Após quedas sucessivas, Selic estacionou em 10,5% e mercado pressiona por aumento da taxa básica: Presidente do PT diz que reduzi-la seria “decisão sensata“, diz que “no mundo capitalista inteiro os juros estão caindo” e questiona: “por que aqui seria diferente?“
Por: Gleisi Hoffmann
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“A única decisão sensata que o Copom [Comitê de Política Monetária do BC (Banco Central do Brasil)] pode tomar amanhã [quarta-feira (18/9)] é reduzir a taxa básica de juros [Selic]. No mundo capitalista inteiro os juros estão caindo, por que aqui seria diferente?
O País gasta quase R$ 100 bilhões por mês com juros da dívida, que crescem com a taxa Selic. Isso é 7,7% do PIB [Produto Interno Bruto] no valor anualizado. Com um mês desses juros daria para pagar quase um ano de BPC [Benefício de Prestação Continuada] a 6 milhões de idosos e deficientes físicos.
Aumentar 0,25 ponto na taxa Selic, como exige o mercado, custaria mais R$ 1 bilhão por mês. São esses juros, pagos aos banqueiros, que de fato pressionam o equilíbrio fiscal de que tanto falam. E é o dinheiro que falta para enfrentar emergências, por exemplo.
Risco de inflação também não é razão para subir juros. Ela está sob controle e nas margens da meta. Expectativa de aumento de preços por desastres naturais não se enfrenta com juros, nem mesmo pela cartilha dos neoliberais.
A maior taxa de juros reais do planeta é hoje o maior obstáculo ao crescimento da economia e ao bem-estar da população. Por mais “autônomo” que pretenda ser, o BC não pode submeter o país e o povo à ganância dos rentistas”.
