PF investiga contratação de suspeitos de receberem quantias vultosas para vilipendiar BC, servidores públicos, jornalistas e até ministros de cortes superiores
Brasília (DF) · 29 de janeiro de 2026
Em meio ao turbilhão do caso Banco Master, uma nova vertente investigativa emerge com contornos alarmantes.
A Polícia Federal (PF) direciona esforços para desvendar a contratação de influenciadores digitais, suspeitos de receberem quantias vultosas para vilipendiar o Banco Central, servidores públicos, jornalistas e até ministros de cortes superiores.
Essa ofensiva cibernética, segundo apurações, visava salvaguardar os interesses do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador da instituição liquidada extrajudicialmente em novembro de 2025 por graves irregularidades financeiras.
Documentos e depoimentos colhidos pela PF, conforme revelado pela revista piauí, indicam que a rede de perfis envolvidos soma mais de 70 milhões de seguidores.
Esses mesmos atores digitais não se limitaram a atacar instituições: eles amplificaram narrativas elogiosas ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, disseminaram críticas virulentas do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) contra a Caixa Econômica Federal e impulsionaram atos em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro após sua condenação por tentativa de golpe de Estado.
O epicentro do escândalo remonta à liquidação do Banco Master pelo Banco Central, decretada em novembro de 2025, sob alegações de fraudes bilionárias estimadas em até R$ 17 bilhões.
Envolviam carteiras fictícias de crédito e desvios de recursos, incluindo operações suspeitas com o Banco de Brasília (BRB). Vorcaro foi detido em meados de novembro ao tentar evadir o país, mas obteve liberdade provisória com tornozeleira eletrônica dias depois, conforme decisão do Tribunal Regional Federal.
O inquérito aponta para pagamentos sistemáticos a influenciadores com o intuito de obstruir apurações e interferir na aplicação da lei, conforme o Semana On. Empresários como Flávio Carneiro e Antônio Carlos Freixo Júnior, ligados à SPE FOONE – supostamente controlada ocultamente por Vorcaro via fundo Duke –, surgem como figuras pivôs no financiamento.
Cruzamentos de dados revelam sobreposições intrigantes. A mesma engrenagem digital que difamou o Banco Central foi empregada para enaltecer Tarcísio de Freitas, propagar ataques de Nikolas Ferreira e inflar a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Em vídeo circulante nas redes, atribuído à influenciadora Duda Hidalgo, questiona-se: “Uma coincidência ou método?“, aludindo aos perfis que receberam suspeitos R$ 2 milhões para tais ações.
Os influenciadores acusados de serem contratados para defender o Banco Master são os mesmos que espalharam em massa mentiras e ataques de Nikolas Ferreira, encheram Tarcísio de Freitas de elogios e ainda impulsionaram a candidatura de Flávio Bolsonaro.
— Lázaro Rosa 🇧🇷 (@lazarorosa25) January 29, 2026
Coincidência? Ou método?… pic.twitter.com/Ik32kEKiNW
Conexões eclesiásticas também afloram. A Igreja Lagoinha, pastoreada por André Valadão, é citada em relatórios por supostas ligações com Vorcaro, incluindo doações e conversões que teriam facilitado acessos políticos.
O cunhado de Tarcísio, Fabiano Zettel – maior doador individual das campanhas de Bolsonaro e Tarcísio em 2022 –, emerge como operador chave, conforme detalhado pela piauí.
O desdobramento abarca figuras do Judiciário. Irmãos do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), venderam fatias milionárias em resorts a fundos investigados no caso, reportado pelo Estadão.
Toffoli, relator do inquérito no STF, impôs sigilo elevado, colecionando contestações em menos de dois meses, incluindo decisões sobre depoimentos e buscas.
Pedidos de CPI e CPMI ecoam no Congresso. Nikolas Ferreira, em discurso durante manifestação em Brasília na quinta-feira (22/jan), cobrou investigações sobre o INSS e o Banco Master, ignorando incidentes como feridos por raio no ato, conforme UOL Notícias.
O caso também respinga no governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, com pedido de impeachment na Câmara Legislativa após revelações de encontros com Vorcaro.
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já desembolsou R$ 26 bilhões a credores do Master, representando 66% das garantias, com ajustes normativos pós-escândalo para aprimorar contribuições bancárias.
O rombo reacende debates sobre riscos em CDBs de instituições menores, expondo vulnerabilidades na liquidez mesmo com coberturas.
Essa teia de influências digitais e financeiras não só compromete a integridade institucional como acende alertas para as eleições de 2026, onde a corrupção pode ressurgir como eixo central, influenciando narrativas e alianças.
Nesta quinta-feira (29/jan), o E-Investidor do Estadão relata mudanças no FGC motivadas pelos casos Master e Will Bank, ampliando atuações preventivas.

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