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“Golpistas” conseguem 41 assinaturas para impeachment de Moraes e Alcolumbre diz: “Nem com 81”

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    Os senadores
    Os senadores Randolfe Rodrigues e Magno Malta, ao fundo | Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil


    Estratégia bolsonarista inclui pressionar também por foro privilegiado e anistia, mas enfrenta resistência de governistas como Randolfe, que classificou a obstrução como “novo 8 de janeiro



    Brasília, 07 de agosto de 2025

    A oposição no Senado Federal alcançou um marco ao reunir 41 assinaturas para protocolar um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

    O movimento, liderado por figuras como o senador Rogério Marinho (PL-RN) e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), foi uma reação à decisão de Moraes que determinou a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), acusado de envolvimento nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

    A última assinatura veio do senador Laércio Oliveira (PP-SE), garantindo a maioria simples necessária para a admissibilidade do processo, caso fosse pautado.

    A oposição celebrou o feito, encerrando uma ocupação de dois dias da Mesa Diretora do Senado e a obstrução de trabalhos legislativos, tática usada para pressionar pela tramitação do pedido e de projetos como a anistia aos réus do 8 de janeiro.

    Apesar do sucesso na coleta de assinaturas, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), foi categórico ao afirmar que não pautará o impeachment, mesmo que todas as 81 cadeiras do Senado apoiassem a iniciativa.

    Em uma reunião com líderes, incluindo Rogério Marinho, Tereza Cristina (PP-MS) e Marcos Rogério (PL-RO), Alcolumbre destacou que a decisão é sua prerrogativa exclusiva e não se baseia apenas em números, mas em uma avaliação jurídica.

    Ele reforçou que não cederá a pressões, chamando a tentativa de “chantagem” e prometendo analisar futuros pedidos com responsabilidade, sem garantir andamento.

    Essa posição gerou frustração entre bolsonaristas, com Nikolas Ferreira sugerindo nas redes sociais que a recusa de Alcolumbre poderia levar a um pedido de impeachment contra ele próprio.

    A rejeição de Alcolumbre representa um obstáculo significativo para a oposição, que agora concentra esforços em pressioná-lo politicamente.

    Para que o impeachment de Moraes avance, seria necessário, após a aceitação do pedido, um parecer de uma comissão especial e a aprovação por 41 votos em plenário para a admissibilidade.

    Posteriormente, a destituição exigiria 54 votos (dois terços do Senado), um número que aliados de Bolsonaro ainda não garantem, segundo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que considera a pauta inviável no atual cenário.

    A estratégia bolsonarista também inclui pressionar por outros projetos, como o fim do foro privilegiado e a anistia aos golpistas, mas enfrenta resistência de governistas como Randolfe Rodrigues (PT-AP), que classificou a obstrução como “um novo 8 de janeiro”.

    O embate expõe a polarização no Congresso Nacional e o papel central de Alcolumbre na condução das pautas.

    Enquanto a oposição tenta reposicionar o bolsonarismo após reveses judiciais, Moraes segue como alvo por sua atuação em inquéritos contra aliados de Bolsonaro, incluindo acusações de abuso de autoridade e censura.

    Apesar dos 30 pedidos de impeachment já protocolados contra ele no Senado, nenhum avançou, reforçando o histórico de que nunca um ministro do STF foi afastado por esse mecanismo em 134 anos.

    O futuro do pedido depende de mudanças no cenário político ou de uma improvável reviravolta na postura de Alcolumbre, enquanto o Brasil observa o desenrolar dessa crise institucional.



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