Enquanto negociações nucleares avançam em Genebra sob forte pressão militar americana, o líder supremo do Irã eleva o tom e adverte que Washington jamais conseguirá derrubar a República Islâmica
Teerã (IR) · 17 de fevereiro de 2026
Ayatollah Seyyed Ali Khamenei, o líder supermo do Irã, dirigiu-se nesta terça-feira (17/fev) a milhares de pessoas da província de East Azarbaijan, em Teerã, para responder diretamente às ameaças repetidas do presidente Donald Trump e ao descobramento de forças navais dos Estados Unidos no Golfo Pérsico.
De acordo com o portal oficial Press TV, o líder iraniano afirmou: “Eles vivem repetindo que enviaram um porta-aviões em direção ao Irã. Tudo bem — um porta-aviões é certamente um equipamento perigoso. Mas mais perigoso que o porta-aviões é a arma capaz de enviá-lo para o fundo do mar“.
Khamenei prosseguiu, dirigindo-se explicitamente a Trump: “O presidente americano vive dizendo que o exército deles é o mais forte do mundo. O exército mais forte do mundo, porém, pode às vezes receber um golpe tão forte que não consegue mais se levantar“.
E concluiu com tom definitivo: “Há 47 anos a América fracassa em destruir a República Islâmica… Eu digo: vocês também não conseguirão fazê-lo no futuro“.
A declaração surge exatamente quando os Estados Unidos mantêm o grupo de porta-aviões USS Abraham Lincoln – e preparam o envio de um segundo, possivelmente o USS Gerald R. Ford – nas águas próximas ao Irã, estratégia que Trump tem chamado de “armada massiva” para forçar um novo acordo nuclear.
Reações no entorno persa
A escalada retórica repercutiu imediatamente na vizinhança imediata do Irã. Veículos de comunicação turcos, como a Anadolu Agency, destacaram que as advertências iranianas “desafiam diretamente a armada de Trump” e podem desestabilizar toda a região do Golfo.
Fontes regionais citadas pela agência lembram que qualquer aventura americana acionaria resposta “imediata e sem precedentes”, com potencial envolvimento de atores próximos como o Hezbollah no Líbano e grupos no Iraque e Iêmen — todos parte do chamado “eixo de resistência” que Teerã coordena.
Visão da Casa Branca
Do lado americano, não houve comentário oficial imediato da Casa Branca sobre o discurso desta terça-feira.
No entanto, veículos de referência dos Estados Unidos pintam o quadro claro da estratégia de Trump.
O The New York Times e a CNN relatam que a administração mantém o envio de porta-aviões e aviões de combate como alavanca enquanto negociações indiretas ocorrem em Genebra.
Trump tem repetido que “uma mudança de poder no Irã seria a melhor coisa que poderia acontecer” e que a força militar americana está posicionada para “ações rápidas e violentas” caso Teerã não aceite as exigências americanas de fim permanente do enriquecimento de urânio e limitação de mísseis.
CENTCOM
A área de responsabilidade do CENTCOM (Comando Central dos EUA) abrange 21 países no Oriente Médio, Ásia Central e Sul, além do Golfo Pérsico, Mar Vermelho e Golfo de Omã.
Estabelecido em 1983, o CENTCOM é um dos comandos combatentes unificados dos EUA, que alegam ter foco na promoção da segurança, estabilidade e interesses americanos em uma região estratégica e frequentemente instável.
O mapa acima ilustra as Áreas de Responsabilidade (AORs) dos 11 Comandos Combatentes Unificados (COCOMs) das Forças Armadas dos Estados Unidos, conforme o Unified Command Plan (UCP), um documento classificado revisado a cada dois anos pelo Presidente, resumidos do portal WGI.World, com base no portal oficial do Office of the Under Secretary of Defense for Acquisition and Sustainment (OUSD(A&S)), ou em português, Escritório do Subsecretário de Defesa para Aquisição e Sustentação, no Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DoD — Department of Defense).
Os COCOMs dividem-se em sete comandos regionais (focados em áreas geográficas específicas) e quatro funcionais (operações globais). Cada comando é composto por forças de dois ou mais ramos militares e tem autoridade para planejar e executar operações em tempos de paz e guerra.
Destaque para o U.S. Central Command (CENTCOM), destacado em laranja no mapa:
Abrange a maior parte do Oriente Médio, partes do Norte da África, Ásia Ocidental e porção do Oceano Índico.
Inclui 20 países, como Irã, Iraque, Afeganistão, Egito, Arábia Saudita, Síria, Iêmen, Paquistão e outros.
Sede: MacDill Air Force Base, Flórida.
Responsável por operações na região central estratégica, incluindo o Golfo Pérsico, Mar Vermelho e Golfo de Omã.
Outros comandos regionais incluem:
USAFRICOM (África Subsaariana),
USEUCOM (Europa, partes da Ásia Central e Ártico),
USNORTHCOM (América do Norte),
USINDOPACOM (Indo-Pacífico),
USSOUTHCOM (América Latina e Caribe).
Os comandos funcionais (globais) são:
USSOCOM (operações especiais),
USSTRATCOM (estratégico/nuclear),
USCYBERCOM (ciberespaço) e
USTRANSCOM (transporte).

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