mas, no perfil (Pág. 3), esse dado essencial foi omitido.
Não sabemos a % dos entrevistados que são de favelas. Por quê?

O 3º problema é a coleta.
O “Recrutamento digital aleatório (RDR)” recruta pessoas “durante a navegação de rotina na web”.
Isso, por definição, exclui quem tem baixo letramento digital ou acesso precário à internet, reforçando o viés socioeconômico que já vimos nos números.

AVISO (1/2): Toda a análise deste fio é uma crítica técnica e metodológica.
Ela se baseia exclusivamente nos dados, tabelas e perfis de amostra divulgados publicamente no próprio relatório da pesquisa da AtlasIntel.
AVISO (2/2): O objetivo é debater a validade estatística e a representatividade da amostra, o que é fundamental para o debate público.
Esta não é uma crítica pessoal ao instituto ou seus profissionais, mas sim uma análise do método e dos dados apresentados.
Antes de se emocionar com manchetes de pesquisa (seja a seu favor ou contra), leia a metodologia (a “cozinha” da pesquisa).
Uma amostra enviesada não produz um resultado confiável, apenas um número que gera clique.
Pesquisas feitas no “calor do momento”, sobre temas subtraídos para gerar debate, precisam de ainda mais cuidado.As eleições estão aí e todo cuidado é pouco.
Analise a metodologia antes de formar opinião ou compartilhar”.
@A_Voz_Publica
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