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Imprensa do Brasil precisa entender que País não é mais potência subordinada, diz ex-primeiro ministro português

    Imprensa do Brasil precisa entender que País não é mais potência subordinada, diz ex-primeiro ministro português


    LULA e JANJA, em Moscou, assistem aos desfiles comemorativos dos 80 anos do Dia da Vitória dos russos sobre os nazistasas da Segunda Guerra Mundial |9.5.2025| imagem reprodução Москва 24


    José Sócrates, defende a consolidação do Brasil como uma potência global autônoma e destaca sua relevância no cenário internacional, rompendo com a histórica subordinação a potências tradicionais – SAIBA MAIS

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    Brasília, 13 de maio de 2025

    Em um artigo publicado no ICL Notícias, José Sócrates, ex-primeiro-ministro de Portugal (2005-2011), defende a consolidação do Brasil como uma potência global autônoma e destaca sua relevância no cenário internacional, rompendo com a histórica subordinação a potências ocidentais e assumindo um papel central na construção de uma nova ordem mundial.

    Sócrates argumenta que “o Brasil ocupa hoje, na comunidade internacional, uma invejável condição de potência não alinhada”. Ele destaca a capacidade do país de dialogar com o Ocidente, os BRICS e o Sul Global, o que o torna uma “potência irradiante”, capaz de promover cooperação em múltiplas geografias.

    Essa visão é respaldada pelo fortalecimento da política externa brasileira, especialmente sob a liderança do Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    Em 2025, o Brasil assumiu a presidência rotativa dos BRICS, grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e novos membros como Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

    A reunião de chanceleres no Rio de Janeiro, em abril, reforçou a influência do bloco no Sul Global, com foco em cooperação econômica e política.

    Uma Nova Posição no Mundo

    Sócrates reforça que, com 220 milhões de habitantes e vastos recursos, o Brasil hoje transcende sua antiga dependência dos Estados Unidos. Ele aponta que “a sua política externa já não se resume a uma especial relação com os Estados Unidos, mas atira agora em várias outras direções”.

    Esse argumento é sustentado pela diversificação das parcerias comerciais e políticas do Brasil. Por exemplo, a China, maior parceiro comercial do país, importou US$ 104 bilhões em produtos brasileiros em 2024, com destaque para soja, minério de ferro e carne.

    Além disso, a relação com os BRICS foi fortalecida pela liderança brasileira na criação de mecanismos financeiros alternativos, como o Novo Banco de Desenvolvimento, que financia projetos de infraestrutura no Sul Global.

    O Papel dos BRICS e os Desafios da China

    Sócrates destaca que “se há uma nova ordem mundial em construção, o Brasil está no centro dela”, atribuindo aos BRICS um papel crucial nesse processo.

    Ele lembra que o grupo, iniciado em 2006, evoluiu de um contrapeso à hegemonia americana para um bloco com uma superpotência, a China, que busca maior influência global.

    Contudo, o autor alerta que “esta circunstância altera o equilíbrio interno dos BRICS e cria um novo desafio para a política externa brasileira”.

    A ascensão da China no bloco gera tensões, especialmente devido a disputas comerciais e à sua busca por liderança.

    A China tem pressionado por maior uso do yuan em transações do BRICS, o que preocupa países como o Brasil, que buscam manter autonomia monetária.

    Apesar disso, a parceria sino-brasileira permanece sólida, com acordos em tecnologia e energia renovável assinados em 2025, segundo a Embaixada da China.

    Críticas à Imprensa e à Oposição

    O ex-primeiro-ministro critica a imprensa e a oposição brasileiras por questionarem as viagens do chefe do Executivo brasileiro à China e à Rússia, argumentando que “a imprensa brasileira, quando analisa as viagens do presidente Lula, deveria ter um pouco mais consciência da importância do seu próprio país”.

    Ele defende que essas visitas reforçam a influência do Brasil nos BRICS e no comércio global.

    As exportações brasileiras para a Rússia cresceram 15% em 2024, especialmente em produtos agrícolas, apesar das sanções ocidentais ao país. Essas viagens também consolidam o Brasil como mediador em conflitos globais, como nas negociações de paz entre Ucrânia e Rússia, onde Lula propôs uma conferência multilateral.

    Desafios e Prudência

    Sócrates reconhece que a nova posição do Brasil exige “muita prudência e muita sensibilidade” para navegar os riscos de um bloco com interesses divergentes. Ele enfatiza que a solução está em “mais presença no palco da política mundial, não com mais afastamento”.

    Esse equilíbrio é evidente na estratégia brasileira de manter laços com os EUA e a União Europeia enquanto amplia parcerias com o Sul Global.

    Por exemplo, o Brasil assinou um acordo de cooperação em defesa com a Índia em 2025, focado em tecnologia militar.

    Essa diversificação reforça a autonomia do país, mas exige habilidade diplomática para evitar alinhamentos automáticos.

    O artigo de José Sócrates oferece uma visão otimista sobre o papel do Brasil como potência global autônoma.

    Suas teses refletem a consolidação do país no cenário internacional, impulsionada pelos BRICS, pela parceria com a China e pela liderança no Sul Global.

    Contudo, os desafios apontados, como o equilíbrio interno dos BRICS e a necessidade de prudência, destacam a complexidade dessa ascensão.

    A crítica à imprensa brasileira reforça a importância de uma narrativa nacional que valorize o potencial do país, enquanto a diversificação da política externa abre novas oportunidades e responsabilidades.

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