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Milei impõe reforma trabalhista radical e Senado aprova medida que pode Revolucionar (ou Destruir) o Mercado

    Vitória legislativa do “libertário” gera temor de precarização laboral massiva, com extensão de horas e corte em proteções históricas; presidente da Argentina enfrenta resistência nas ruas de Buenos Aires e devolve com “repressão brutal”

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    Policiais detêm
    Policiais detêm manifestante durante confrontos nas ruas de Buenos Aires, enquanto o Senado debatia a reforma trabalhista de Javier Milei |12.2.2026| Foto: Rodrigo Abd/Associated Press (AP)
    RESUMO
    URBS MAGNA - Progressistas por um BRASIL SOBERANO


    Buenos Aires (AR) · 12 de fevereiro de 2026

    Em uma sessão maratônica que se estendeu por mais de 13 horas, o Senado Argentino aprovou, nesta quinta-feira (12/fev), o projeto de reforma trabalhista impulsionado pelo presidente Javier Milei, marcando uma vitória significativa para sua agenda liberalizante.

    A medida, que segue agora para a Câmara dos Deputados, visa, segundo o governo, fomentar investimentos e combater o desemprego informal, que atinge cerca de 40% da força de trabalho no país.

    No entanto, críticos veem nela um retrocesso aos tempos de ditadura, com potenciais impactos profundos na estabilidade dos trabalhadores.

    A votação terminou com 42 votos favoráveis contra 30 contrários, contando com o apoio de aliados como o partido La Libertad Avanza (LLA), o PRO, a Unión Cívica Radical (UCR) e legendas provinciais.

    De acordo com relatório da Reuters, Milei celebrou o resultado em comunicado oficial, qualificando-o como “um ponto de virada na história laboral argentina”, enfatizando a redução de burocracia e a adaptação às mudanças econômicas e tecnológicas.

    Entre as alterações principais, destaca-se a possibilidade de extensão da jornada diária padrão de oito para até 12 horas, mediante acordos coletivos ou individuais, com a criação de um “banco de horas” para compensações posteriores.

    A reforma também facilita demissões ao instituir um fundo de cessação de emprego, financiado por contribuições mensais de 1% a 2,5% dos salários, o que reduziria custos indenizatórios para as empresas.

    Outros pontos incluem limitações ao direito de greve, ampliando a definição de serviços essenciais, e a permissão para pagamentos salariais em moeda estrangeira ou em espécie, como vale-alimentação.

    A oposição, representada pela esquerda e sindicatos como a Confederação Geral do Trabalho (CGT), denuncia a proposta como regressiva.

    O governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, em entrevista à rádio Destape, classificou a reforma como “o projeto que a ditadura propunha” e ironizou: “Chamar isso de modernização é uma piada”.

    A notícia repercutiu no mundo: relatos no jornal francês L’Humanité destacam que, desde a posse de Milei, quase 300 mil empregos foram perdidos, conforme dados do Secretariado do Trabalho Argentino, agravando a crise em um contexto de austeridade fiscal.

    Enquanto o debate ocorria no Congresso Nacional, em Buenos Aires, protestos intensos eclodiram nas ruas, resultando em confrontos com a polícia.

    Manifestantes, convocados por centrais sindicais, enfrentaram gás lacrimogêneo e detenções, com relatos de feridos. O jornal local El Ciudadano reportou que a repressão foi “brutal”, alinhando-se à narrativa de um governo de extrema direita que prioriza ajustes estruturais ditados por entidades como o Fundo Monetário Internacional (FMI).

    No panorama midiático, observa-se uma discrepância: enquanto veículos franceses, como a citada pelo periódico parisiense, rotulam abertamente o regime de Milei como de extrema direita, a imprensa brasileira tende a evitar tais qualificações, o que críticos interpretam como naturalização de ideologias radicais.

    Essa perspectiva é ecoada em análises brasileiras, como o portal ICL Notícias, que enfatiza a ameaça direta aos direitos conquistados há um século.

    Especialistas em economia laboral, como os consultados pela Buenos Aires Herald, ponderam que, embora a reforma possa atrair investimentos estrangeiros ao desonerar empregadores, ela arrisca precarizar ainda mais um mercado já fragilizado pela inflação e recessão.

    Em paralelo, publicações de viés progressista, como a World Socialist Web Site, alertam para paralelos com reformas antitrabalhistas globais, prevendo greves massivas em resposta.

    Essa aprovação inicial no Senado reforça o ímpeto reformista de Milei, mas expõe fissuras sociais profundas na Argentina.

    Com o país enfrentando desafios como informalidade galopante e perda de poder aquisitivo, o desfecho na Câmara será pivotal para o futuro da nação sul-americana.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



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