Teerã exige garantias contra novas agressões, reparações e soberania sobre o Estreito de Ormuz após acusar Washington de traição em rodadas anteriores de diálogo
Teerã (IR) · 26 de março de 2026
O Irã endureceu sua posição diante das tentativas de diálogo com os Estados Unidos e apresentou cinco condições claras para qualquer cessar-fogo no conflito que já dura quatro semanas.
As exigências, divulgadas por meio da televisão estatal e da agência Press TV, refletem a percepção de Teerã de que rodadas anteriores de negociações foram seguidas de agressões militares.
Entre as demandas centrais está o fim completo da “agressão e dos assassinatos”, a criação de mecanismos concretos que impeçam a retomada da guerra e o pagamento garantido de reparações pelos danos causados.
O Irã também exige o encerramento das hostilidades em todas as frentes regionais — incluindo as operações de Israel contra o Hezbollah no Líbano — e o reconhecimento internacional da sua soberania sobre o Estreito de Ormuz, via marítima estratégica pela qual transita cerca de um quinto do petróleo mundial.
O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, reforçou que “no momento, nossa política é a continuação da resistência” e que “falar em negociações agora equivale a admitir derrota”.
Segundo ele, mensagens trocadas por intermédio de países mediadores não configuram diálogo formal.
As condições iranianas contrastam com a proposta de 15 pontos apresentada por Washington, que previa cessar-fogo inicial de 30 dias, restrições ao programa nuclear e de mísseis, além de maior liberdade de navegação no Estreito de Ormuz.
Teerã rejeita qualquer limitação ao seu direito de enriquecimento de urânio para fins civis e afirma que o programa de mísseis “está em expansão” e não é negociável.
Autoridades iranianas citadas pela Tehran Times e pela Press TV lembram o histórico de “traição” atribuído aos Estados Unidos, especialmente a saída do acordo nuclear de 2015 (JCPOA) em 2018 e ataques lançados durante processos diplomáticos em 2025 e início de 2026.
“A não repetição da traição da diplomacia é condição essencial”, afirmaram diplomatas em declarações anteriores que ecoam na posição atual.
O Líder Supremo Ayatollah Seyyed Mojtaba Khamenei teria mencionado a necessidade de compensações financeiras pelos danos das sanções e da guerra atual.
Especialistas iranianos destacam que apenas um “preço pesado” no campo de batalha pode deter novas agressões.
Essas exigências surgem em contexto de tensão elevada no Oriente Médio, onde o controle do Estreito de Ormuz funciona como importante alavanca estratégica para Teerã.
O Irã mantém que qualquer caminho diplomático deve vir acompanhado de garantias juridicamente vinculantes, evitando repetição de cenários em que conversas foram seguidas de ataques.
Fontes iranianas confirmam que a política de “resistência” permanece prioritária, com contatos indiretos em análise pelas altas autoridades de Teerã.
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