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Militares queriam criar campo de concentração para presos políticos pós-golpe e agora pedem anistia, diz influencer

    Oficias da chamada “elite” do Exército, os Kids Pretos | 06/09/2018 | divulgação/Exército Brasileiro

    Kid preto questionou sobre campo de concentração para prisioneiros do golpe fracassado em 2022: “Auschwitz!!”, respondeu outro. Major que perguntou também comentou: “Vai ter careca arrastado por blindado em Brasília?

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    Um dos militares que integrava um grupo de Whatsapp formado por oficiais que fizeram o curso das Forças Especiais, os chamados “Kids Pretos“, chegou a questionar sobre campo de prisioneiros de guerra, segundo inquérito da Polícia Federal que apurou uma tentativa de golpe de Estado. O grupo em questão intitulado “Dosssss!!!” foi criado pelo tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro.

    A palavra “doss” em inglês tem várias traduções para o português: Cama, especialmente em albergues ou pensões baratas; Soneca; Trabalho que não exige esforço, na Grã-Bretanha; Dormir em algum lugar sem cama. Como adjetivo, “doss” em escocês é uma gíria que significa “idiota” ou “grosseiro“.

    Em 19 de novembro de 2022, um major pergunta no grupo: “Alguém tem algum planejamento ou viu em algum momento a condução de um cpg sem aparelhos? Caso sim, chamar no privado”.

    A sigla CPG, segundo a PF, significa “Campo de Prisioneiros de Guerra“. O militar que fez a pergunta não está entre os 37 indiciados pela polícia. Como resposta, o tenente-coronel Rafael Martins de Oliveira, que foi um dos indiciados, escreveu: “Auschwitz!!”, conforme transcreveu O Globo.

    Troca de mensagens em grupo criado por militares que discutiam golpe de Estado
    Troca de mensagens em grupo criado por militares que discutiam golpe de Estado — Foto: Reprodução

    Troca de mensagens em grupo criado por militares que discutiam golpe de Estado | Imagem reprodução


    Pedro Ronchi, geógrafo, comunicador e ‘filósofo’ social do X, disse que “Os militares que estão pedindo anistia são os mesmos que estavam planejando criar campo de concentração para os presos políticos depois do golpe“.


    Auschwitz é o nome do mais mortal e famoso campo de concentração nazista onde foram assassinadas um milhão de pessoas (a grande maioria formada por cidadãos judeus)“, destacou a PF no relatório.

    No mesmo grupo, o major que perguntou sobre um campo de prisioneiros, comentou em outro momento no mesmo dia: “Vai ter careca arrastado por blindado em Brasília?”, em referência a menções pejorativas usadas com frequência para se referir ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

    “Kids pretos” é o nome dado aos militares formados pelo Curso de Operações Especiais do Exército Brasileiro, treinados para atuar nas missões sigilosas, com ambientes hostis e politicamente sensíveis. Eles integram a chamada “elite” e recebem o apelido por utilizarem gorros pretos em operações. São caracterizados como especialistas em guerra não convencional, reconhecimento especial, operações contra forças irregulares e contraterrorismo.

    Os militares podem passar pelos treinamentos intensivos em três lugares diferentes: Comando de Operações Especiais, em Goiânia; Centro de Instrução de Operações Especiais, em Niterói, no Rio de Janeiro; ou podem completar a formação em Manaus, na 3ª Companhia de Forças Especiais.

    Segundo o Centro de Instrução de Operações Especiais, o programa existe desde 1957 e foi inspirado no curso “Ranger”, com destaque para o Batalhão de “Special Forces”, a principal unidade de infantaria leve e força de operações especiais dentro do Comando de Operações Especiais do Exército dos Estados Unidos.

    O curso tem a duração máxima de 23 semanas (em média, 5 meses) e ensina táticas específicas das operações especiais, como, por exemplo, na guerra irregular e em operações contra forças irregulares, “visando a consecução de objetivos políticos, econômicos, psicossociais ou militares relevantes, preponderantemente, por meio de alternativas militares não convencionais”, explicam as informações publicadas pelo Centro de Instrução de Operações Especiais (CiOpEsp), conforme transcreveu a CNN.

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