Intenção foi iludir o povo para conter eventuais protestos no Brasil. Estratégia do establishment libertou o ex-presidente para Bolsonaro ‘viver’ em ‘paz’, em meio à turbulência na América Latina, garantindo a manutenção do golpe – em curso desde o impeachment de Dilma Rousseff
‘Lula Livre’ foi um dos maiores movimentos populares da atualidade. E foi tão forte que chegou a ultrapassar nossas fronteiras, face à estupenda indignação mundial com a manipulação dos brasileiros nas últimas eleições presidenciais. Em 2018, vacilamos e elegemos um troglodita para representar o Brasil no mundo. Mas a verdade é algo que não se pode ocultar por muito tempo e Bolsonaro, hoje, lidera apenas ‘meia dúzia’ de mentes com insuficiência de uma boa cognição.

Desde então, temos visto com estarrecimento que, o modus operandi do presidente eleito, o mito dos mentecaptos, tem superado o limite daquilo que previmos de pior. Ameaçamos ir às ruas, mas a direita conhece e sabe usar o potencial da internet como ninguém. Sua má fé é nata. E, pela direita, somos controlados, muitas vezes sem percebermos quando, como ou por quê.
Não fomos às ruas, e nem vamos, porque algo potencialmente neutralizante nos impede de usar a racionalidade de modo eficaz. Perdemos direitos, os quais levamos décadas para conquistar, e ficamos paralisados quando devíamos protestar. Sobre isso, apenas blasfemamos meia dúzia de palavras, mas logo ficamos ‘bem’.
Os protestos populares que agitaram o Cone Sul nos últimos meses fizeram Bolsonaro tremer de medo. Na verdade, o receio partiu da elite, ou establishment, que viu uma ameaça no que poderia ser um exemplo para as classes massacradas pelos retrocessos das últimas reformas ocorridas por aqui.
Foi durante a gestão do Partido dos Trabalhadores, que teve Lula como um de seus fundadores, que o Brasil descobriu imensas reservas de petróleo no pré-sal. E sendo os EUA o país com o mais elevado consumo interno de derivados do óleo betuminoso em todo o planeta, o Golpe 2016 começou a ser planejado.
O geólogo e ex-funcionário da Petrobras Márcio Rocha Mello acredita que o pré-sal pode ser bem maior do que os 800 quilômetros já identificados, estendendo-se de Santa Catarina até o Ceará.

Apenas com a descoberta dos três primeiros campos do pré-sal, Tupi, Iara e Parque das Baleias, na Bacia do Espírito Santo, as reservas brasileiras comprovadas, que eram de 14 bilhões de barris, aumentaram para 33 bilhões de barris. Além destas, existem reservas possíveis e prováveis de 50 a 100 bilhões de barris.
Pense no que isso representa. Um aumento de quase 1000% (mil por cento) em nossa produção chamou atenção daqueles que, sabidamente, têm sua geopolítica baseada na exploração da matéria-prima dos países subdesenvolvidos e que contam com uma política de governo fragilizada (ou fragilizável).

Os Estados Unidos precisam de mais petróleo para sobreviver do que qualquer outro país do mundo. Veja, na tabela abaixo, a estimativa diária em barris de 11 países, dos EUA (1º) ao Brasil (11º), que aparece como o que menos consome, mas que ainda assim produz mais do que consome.
| Petróleo | barris / dia | |||
| País | consumo | produção | Falta | Sobra |
|---|---|---|---|---|
| 1.Estados Unidos | 19,150,000 | 8,853,000 | 10,297,000 | – |
| 2.China | 9,400,000 | 3,981,000 | 5,419,000 | |
| 3.Japão | 4,452,000 | 3,918 | 4,448,082 | |
| 4.Índia | 3,182,000 | 734,500 | 2,447,500 | |
| 5.Arábia Saudita | 2,643,000 | 10,460,000 | 7,817,000 | |
| 6.Alemanha | 2,495,000 | 46,590 | 2,448,410 | |
| 7.Canadá | 2,209,000 | 3,679,000 | 1,470,000 | |
| 8.Rússia | 2,199,000 | 10,550,000 | 8,351,000 | |
| 9.Coreia do Sul | 2,195,000 | 0 | 2,195,000 | |
| 10.México | 2,073,000 | 2,187,000 | 114,000 | |
| 11.Brasil | 2,029,000 | 2,515,000 | 486,000 |
obs: os dados do consumo interno de cada país foram apontados a partir de 2010, mas há alguns casos em que têm atualização mais recentes. Já o consumo interno individual são do ano de 2016
Assim como o Brasil, que tem o petróleo como o produto mais interessante da vasta lista de matérias-prima tupiniquins, a Bolívia, maior produtora mundial de Lítio, recentemente sentiu o peso da mão estadunidense.
Sem o menor pudor, os EUA dão um golpe que obrigou Evo Morales a recunciar ao mandato conquistado legalmente por meio de um pleito honesto. E a ação havia sido planejada com antecipação por países aliados liderados pelos EUA, diante das estimativas de consumo do mineral para os próximos anos (leia mais aqui).
No Chile, o povo foi às ruas (porque era isso ou morrer de fome) para protestar e exigir seus direitos roubados pela política neoliberal de Sebastián Piñera, apoiada pelos EUA. O movimento tem força até hoje e conta com o apoio de diversos países do mundo, que estão em alerta contra os abusos cometidos na fase das manifestações confrontadas pelo governo com mais violência.
Diante dos fatos, Bolsonaro ficou acuado, com medo de que o brasileiro se levantasse do sofá e fosse às diversas avenidas Paulistas do país exigir seus direitos roubados na cara dura.
Então resolveram (os golpistas históricos que já conhecemos) que Lula seria libertado para ludibriar o povo e acalmar a onda da ressurreição da luta na América Latina. Foi tudo uma armação.
E lula pode voltar à prisão em breve, mais rápido do que supõe a vã filosofia esquerdista. A Folha deu esta dica (leia aqui) e a justiça move seus pauzinhos (ou pauzões) para encurtar o caminho de volta à cela (leia aqui) em Curitiba (que pode não ser mais em Curitiba).
