Se bem-sucedida, a domiciliar poderia recolocar Bolsonaro nas articulações para 2026, reabrindo debates sucessórios e tensionando ainda mais o clã
Brasília (DF) · 03 de fevereiro de 2026
Michelle Bolsonaro e Valdemar Costa Neto, presidente do PL, orquestram uma ofensiva sutil para converter em regime domiciliar a pena de Jair Bolsonaro, presidiário condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado.
A manobra, que prioriza a sensibilização do Supremo Tribunal Federal (STF) em detrimento de embates frontais, emerge como tentativa de resgatar o ex-presidente da Papudinha, penitenciária federal em Brasília, onde cumpre sentença por trama golpista.
Segundo reportagem de O Globo, divulgada nesta terça-feira (03/fev), o casal orientou aliados a moderarem as críticas aos ministros da Corte.
O pedido ecoou em diálogos reservados e grupos internos do partido, com ênfase na serenidade para evitar acusações de constrangimento ao tribunal.
Michelle, que assumiu protagonismo político desde a detenção do marido, reuniu-se recentemente com os ministros Alexandre de Moraes, relator do caso, e Gilmar Mendes, decano do STF.
Nessas audiências, ela argumentou que um ambiente político menos inflamado facilitaria a análise humanitária da condição de Bolsonaro.
A estratégia pivota nas fragilidades de saúde do ex-mandatário, descritas por visitantes como alarmantes. O bispo Robson Rodovalho, da igreja Sara Nossa Terra, relatou após visita: “Ele dorme só com medicação ou quando está muito cansado. Não consegue tomar café e precisa de uma alimentação muito específica.”
Já a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) enfatizou: “É essencial que Bolsonaro vá para casa. Ele não tem condições de estar preso. Suas crises de soluço são perigosas.”
Esses depoimentos sustentam o apelo por domiciliar, comparando o caso ao de Fernando Collor, que cumpre pena em casa por Parkinson. No cerne dessa articulação, desponta um racha familiar que aprofunda a crise de sucessão no clã.
Michelle confronta os enteados Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ungido pelo pai como pré-candidato à Presidência, e Eduardo Bolsonaro (PL-SP), cassado, que persistem em ataques velados ao STF.
Carlos Bolsonaro (PL-RJ) dramatizou nas redes dizendo que seu pai é um “homem inocente” e que “há método” para o que estão fazendo com ele, “sem freios morais” , em mensagem que aludiu Direitos Humanos.
A vitimização contrasta com a abordagem de Michelle, que vislumbra domiciliar como porta para influenciar decisões eleitorais, apostando em chapa com Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) como vice.
Essa mudança de tom é vista como reconhecimento de que o confronto é contraproducente, conforme avaliou a Folha de S.Paulo. Michelle substitui assédio agressivo por diálogo, rompendo com a lógica dos enteados e aliados radicais.
A tática inclui cooptação de figuras como Damares Alves e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que, em ato recente, moderou críticas a Moraes, elogiando decisões como a proibição de manifestações próximas à Papudinha: “Ali é uma área de segurança nacional. Sei que, além dos presos, dos perseguidos políticos que estão ali, também há outros presos ali. Então achei a decisão prudente. Afinal de contas, a gente não quer gerar nenhum tipo de desordem.”
A defesa de Bolsonaro explora brecha na decisão de Moraes para avaliação médica pela Polícia Federal (PF), com parecer esperado em 10 dias.
A menção à morte de Cleriston Pereira da Cunha (Clezão) na Papuda é bandeira para anistia a golpistas.
Interlocutores do STF notam maior atenção ao pleito nas últimas semanas, com a linha humanitária ganhando tração em ambiente menos hostil.
Essa guinada reflete a fragilidade do bolsonarismo sem seu líder máximo, onde o antigo motor de mobilização – o embate com o Judiciário – vira passivo.
Se bem-sucedida, a domiciliar poderia recolocar Bolsonaro nas articulações para 2026, reabrindo debates sucessórios e tensionando ainda mais o clã.

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