Português Inglês Irlandês Alemão Sueco Espanhol Francês Japonês Chinês Russo
Avançar para o conteúdo

“Aqui é uma zona de paz, não de guerra”, diz Lula a Trump; Presidente também ligou para Maduro

    Estadista tenta frear guerra na Venezuela, planeja nova conversa decisiva com presidente dos EUA antes do Natal e questiona reais interesses econômicos na região – LEIA E ASSISTA

    Clickable caption
    O Presidente
    O Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) / Foto: Ricardo Stuckert | O presidente dos EUA, Donald Trump / Foto: Andrew Harnik/Getty Images


    Brasília, 18 de dezembro 2025

    O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu o tom diplomático e colocou o Brasil como o fiel da balança para evitar o que chamou de “guerra fratricida” na América do Sul.

    Em conversa com jornalistas no Palácio do Planalto, nesta quinta-feira (18/dez), o mandatário revelou detalhes de suas recentes articulações com Donald Trump e Nicolás Maduro, alertando que a região deve ser preservada como uma “zona de paz”.

    A movimentação de Lula ocorre em um momento de escalada de tensões, com os Estados Unidos aumentando a pressão sobre o regime venezuelano.

    Segundo o presidente, ele dedicou quase 40 minutos em linha direta com Nicolás Maduro e, posteriormente, levou as preocupações brasileiras ao presidente dos EUA. Lula enfatizou a tradição pacífica do continente:

    “Disse para o Trump da preocupação do Brasil com a Venezuela, porque isso aqui é uma zona de paz. Isso aqui não é uma zona de guerra”.

    Aspas personalizadas

    LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA (Presidente do Brasil)

    Para o petista, a solução para o impasse não virá pela força bruta:

    “Disse pra ele que as coisas não se resolveriam dando tiro. Que era melhor sentar em volta de uma mesa, pra gente encontrar uma solução”.

    Aspas personalizadas

    LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA (Presidente do Brasil)

    Reais motivações

    Um dos pontos mais incisivos da fala de Lula foi o questionamento sobre os verdadeiros motivos que empurram as potências para um confronto. Para ele, as justificativas públicas ainda são vagas diante da gravidade de uma possível intervenção.

    “Nunca ninguém diz concretamente porque é preciso fazer essa guerra. Não sei se o interesse é só o petróleo da Venezuela. Não sei se o interesse são os minerais críticos. Não sei se o interesse são as terras raras. O dado concreto é que ninguém coloca na mesa o que quer”

    Aspas personalizadas

    LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA (Presidente do Brasil)

    Histórico de tensões

    Desde o final de 2024, a relação entre Brasília e Caracas sofreu abalos significativos após o veto do Brasil à entrada da Venezuela no BRICS e as ameaças de Maduro na crise do Essequibo.

    No entanto, o papel de Lula como mediador tornou-se vital com o retorno de Donald Trump ao poder, que trouxe de volta uma retórica de “cerco total” ao país vizinho.

    Em ligações anteriores – como a de 2 de dezembro -, Lula já tentava dissuadir Trump de ações militares, contrapondo o poder bélico americano com o “poder da palavra”. Agora, a urgência é máxima. O presidente planeja um novo contato com o republicano antes de 25 de dezembro:

    “Eu estou pensando antes de chegar ao Natal… eu possivelmente tenho que conversar com o presidente Trump outra vez para saber o que é possível o Brasil contribuir”.

    Aspas personalizadas

    LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA (Presidente do Brasil)

    Interesse estratégico do Brasil

    Com milhares de quilômetros de fronteira seca com a Venezuela, o Brasil é o país mais impactado por qualquer instabilidade vizinha, seja pelo fluxo migratório ou pela segurança nacional.

    Lula enfrenta um “abacaxi” diplomático que pode influenciar inclusive a política interna brasileira.

    Para o governo brasileiro, evitar o confronto é uma questão de sobrevivência regional.

    “O Brasil tem muito apreço por isso, porque nós temos muitos quilômetros de fronteira com a Venezuela. Nós não queremos uma guerra aqui no nosso continente”.

    Aspas personalizadas

    LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA (Presidente do Brasil)

    ASSISTA A SEGUIR e leia mais depois:

    A escalada de tensões entre os Estados Unidos e a Venezuela atingiu níveis críticos em 2025, com a administração de Donald Trump adotando uma estratégia de “pressão total” que combina asfixia econômica com demonstrações ostensivas de poder militar no Caribe.

    Abril de 2024: O governo de Joe Biden reinstaurou sanções aos setores de petróleo e gás após o descumprimento do Acordo de Barbados por parte de Nicolás Maduro.

    Janeiro de 2025: Com o retorno de Donald Trump à Casa Branca, os EUA revogaram o Temporary Protected Status (TPS), retirando a proteção legal de cerca de 600 mil venezuelanos residentes em solo americano.

    Fevereiro de 2025: A organização criminosa Tren de Aragua foi designada como “organização terrorista estrangeira”, com o governo americano vinculando suas atividades diretamente ao regime de Maduro.

    Março de 2025: Implementação de uma tarifa de 25% sobre o petróleo venezuelano para qualquer país que comprasse da estatal PDVSA, visando cortar o fluxo de caixa de Caracas.

    Agosto de 2025: O Departamento de Estado dobrou a recompensa pela captura de Nicolás Maduro para US$ 50 milhões, classificando-o como líder de um cartel de narcoterrorismo.

    02 de Setembro de 2025: Início da operação marítima “anti-narcóticos” no Caribe. Desde então, ataques a embarcações suspeitas resultaram em dezenas de mortes em águas internacionais.

    Outubro de 2025: Trump autorizou oficialmente a CIA a realizar operações secretas dentro do território venezuelano. Na mesma época, forças do Comando Sul iniciaram o deslocamento de 4.500 soldados para a região.

    Novembro de 2025: Lançamento da missão militar “Lança do Sul”. O maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald R. Ford, acompanhado de um grupo de ataque nuclear e caças F-35, chegou ao Caribe para cercar a costa venezuelana.

    Dezembro de 2025:
    10/Dez: Militares americanos realizaram uma operação de descida por helicópteros para apreender um petroleiro que seguia para Cuba. Maduro chamou o ato de “pirataria naval”.
    12/Dez: Novas sanções foram aplicadas contra familiares próximos de Maduro e empresas de transporte de óleo.
    15/Dez: Trinidad e Tobago autorizou o uso de seus aeroportos por aeronaves militares dos EUA, fechando o cerco logístico a apenas 14 km da costa da Venezuela.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



    SIGA NAS REDES SOCIAIS




    Compartilhe via botões abaixo:

    Comente com moderação

    🗣️💬

    Discover more from

    Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

    Continue reading