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Justiça afasta governador Wanderlei Barbosa (Republicanos-TO) por desvio de R$ 73 milhões

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    O governador
    O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), em foto cedida ao partido em 30.11.2023 / Imagem divulgação/Republicanos


    Operação Fames-19 da Polícia Federal revela fraudes em contratos durante a pandemia



    Brasília, 03 de setembro de 2025

    Na manhã desta quarta-feira (3/9), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou o afastamento do governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), por seis meses, em decorrência da segunda fase da Operação Fames-19, conduzida pela Polícia Federal (PF).

    A ação investiga desvios de mais de R$ 73 milhões em recursos públicos destinados à compra de cestas básicas e frangos congelados durante a pandemia de Covid-19, entre 2020 e 2021.

    A operação mobilizou mais de 200 agentes para cumprir 51 mandados de busca e apreensão em Tocantins, Distrito Federal, Paraíba e Maranhão, autorizados pelo ministro Mauro Campbell do STJ.A Operação Fames-19, cujo nome remete à insegurança alimentar (fames significa “fome” em latim) durante a pandemia, revelou “fortes indícios” de um esquema que se aproveitou do estado de emergência para fraudar contratos.

    Empresas contratadas recebiam o valor total acordado, mas entregavam apenas parte das cestas previstas, gerando um prejuízo estimado de R$ 73 milhões.

    Os recursos desviados teriam sido usados para aquisição de “imóveis de luxo, compra de gado e despesas pessoais”, segundo a PF.

    A decisão do STJ também determinou o afastamento da primeira-dama Karynne Sotero da Secretaria de Participações Sociais, e o vice-governador Laurez Moreira (PSD) assumiu o comando do Palácio Araguaia.

    Na primeira fase da operação, deflagrada em agosto de 2024, Wanderlei Barbosa, seus filhos Léo Barbosa (deputado federal) e Rérison Castro (superintendente do Sebrae-TO), além de Karynne Sotero, já haviam sido alvos de buscas.

    Na ocasião, a PF apreendeu cerca de R$ 67,7 mil em espécie na residência e no gabinete do governador, além de dólares e euros, segundo o g1.

    Barbosa negou envolvimento, alegando que, à época, era vice-governador e “não era ordenador de nenhuma despesa” relacionada às cestas básicas.

    Ele atribuiu sua citação a um “consórcio informal de R$ 5 mil” com outras pessoas, sem relação com as fraudes.

    As investigações apontam que o esquema envolveu emendas parlamentares e contratos de cerca de R$ 97 milhões, com empresas de fachada que não tinham capacidade operacional para cumprir os acordos.

    A PF destacou que a dificuldade de rastrear a entrega de cestas básicas, devido ao seu caráter de consumo imediato, facilitou os desvios.

    A decisão do STJ será avaliada pela Corte Especial, composta pelos 15 ministros mais antigos, para decidir se o afastamento de Barbosa será mantido, conforme mostrou o UOL.

    Até o momento, Wanderlei Barbosa não se manifestou sobre o afastamento. Sua defesa informou que só se pronunciará após acessar os autos.

    A operação também investiga outros políticos e empresários, como Joseph Madeira, presidente do SindespTO e da Acipa, citado na primeira fase.

    A PF segue buscando novas provas para identificar todos os responsáveis e recuperar os recursos desviados.

    A primeira fase da Operação Fames-19, Barbosa exonerou sete servidores comissionados investigados, incluindo o chefe de gabinete Marcos Martins Camilo.

    A PF também apontou que uma assessora do governador sacou quase R$ 1 milhão em espécie, reforçando as suspeitas de lavagem de dinheiro.

    A investigação, que tramita sob sigilo no STJ, sugere um “complexo aparelhamento estatal” para perpetuar o esquema criminoso, iniciado ainda na gestão do ex-governador Mauro Carlesse, afastado em 2021 por outras irregularidades, conforme mostrou o Conexão Tocantins.



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