Apoio ao Presidente sobe de 32% para 38% em um mês, enquanto rejeição cai de 66% para 58%, segundo levantamento Genial/Quaest; cenário político reflete impacto de medidas externas, como o tarifaço de Trump
Brasília, 17 de julho de 2025
A pesquisa Genial/Quaest, divulgada em 17 de julho de 2025, aponta um fortalecimento da candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a reeleição em 2026, com o apoio subindo de 32% para 38% e a rejeição caindo de 66% para 58% em apenas um mês.
O cenário reflete, em parte, a reação do eleitorado às ações do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, onde ele teria incentivado o presidente Donald Trump a impor um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, além de seus ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF), associados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Esses fatores intensificaram a polarização política e impulsionaram o discurso de Lula contra o protecionismo externo.
Realizada entre 12 e 15 de julho de 2025 com 2.000 entrevistados, a pesquisa mostra que o crescimento no apoio a Lula é mais significativo entre eleitores de esquerda e indecisos.
Entre lulistas/petistas, o apoio à reeleição subiu de 84% para 90%, com a rejeição caindo de 15% para 9%. Entre eleitores de esquerda não alinhados ao PT, o apoio cresceu de 61% para 72%, e a rejeição recuou de 37% para 26%.
Mesmo entre os sem posicionamento político, o apoio subiu de 22% para 28%, enquanto a rejeição caiu de 73% para 67% Diário do Centro do Mundo.
As ações de Eduardo Bolsonaro nos EUA, incluindo reuniões com aliados de Trump para discutir pressões contra o Brasil, foram amplamente criticadas por setores da sociedade brasileira, que as interpretaram como prejudiciais à economia nacional.
Essas movimentações fortaleceram a narrativa de Lula, que acusou a oposição de “traição” ao apoiar medidas contra o interesse do País. Além disso, os ataques de Eduardo ao STF, responsabilizando a corte por decisões que levaram à inelegibilidade de Jair Bolsonaro até 2030, reacenderam o desgaste do bolsonarismo entre eleitores moderados.
A rejeição à candidatura de Jair Bolsonaro, inelegível, permanece elevada, com 62% contrários à sua participação no pleito e 28% favoráveis. A desaprovação ao governo Lula, que atingiu 56% segundo a Quaest, não se converte automaticamente em apoio à oposição, que enfrenta dificuldades para consolidar nomes como Tarcísio de Freitas (Republicanos), Michelle Bolsonaro (PL) ou Romeu Zema (Novo), ainda pouco conhecidos por parte do eleitorado.
Felipe Nunes, diretor da Quaest, destaca que a insatisfação com o governo Lula não garante votos à oposição, com 14% a 18% dos que desaprovam o governo ainda preferindo o petista em simulações de segundo turno. Entre 17% e 32% dos eleitores optariam por não votar em nenhum candidato, indicando alienação eleitoral.
As polêmicas de Eduardo Bolsonaro, somadas ao tarifaço de Trump, parecem ter dado a Lula munição para reforçar sua base e atrair indecisos, enquanto a oposição enfrenta desafios para superar a rejeição ao bolsonarismo.
Tiro pela culatra
Eduardo Bolsonaro se reuniu com aliados de Donald Trump para discussões que envolveram as tarifas impostas ao Brasil, segundo fontes como o jornal The Guardian e The New York Times. O filho do ex-presidente tem atuado como lobista em defesa de seu pai, buscando apoio no círculo de Trump e no movimento MAGA (Make America Great Again).
Especificamente, reportagens indicam que Eduardo Bolsonaro pressionou autoridades da Casa Branca e membros do Congresso americano para impor sanções contra o juiz brasileiro que conduz o processo contra seu pai, Jair Bolsonaro, acusado de tentativa de golpe após as eleições de 2022.
No entanto, em vez de sanções direcionadas, Trump anunciou, em 9 de julho de 2025, uma tarifa de 50% sobre todas as importações brasileiras, a partir de 1º de agosto, como retaliação ao que chamou de “caça às bruxas” contra Bolsonaro. Essa decisão foi atribuída, em parte, à influência de Eduardo Bolsonaro, que teria mantido um diálogo intenso com membros da administração, segundo o NYT.
Eduardo Bolsonaro afirmou que as tarifas de Trump eram uma resposta aos “abusos” do Supremo Tribunal Federal brasileiro e à “ruptura com valores do mundo livre“, considerando as medidas um sucesso de seu trabalho junto ao governo americano. Além disso, o Guardian destacou que Eduardo Bolsonaro foi um dos principais articuladores dessas tarifas, o que gerou críticas no Brasil por ser visto como uma ação contra os interesses nacionais.
As fontes jornalísticas sugerem que as ações de Eduardo Bolsonaro tiveram um papel relevante na escalada das tensões comerciais entre os EUA e o Brasil, embora o impacto político e econômico dessas tarifas possa ter gerado reações negativas até mesmo entre aliados de Bolsonaro no Brasil, especialmente no setor do agronegócio.








