Resposta oficial expõe tensões diplomáticas ao criticar relatório americano sobre violações à liberdade religiosa em 2026

Nova Délhi (IN) ·♦· 16 de março de 2026
A Índia rejeitou o relatório anual 2026 da Comissão dos Estados Unidos sobre Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF), órgão bipartidário americano que monitora violações à liberdade religiosa globalmente.
O documento, divulgado no início de março, recomenda designar a Índia como “país de preocupação particular” por violações sistemáticas contra minorias religiosas, com base em condições de 2025 que incluem violência de multidões, leis discriminatórias e demolições de templos.
Pela primeira vez, propõe sanções direcionadas à Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS) — organização nacionalista — e à agência de inteligência RAW, com medidas como congelamento de ativos e proibição de entrada nos Estados Unidos.
O Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS) é uma organização paramilitar de direita, nacionalista hindu, fundada em 1925 na Índia, com o objetivo de formar o caráter dos cidadãos para fortalecer a nação, promovendo a ideologia do Hindutva.
O RSS defende que a identidade nacional da Índia está ligada à cultura hindu e opera através de shakas, reuniões que visam inculcar disciplina e patriotismo.
Embora não dispute eleições diretamente, é o centro da rede Sangh Parivar, cuja principal ala política é o BJP.
A organização tem um histórico controverso, tendo sido proibida três vezes, e é criticada por promover uma agenda de maioria hindu. Também atua em serviços sociais, como gestão de escolas e socorro em desastres.
Quanto à Research and Analysis Wing (R&AW ou RAW), é a principal agência de inteligência externa da Índia, fundada em 1968, com a responsabilidade de coletar informações estratégicas fora do país, realizar operações secretas e combater o terrorismo internacional.
Diferente do Intelligence Bureau (IB), a RAW atua globalmente, respondendo diretamente ao Primeiro-Ministro indiano, focando na coleta de dados sobre governos e organizações estrangeiras, conduzindo operações discretas e desempenhando um papel crucial no contraterrorismo, enquanto colabora com a DRDO para o desenvolvimento de inteligência científica, sendo frequentemente comparada à CIA, Mossad e MI6.
O relatório USCIRF dos EUA também sugere vincular assistência militar e comércio bilateral à melhoria das condições religiosas.
O Ministério das Relações Exteriores da Índia classificou o relatório como tendencioso e politicamente motivado.
O porta-voz Randhir Jaiswal afirmou que o documento ignora a realidade pluralista do país, baseia-se em narrativas seletivas e distorce fatos para atacar a imagem indiana, minando a credibilidade da própria USCIRF.
Em contraposição direta, Jaiswal sugeriu que a comissão examine questões internas dos Estados Unidos:
“Em vez de persistir com críticas seletivas à Índia, a USCIRF faria bem em refletir sobre os incidentes perturbadores de vandalismo e ataques a templos hindus nos Estados Unidos, o direcionamento seletivo à Índia e a crescente intolerância e intimidação de membros da diáspora indiana nos Estados Unidos“.
A declaração oficial, compartilhada por jornalistas como Sidhant Sibal no X, reforça a defesa da soberania indiana e da harmonia religiosa.
A USCIRF, presidida por Vicky Hartzler, destaca no relatório abusos graves em vários países, incluindo assédio a minorias na Índia e violência comunitária em estados como Maharashtra, Odisha e Uttar Pradesh.
A presidente enfatizou a necessidade de ações americanas para promover a liberdade religiosa global.
Fontes como o relatório oficial da USCIRF e veículos indianos (Hindustan Times, The Hindu, India Today) confirmam o conteúdo das recomendações e a resposta firme do governo indiano.
Essa troca evidencia tensões diplomáticas, onde acusações de violações religiosas se entrelaçam com defesa de narrativas nacionais e interesses geopolíticos.

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