Presidente elogiou coragem dos sambistas em meio à polarização da política brasileira, minimizou pesquisas negativas sobre imagem entre evangélicos e deve voltar da Índia e Coreia do Sul com uma penca de investimentos para o Brasil, consolidando Lula 3 como seu melhor governo
Brasília (DF) · 19 de fevereiro de 2026
O Presidente da República Federativa do Brasil, Excelentíssimo Senhor Luiz Inácio Lula da Silva (PT), manifestou irritação e contrariedade com a forma como a imprensa e setores internos do governo repercutiram a homenagem que recebeu da escola de samba Acadêmicos de Niterói, do Rio de Janeiro, durante o Carnaval 2026, informa a coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo.
O estadista considera a agremiação merecedora de reconhecimento pela ousadia de celebrá-lo num contexto de acirrada polarização política, escreve a jornalista, acrescentando que, antes mesmo do desfile, ministros do Palácio do Planalto e lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT) já demonstravam preocupação com possíveis desdobramentos jurídicos e de imagem.
De acordo com o texto, pesquisas internas acessadas pelo governo indicaram repercussão negativa imediata nas redes, especialmente danosa entre o eleitorado evangélico — segmento que o PT busca reconquistar.
Aliados chegaram a trabalhar para conter o que viam como potencial crise, mas Lula rejeita essa narrativa e diz estar “emocionado e extremamente grato” à Acadêmicos de Niterói, pois, em sua visão o Carnaval foi, na verdade, um êxito.
“Ele passou por Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro sem ouvir vaias. Ao contrário, em muitos momentos foi aplaudido e ovacionado”, relatou um interlocutor à colunista do jornalão, destacando que, em Pernambuco, Lula foi disputado por dois pré-candidatos ao governo estadual: João Campos (PSB-PE) e Raquel Lyra (PSD-PE).
No Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes (PSD-RJ) prestou-lhe reverência pública, num sinal de realinhamento político. Todos os protocolos foram adotados para blindar o presidente de questionamentos da Justiça Eleitoral: nenhum ministro desfilou na avenida e a primeira-dama Janja da Silva abriu mão de participar do carro alegórico.
O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, reforçou que “o Palácio se preocupa com questões do governo” e que “não há ninguém criticando a escola nem a homenagem” entre os integrantes da equipe palaciana. Ele ainda estranhou que “pessoas que não são do Palácio falem em nome do Palácio”.
Para Lula, os sambistas merecem admiração pela “coragem” demonstrada ao homenageá-lo num momento de alta tensão nacional. O presidente critica duramente o que classifica como tentativa de transformar “algo positivo — uma homenagem que considera histórica — em um peso para o governo”.
A Acadêmicos de Niterói foi rebaixada para o Grupo de Acesso (Série Ouro) na apuração realizada na quarta-feira (18/fev). A escola terminou em último lugar no Grupo Especial com 264,6 pontos.
Lula busca mais investimentos na Ásia
Em visita à Índia, onde chegou na quarta-feira (18/fev) acompanhado por uma comitiva inédita com mais de uma dúzia de ministros e cerca de 300 empresários brasileiros, Lula tem como objetivo central fortalecer laços estratégicos, aprofundar a parceria bilateral e atrair investimentos indianos para o Brasil, especialmente em setores como minerais críticos (terras raras), farmacêutico, transição energética, aviação, defesa e tecnologias digitais, incluindo inteligência artificial.
A imprensa indiana e fontes oficiais do governo indiano têm tratado a visita de forma positiva, destacando o potencial de expansão comercial e o papel dos dois países como líderes do Sul Global. O Ministério das Relações Exteriores da Índia (MEA) enfatizou que a presença de Lula “impartirá forte momentum à parceria Índia-Brasil”, enraizada em valores democráticos compartilhados e visão global comum.
A declaração oficial do MEA descreve a relação como “multifacetada” e elevada a Parceria Estratégica desde 2006, com a visita reciprocando a ida do primeiro-ministro Narendra Modi ao Brasil em 2025.
Embora a cobertura indiana direta em grandes veículos como The Hindu, Indian Express, Times of India e Hindustan Times ainda seja limitada nos primeiros dias (foco maior em anúncios de gigantes tech como Google, Nvidia e OpenAI no AI Impact Summit), reportagens e análises internacionais repercutidas na mídia indiana — como as do Businessworld.in e Organiser.org — sublinham o caráter econômico da agenda.
A delegação brasileira, descrita como “a maior já enviada” ao país, visa diversificar o comércio bilateral, que atingiu US$ 15,2 bilhões em 2025 (crescimento de 25% ante 2024), com meta explícita de alcançar US$ 20 bilhões em curto prazo.
Os pontos destacados na cobertura são, em primeiro lugar, os minerais críticos e terras raras — o Brasil se posiciona como alternativa global à dominância chinesa (detém 23% das reservas mundiais), com negociações para parcerias em exploração e processamento. Isso é visto como estratégico em meio a tensões comerciais globais, incluindo tarifas americanas que afetam ambos os países.
Na sequência da importância vem o Fórum Empresarial e investimentos — durante a visita, ocorre o Fórum Empresarial Brasil-Índia 2026, organizado pela ApexBrasil (que inaugurou seu primeiro escritório em Nova Délhi). Empresários indianos presentes no Brasil devem anunciar expansões de investimentos nos próximos anos, especialmente no setor farmacêutico (Índia como potência em genéricos e medicamentos acessíveis).
E ainda há a AI e tecnologias — Lula participa do India AI Impact Summit 2026, onde elogiou a iniciativa indiana e defendeu governança inclusiva da IA para evitar aprofundamento de desigualdades. A imprensa ressalta o interesse mútuo em cooperação digital, com o Brasil buscando atrair tecnologias e investimentos indianos para seu Plano Nacional de Inteligência Artificial.
Na mesma relevância, outros setores podem trazer avanços, que são esperados, em acordos Mercosul-Índia, extensão de vistos de negócios/turismo para 10 anos, parcerias Embraer-Adani Defense, saúde (acesso a medicamentos e medicina tradicional indiana) e energia sustentável.
A narrativa predominante na mídia indiana e em portais alinhados ao governo é de otimismo: a visita reforça a cooperação Sul-Sul em um contexto de turbulências comerciais globais, com ênfase em oportunidades de investimento recíproco — embora o foco indiano seja mais em atrair tecnologia e exportar para o Brasil, enquanto o lado brasileiro busca capital e know-how para processar recursos naturais.
Nesta quinta-feira, 19/fev, Lula discursou no AI Impact Summit, defendendo regulação global da IA para proteger democracia e combater desigualdades. Mais anúncios de parcerias empresariais são esperados nos próximos dias, com detalhes sobre investimentos concretos no Brasil a serem revelados após o encontro bilateral com Modi – previsto para sábado (21/fev).

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