Incidente em Qlayaa expõe o drama dos cristãos do sul libanês presos entre o fogo cruzado de Israel e o Hezbollah
Brasília (DF) · 09 de março de 2026
Em meio à escalada de tensão no sul do Líbano, o padre maronita Pierre al-Rahi, também conhecido como Pierre el-Raï, foi morto nesta segunda-feira (9/mar) por fogo de artilharia israelense na aldeia cristã de Qlayaa, no distrito de Marjayoun.
De acordo com o National Catholic Reporter, um tanque Merkava israelense disparou duas vezes contra uma residência no vilarejo de maioria maronita, localizado a poucos quilômetros da fronteira.
A primeira explosão feriu o casal que morava na casa. Ao correr para prestar socorro, junto com vizinhos, o pároco foi atingido pelo segundo disparo e morreu em decorrência dos ferimentos.
Quatro outras pessoas ficaram feridas.
O religioso havia se recusado, junto com outros sacerdotes, a obedecer a ordem de evacuação emitida pelas forças israelenses.
“Pessoas! Nossa decisão final é que não deixaremos a aldeia , não importa quantas ameaças recebamos. Confirmamos que somos um grupo pacífico ; não temos atividades militares nem instalações militares“, teria dito o pároco em suas últimas palavras, segundo o Cope, insistindo que não deixaria sua aldeia por causa da guerra , insistindo que ficaria com seus paroquianos, acontecesse o que acontecesse.
Apenas um dia antes, em 8 de março, ele declarou ao canal France 24, em frente à igreja paroquial: “Somos forçados a ficar apesar do perigo, quando defendemos nossa terra, e fazemos isso pacificamente. Nenhum de nós porta armas. Todos carregamos paz, bondade e amor.”
A versão francesa do jornal libanês L’Orient-Le Jour confirmou que o duplo disparo ocorreu no meio da tarde e que o padre sucumbiu aos ferimentos.
O prefeito de Qlayaa, Hanna Daher, negou veementemente a presença de combatentes do Hezbollah no local: “Dizem que havia lutadores na casa, mas isso não é verdade. Eram apenas os moradores e pessoas da aldeia que vieram ajudar os feridos.”
Já o líder das Forças Libanesas, Samir Geagea, atribuiu o ataque à infiltração de elementos do Hezbollah na localidade, conforme reportagem da mesma L’Orient-Le Jour.
A organização católica francesa L’Oeuvre d’Orient manifestou “horror e imensa tristeza” e condenou “esses atos de guerra que visam desestabilizar todo o Líbano e matar civis inocentes”.
A entidade alertou ainda para o risco de anexação de vilarejos cristãos históricos ao sul do rio Litani.
O caso de Pierre al-Rahi — pároco de Qlayaa, aldeia de cerca de 8 mil habitantes que sempre se manteve neutra — ilustra o drama dos cristãos maronitas do sul libanês, que se recusam a abandonar suas terras apesar das ordens de evacuação e dos riscos do conflito entre Israel e o Hezbollah.

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