Buscas e medidas cautelares, incluindo tornozeleira eletrônica, marcam investigação sigilosa que apura acessos irregulares na Receita Federal e possível motivação financeira ou política por trás dos vazamentos
Brasília (DF) · 17 de fevereiro de 2026
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (17/fev), operação com quatro mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia para investigar suposto acesso e divulgação ilegal de informações fiscais protegidas por sigilo.
Os alvos são quatro servidores públicos — três da Receita Federal e um do Serpro cedido à Receita —, suspeitos de violar dados de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de seus familiares, incluindo a esposa do ministro Alexandre de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, e filhos de outros magistrados da Corte.
A ação foi autorizada pelo próprio Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Além das buscas, foram impostas medidas cautelares: afastamento imediato das funções públicas, cancelamento de passaportes, proibição de deixar o país e monitoramento por tornozeleira eletrônica. Não há, até o momento, mandados de prisão preventiva.
O inquérito tramita em sigilo absoluto. Conforme o g1, a investigação busca esclarecer se os servidores quebraram ilegalmente o sigilo fiscal sem autorização judicial, possivelmente repassando dados a terceiros.
O ministro Alexandre de Moraes determinou ainda a quebra de sigilo bancário e telemático dos investigados para verificar eventual recebimento de valores em troca das informações — ponto central para apurar motivações financeiras ou conexões políticas.
O caso ganhou contornos mais graves após auditoria interna da Receita Federal, solicitada pelo STF em 12 de janeiro.
O órgão rastreou acessos a dados de cerca de 100 pessoas — incluindo os 11 ministros da Corte, pais, filhos, irmãos e cônjuges.
Desvios já foram identificados e comunicados ao relator, conforme nota oficial da Receita citada pela Folha de S.Paulo.
“A Receita Federal do Brasil não tolera desvios, especialmente relacionados ao sigilo fiscal, pilar básico do sistema tributário”, destacou o órgão, lembrando que sistemas são “totalmente rastreáveis” e que, desde 2023, sete processos disciplinares resultaram em três demissões.
Um dos acessos irregulares envolveu a declaração de imposto de renda de Viviane Barci de Moraes, por um funcionário do Serpro lotado no Rio de Janeiro, reveloou O Globo. A coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles, confirmou que o filho de outro ministro também teve o sigilo fiscal violado sem aval judicial.
O inquérito remonta a janeiro, quando Alexandre de Moraes abriu procedimento de ofício para apurar possíveis vazamentos pela Receita e pelo Coaf, conforme reportado pela Veja.
A apuração ocorre no âmbito do inquérito das fake news, do qual o ministro é relator.
Até o fechamento desta matéria, a PF não divulgou novas prisões ou identificações públicas dos investigados.
O caso segue sob sigilo, e detalhes adicionais sobre eventuais conexões políticas ou financeiras devem ser esclarecidos nos próximos dias.

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