Gravação liberada pelo DOJ expõe visões perturbadoras do financista, minimizando acusações e defendendo fortuna em entrevista de 2019
Brasília (DF) · 03 de fevereiro de 2026
A liberação de um vasto conjunto de documentos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos reacendeu o escrutínio sobre as conexões e o legado sombrio de Jeffrey Epstein, o financista condenado por crimes sexuais que morreu em circunstâncias controversas.
Entre os materiais divulgados na sexta-feira (30/jan), destaca-se uma entrevista em vídeo de quase duas horas, conduzida por Steve Bannon, ex-estrategista chefe da Casa Branca durante a administração de Donald Trump.
A gravação, aparentemente realizada na mansão de Epstein em Nova York por volta de 2019, foi produzida com o intuito de reabilitar a imagem pública do entrevistado, conforme relatado por fontes como a MSNBC.
No decorrer da conversa, Epstein busca relativizar sua reputação, respondendo a provocações diretas de Bannon. Quando questionado se considera a si mesmo “o diabo em pessoa”, o financista rebate com um sorriso: “Não, mas eu tenho um bom espelho”. Essa resposta, destacada pela BBC, ilustra a tentativa de Epstein de desviar de rótulos negativos, enquanto minimiza a gravidade de suas ações.
Ele vai além ao se autodescrever como um “predador sexual de nível 1”, alegando que isso representa o “nível mais baixo” de ofensas sexuais, conforme reportou o New York Post, que enfatiza como Epstein via suas condenações como menores em comparação a crimes mais graves.
A entrevista também aborda o período de detenção de Epstein em 2008, após sua condenação por solicitação de prostituição em Palm Beach, na Flórida.
Ele reflete sobre sua visão de si mesmo e suas crenças, discutindo temas como ética e riqueza. Questionado se seu dinheiro seria “dinheiro sujo”, Epstein afirma que o “ganhou” ao assessorar clientes abastados, e argumenta que “ética é algo complicado”.
Ele menciona doações para vacinas contra pólio, sugerindo que mães beneficiadas deveriam julgar o valor de suas contribuições, um ponto levantado na análise da MSNBC.
O contexto da gravação revela uma colaboração inusitada: Bannon, após deixar o governo Trump, planejava um documentário simpático intitulado The Monsters: Epstein’s Life Among the Global Elite, com cerca de 15 horas de material inédito.
Embora o projeto tenha sido pausado, Bannon divulgou um trailer de dois minutos e anunciou uma série em cinco partes para o início de 2027, conforme detalhado pela The Daily Beast.
A liberação dos arquivos ocorre sob a Lei de Transparência dos Arquivos de Epstein, sancionada por Trump em novembro de 2025, abrangendo 2.000 arquivos, 3,5 milhões de páginas e 180.000 imagens.
Epstein faleceu em 10 de agosto de 2019, em uma cela federal em Nova York, oficialmente classificado como suicídio, enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores.
O caso continua a expor redes de influência envolvendo figuras proeminentes, sem novas acusações diretas emergindo desse lote, mas alimentando debates sobre transparência e justiça.
Nota de AtualizaçãoDe acordo com publicações recentes na The Daily Beast, o Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes, liderado pelo democrata Robert Garcia, planeja intimar indivíduos conectados a Epstein, incluindo possivelmente Bannon, para acessar mais gravações.
Assista à íntegra do vídeo de quase duas horas de duração:

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