
Nana Caymmi interpreta Não Se Esqueça de Mim, de Roberto Carlos, em 2016 – Imagem reprodução
Ícone da música brasileira, Nana Caymmi deixa um legado eterno após enfrentar longa internação na Clínica São José, no Rio de Janeiro – SAIBA MAIS
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Brasília, 01 de maio de 2025
Nana Caymmi, uma das maiores intérpretes da Música Popular Brasileira (MPB), faleceu aos 84 anos nesta quinta-feira, 1º de maio de 2025, no Rio de Janeiro.
A cantora estava internada desde agosto de 2024 na Casa de Saúde São José, localizada no bairro de Botafogo, Zona Sul da cidade, onde enfrentava complicações de saúde decorrentes de uma arritmia cardíaca, infecções e uma overdose de opioides.
Sua morte marca o fim de uma trajetória brilhante, que atravessou gerações e consolidou seu nome como referência de emoção e sofisticação na música brasileira.
Uma Carreira Marcada por Talento e Sensibilidade
Filha do lendário compositor Dorival Caymmi e da cantora Stella Maris, Nana Caymmi nasceu em 29 de abril de 1941, no Rio de Janeiro, e herdou o talento musical que corre em sua família.
Sua carreira teve início em 1960, com a gravação da música Acalanto ao lado do pai, um marco que abriu as portas para sua consolidação como uma das vozes mais expressivas da MPB.
Irmã de Dori e Danilo Caymmi, Nana construiu uma trajetória singular, marcada por interpretações profundas de compositores como Tom Jobim, Vinicius de Moraes e Tito Madi.
Ao longo de seis décadas, Nana lançou álbuns que se tornaram clássicos, como Nana, Tom, Vinícius (2020), seu último trabalho, no qual revisitou canções de Jobim e Moraes com uma interpretação que mesclava nostalgia e vigor.
Sua voz, descrita como única e carregada de emoção, conquistou admiradores no Brasil e no exterior, solidificando seu lugar entre os grandes nomes da música brasileira.
Os Últimos Meses: Uma Batalha Silenciosa
A saúde de Nana Caymmi começou a apresentar sinais de fragilidade em julho de 2024, quando foi internada na Casa de Saúde São José devido a uma arritmia cardíaca. Na ocasião, a cantora, então com 83 anos, passou 18 dias na Unidade Coronariana, onde foi submetida à implantação de um marca-passo.
Após uma breve alta em agosto, ela retornou ao hospital para um cateterismo e, posteriormente, para ajustes no dispositivo cardíaco.
No entanto, a situação se agravou no final de agosto de 2024, quando Nana foi novamente internada, desta vez para tratar uma infecção urinária que exigiu sua transferência para o Centro de Terapia Intensiva (CTI).
Durante os meses seguintes, a cantora passou por procedimentos complexos, incluindo uma traqueostomia, realizada para facilitar a respiração, e enfrentou complicações como infecções e anemia, tratada com transfusão sanguínea.
Apesar de momentos de estabilidade, com avanços em sua reabilitação fisioterápica e fonoaudiológica, Nana permaneceu na UTI sem previsão de alta.
Em abril, um boletim médico informou que Nana respirava sem auxílio de aparelhos, trazendo esperanças aos fãs e à família.
Contudo, no mesmo mês, uma overdose de opioides, relatada por seu irmão Danilo Caymmi, agravou ainda mais seu quadro.
Danilo destacou a sensibilidade de Nana, que era protegida de notícias sobre a morte de amigos devido ao impacto emocional que isso causava.
O Declínio e o Adeus
No início de 2025, a saúde de Nana Caymmi entrou em um estado crítico.
Em fevereiro, Danilo Caymmi revelou, em entrevista ao podcast MPB Bossa, que a irmã estava “muito mal” e que sua condição era resultado de comorbidades associadas à obesidade.
“Ela chegou muito ruim ao hospital, quase faleceu”, afirmou, alertando sobre os riscos de problemas de peso.
Apesar dos esforços da equipe médica, Nana não resistiu às complicações de sua longa internação. Sua morte foi confirmada neste 1º de maio de 2025, gerando comoção entre fãs, artistas e a imprensa.
A perda é tratada como irreparável para a cultura brasileira por ela ser uma das maiores intérpretes da canção nacional.
Repercussão e Homenagens
Alice Caymmi, sobrinha de Nana, publicou uma homenagem emocionada, reconciliando-se publicamente após desentendimentos familiares. “Sua voz sempre será minha inspiração”, escreveu Alice, conforme mostrou a Folha de S Paulo.
Danilo Caymmi, em entrevista ao g1, narrou o sofrimento da irmã durante os últimos meses, descrevendo a internação como “muito difícil”.
Ele reforçou o impacto emocional da perda para a família Caymmi, que já havia enfrentado a morte de Dorival em 2008.
Um Legado que Ecoa
Nana Caymmi deixa um legado que transcende gerações. Sua discografia, marcada por álbuns como Mudança dos Ventos (1980) e Voz e Suor (1983), reflete a versatilidade de uma artista que dominava tanto a bossa nova quanto o samba e a canção romântica.
Sua última gravação, a faixa A Lua e Eu, em parceria com Renato Braz para o álbum Canário do Reino (2024), foi um testemunho de sua vitalidade artística mesmo em meio a desafios de saúde.
Além de sua contribuição musical, Nana foi uma figura de resiliência.
Mesmo após se afastar dos palcos em 2016, após a remoção de um tumor cancerígeno no estômago, ela continuou a gravar e a inspirar.
Sua história de superação, porém, foi marcada por desafios físicos e emocionais, como destacou Danilo Caymmi ao abordar a influência da obesidade em sua saúde.
O Impacto Cultural de Nana Caymmi
Nana Caymmi não foi apenas uma cantora, mas uma narradora de histórias que transformava letras em experiências viscerais.
Sua interpretação de Resposta ao Tempo (Aldir Blanc e Cristóvão Bastos) é frequentemente citada como um dos pontos altos de sua carreira, capturando a essência de sua habilidade de transmitir dor, amor e esperança.
Sua influência se estende a artistas contemporâneos, como sua sobrinha Alice Caymmi, que carrega o sobrenome com orgulho na nova geração da MPB.
A morte de Nana Caymmi representa o encerramento de um capítulo importante da música brasileira, mas seu legado permanece vivo em suas gravações, nas memórias de seus fãs e na inspiração que deixou para músicos de todo o país.
A Casa de Saúde São José, onde Nana passou seus últimos meses, emitiu uma nota lamentando a perda e destacando o empenho da equipe médica em oferecer o melhor cuidado à artista.
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Nana Caymmi foi mais do que uma voz; foi um símbolo da alma brasileira, uma artista que traduziu sentimentos em melodias que continuarão a ecoar.
Sua morte aos 84 anos, após uma batalha de nove meses contra complicações de saúde, deixa um vazio na MPB, mas também reforça a eternidade de seu trabalho.
Como disse Danilo Caymmi, “ela quase faleceu” em vários momentos, mas sua força e sensibilidade a mantiveram presente até o fim.
Que sua música continue a contar sua história.












