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Massacre silencioso: Israel já assassinou mais de 200 jornalistas para esconder horrores da guerra

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    Capacete de
    Capacete de jornalista com perfurações a bala entre os escombros dos prédios bombardeados por Israel na Faixa de Gaza | Crédito pchrgaza.org


    Perdas humanas na imprensa palestina durante o embate armado evidenciam violações graves à liberdade de expressão e a urgência por justiça internacional



    Brasília, 11 de agosto de 2025

    A guerra entre Israel e o Hamas, que explodiu em 7 de outubro de 2023 com um ataque surpresa do grupo militante palestino contra territórios israelenses, transformou a Faixa de Gaza em um dos lugares mais perigosos do mundo para profissionais da mídia.

    Desde então, o conflito resultou na morte de milhares de civis, mas um aspecto alarmante tem sido o alto número de repórteres, cinegrafistas e outros trabalhadores da imprensa eliminados, muitos em circunstâncias que sugerem ataques intencionais.

    Organizações como o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) registram pelo menos 192 óbitos confirmados entre esses profissionais até agosto de 2025, um total que supera o somatório de perdas em grandes confrontos históricos, como as duas Guerras Mundiais, a Guerra do Vietnã e a invasão russa à Ucrânia.

    Essa estatística chocante levanta acusações de que as forças israelenses visam deliberadamente a imprensa para impedir a documentação de possíveis crimes de guerra, como bombardeios indiscriminados em áreas civis.

    No coração desse drama estão histórias individuais que revelam o custo humano.

    Um dos incidentes mais recentes ocorreu no domingo (10/ago), quando um ataque aéreo israelense atingiu uma tenda usada por equipes de reportagem fora do Hospital al-Shifa, na Cidade de Gaza.

    Nesse episódio, morreram pelo menos cinco membros da equipe da Al Jazeera, incluindo os repórteres Anas al-Sharif e Mohammed Qreiqeh, os cinegrafistas Ibrahim Zaher e Moamen Aliwa, além do motorista Mohammed Noufal Anas al-Sharif, de 28 anos, conhecido por suas coberturas ao vivo do caos no enclave, tendo postado atualizações minutos antes do bombardeio que o vitimou.

    A emissora catari, que já perdeu outros funcionários no conflito, condenou o ato como um “assassinato reivindicado“, enquanto as Forças de Defesa de Israel (FDI) alegaram que o grupo incluía líderes de uma célula do Hamas, sem apresentar provas imediatas.

    Esse não é um caso isolado: em dezembro de 2024, cinco jornalistas foram mortos em um veículo de imprensa enquanto aguardavam o nascimento de um filho de um deles, novamente rotulados como “terroristas” por autoridades israelenses.

    Outros exemplos incluem Hossam Shabat, um jovem de 23 anos colaborador da Drop Site News, assassinado em abril de 2025 em um ataque direcionado, e Mohammed Yaghi, morto com sua família em fevereiro de 2024, elevando o total para 130 na época.

    A Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que apresentou queixas ao Tribunal Penal Internacional sobre abusos contra a imprensa, estima mais de 200 mortes, incluindo 30 mulheres jornalistas, e mais de 500 feridos.

    A Organização das Nações Unidas (ONU) classifica esses incidentes como violações graves do direito internacional humanitário, que protege civis e profissionais de mídia em zonas de guerra, e alerta para o risco de extermínio de uma geração inteira de comunicadores palestinos.

    Críticos apontam que Israel proíbe a entrada de jornalistas independentes em Gaza, forçando a dependência de fontes locais, o que facilita narrativas controladas e aumenta o perigo para os que permanecem.

    O impacto vai além das vidas perdidas: com a eliminação sistemática de vozes que documentam o sofrimento, o mundo perde olhos e ouvidos cruciais para entender o que realmente acontece no terreno.

    Grupos como a Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal) e ativistas internacionais exigem investigações imparciais e sanções contra Israel, incluindo a suspensão de parcerias comerciais com a União Europeia.

    Enquanto o secretário-geral da ONU, António Guterres, pede probes independentes, a contagem continua subindo, agora em torno de 238 a 242, segundo sindicatos locais e o gabinete de informação do governo de Gaza.

    Essa tragédia não só silencia a verdade, mas também ameaça a essência da democracia global, onde a imprensa livre é o guardião contra abusos de poder.

    Apelos por proteção imediata e accountability ecoam, mas sem ação concreta, o “massacre silencioso” persiste, deixando um vazio irreparável na narrativa da humanidade.



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