Em Nova Iorque, o estadista reforça compromisso com a solução de dois estados e critica o veto no Conselho de Segurança, ecoando apelos globais por justiça e autodeterminação na região conflituosa – ASSISTA E SAIBA MAIS
Brasília, 23 de setembro de 2025
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva proferiu, nesta segunda-feira (22/set), um discurso impactante na Conferência Internacional de Alto Nível para a Solução Pacífica da Questão Palestina e a Implementação da Solução de Dois Estados, realizada na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, nos Estados Unidos.
Convocada pela França e pela Arábia Saudita, a conferência antecede a abertura da 80ª Assembleia Geral da ONU, onde Lula será o primeiro líder a discursar nesta terça-feira (23/set), seguindo uma tradição brasileira desde 1955.
Rememorando os primórdios do conflito, Lula destacou que a questão da Palestina surgiu no momento em que a Assembleia Geral adotou o chamado Plano de Partilha há 78 anos, uma sessão presidida pelo brasileiro Osvaldo Aranha.
Naquela ocasião, nasceu a perspectiva de dois estados, mas só um se materializou, enfatizou o presidente, criticando como o conflito entre Israel e Palestina é símbolo maior dos obstáculos enfrentados pelo multilateralismo.
Ele apontou o veto no Conselho de Segurança como uma tirania que sabota a essência da ONU: evitar que atrocidades, como as que motivaram sua fundação, se repita.
O discurso ganhou tom urgente ao abordar os pilares de um Estado – território, população e governo – que, segundo Lula, têm sido sistematicamente solapados no caso do palestino.
“Como falar em território diante de uma ocupação ilegal que cresce a cada novo assentamento?”, questionou, referindo-se aos assentamentos ilegais na Cisjordânia.
Sobre a população, alertou para a limpeza étnica a que assistimos em tempo real, e quanto ao governo, invocou a autoridade Palestina, citando a Comissão de Inquérito sobre os Territórios Palestinos Ocupados.
“Não há palavra mais apropriada para descrever o que está ocorrendo em Gaza do que genocídio”, declarou, ecoando relatórios da ONU que documentam a destruição de mais de 90% dos lares palestinos e o impacto sobre mais de 50 mil crianças mutiladas ou mortas.
Brasil se posicionou firmemente ao lado da justiça internacional: o país decidiu tornar-se parte do caso apresentado pela África do Sul à Corte Internacional de Justiça, reforçando críticas aos atos de Israel.
Embora Lula tenha condenado os atos terroristas cometidos pelo Hamas como inaceitáveis, frisou que o direito de defesa não autoriza a matança indiscriminada de civis.
“Nada justifica destruir 90% dos lares palestinos, usar a fome como arma de guerra nem alvejar pessoas famintas em busca de ajuda“, prosseguiu, destacando que meio milhão de palestinos enfrentam insegurança alimentar – uma população equivalente à de Miami ou Tel Aviv.
“A fome não aflige apenas o corpo; ela estilhaça a alma. O que está acontecendo em Gaza não é só o extermínio do povo palestino, mas uma tentativa de aniquilamento de seu sonho de nação“, disse.
Defendendo a coexistência, Lula afirmou: “Tanto Israel quanto a Palestina têm o direito de existir“.
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Ele saudou os países que reconheceram a Palestina, como o Brasil fez em 2010, formando já a imensa maioria dos 193 membros da ONU.
Como medidas concretas, anunciou o compromisso brasileiro em reforçar o controle sobre importações de assentamentos ilegais na Cisjordânia e manter suspensas as exportações de material de defesa, inclusive de uso dual que possam ser usados em crimes contra a humanidade e genocídio.
Diante da omissão do Conselho de Segurança, Lula defendeu que a Assembleia Geral precisa exercer sua responsabilidade, propondo a criação de um órgão inspirado no Comitê Especial contra o Apartheid, que contribuiu para o fim da segregação racial na África do Sul.
“Assegurar o diálogo de autodeterminação da Palestina é um ato de justiça e um passo essencial para restituir a força do multilateralismo e recobrar nosso sentido coletivo de humanidade“, concluiu, sob aplausos.
A repercussão foi imediata. Segundo a Agência Brasil, o encontro de Lula com líderes globais teve a Palestina como tema central, com expectativa de mais reconhecimentos estatais.
O UOL Notícias destacou as críticas ao genocídio e a ausência de Israel e EUA no evento, cujas cadeiras permaneceram vazias.
Já o Brasil 247 publicou a íntegra, enfatizando o simbolismo do veto como entrave ao multilateralismo.
O site oficial do Planalto disponibilizou o texto completo em inglês e português, confirmando a data e o contexto.
O g1 contextualizou o pronunciamento como parte de uma agenda que pressiona pelo Estado palestino e cessar-fogo em Gaza, enquanto a BBC News Brasil analisou Lula como fortalecido no palco da ONU, apesar de tensões com o presidente Donald Trump.
Esses relatos, atualizados até esta segunda-feira, reforçam o impacto diplomático do discurso, que alinha o Brasil a uma coalizão crescente por paz equânime na região.







